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Junta de Freguesia de Anta pede alterações à linha de alta velocidade entre Campanhã e Oiã

Homem de fato a analisar documentos junto a um capacete amarelo numa paisagem rural com rio e viaduto ao fundo.

A Junta de Freguesia de Anta, no concelho de Espinho, defende mudanças ao projeto da linha de alta velocidade entre Campanhã (Porto) e Oiã (Oliveira do Bairro), por entender que o traçado atualmente previsto impõe “impactos desproporcionais” no território.

Pronúncia apresentada no âmbito do RECAPE

Na pronúncia submetida durante a consulta pública do Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE), a junta chama a atenção para danos ambientais, sociais e paisagísticos e exige alternativas e medidas que reduzam ao máximo os efeitos da obra.

Principais impactos apontados em Anta

Embora assuma a relevância da nova ligação ferroviária para o país, a autarquia sustenta que Anta volta a ser chamada a suportar um custo elevado em nome de uma grande intervenção pública, recordando que a freguesia já foi profundamente condicionada pela construção das autoestradas A29 e A41. Entre as preocupações destacadas estão a eliminação de áreas florestais, a afetação de recursos hídricos, a alteração da paisagem e os entraves à mobilidade local.

Ponte de 614 metros na Ribeira de Silvalde

Um dos aspetos mais contestados é a construção de uma ponte com cerca de 614 metros na Ribeira de Silvalde. A junta considera que esta travessia acrescenta mais uma barreira num território já fragmentado e teme que o lugar de Esmojães fique praticamente cercado por grandes infraestruturas, com perda de identidade e deterioração da qualidade ambiental.

Medidas de mitigação e compensação ambiental

No documento, é também reivindicado um reforço das compensações ambientais, incluindo a criação de corredores verdes, a rearborização das zonas atingidas e uma proteção mais eficaz da ribeira de Silvalde, da ribeira da Gaiteira e da fonte do Pereiro.

Carências antigas e preocupações durante a obra

A junta pede ainda que a empreitada seja aproveitada para responder a necessidades antigas, como a extensão da rede pública de saneamento às habitações que continuam sem acesso ao serviço.

Em paralelo, a autarquia manifesta inquietação quanto aos acessos às habitações durante os trabalhos, à estabilidade da ponte da Rua da Aldeia Nova e aos efeitos que a construção poderá ter em determinadas áreas residenciais, bem como em equipamentos desportivos e comunitários. Na pronúncia são igualmente referidos o risco de isolamento de núcleos populacionais, como o Peso, e a eventual desvalorização do território.

Defesa dos moradores e posição do presidente da Junta de Freguesia de Anta

A proteção dos moradores diretamente afetados é indicada como prioridade. O presidente da Junta, José Fernando Pinto, afirma que a freguesia não se opõe à Linha de Alta Velocidade, mas defende que “uma infraestrutura desta dimensão não pode ser construída ignorando os territórios que atravessa”. O autarca entende que ainda existe margem para introduzir alterações que permitam compatibilizar a obra com a salvaguarda das populações e do ambiente.

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