O calor extremo que se tem feito sentir nos últimos dias está a empurrar muitos portugueses para soluções rápidas de arrefecimento. Nas horas de maior aperto, o mar de Matosinhos tornou-se o refúgio de dezenas de banhistas para enfrentar um tempo descrito como "infernal".
Estratégias para aguentar o calor em Matosinhos
Logo de manhã, Ana e Mirian chegaram à praia com os filhos ainda pequenos. Entre sombrinhas abertas e garrafas de água, explicam o motivo: "Viemos para nos distrair e para poder conviver com os pequeninos". Para suportarem as temperaturas, apostam sobretudo em manter as crianças frescas e com líquidos: "temos estado mais pela sombrinha, hidratado e dado bastante fruta aos miúdos".
Ali perto, Carol, Maira e Bruna aproveitaram o dia de folga do restaurante onde trabalham para procurarem alívio junto ao mar. As três amigas brasileiras dizem não se recordar de um começo de verão assim. "Está muito mais quente. A cada ano que passa, é mais quente", reconhece Carol. Bruna, natural de Recife, garante que só sentiu algo semelhante quando chegou ao Porto, há nove anos. "Infernal", sintetiza, numa palavra, esta sexta-feira. As três admitem que as temperaturas elevadas em Matosinhos têm sido difíceis de gerir e que estão a "sobreviver" enquanto esperam que a onda de calor extremo passe.
Comparações com o Brasil e a secura do ar
Há quem compare este calor com o que conhecia no local de origem. Gabriela e Laura, ambas do Rio de Janeiro, notam sobretudo a diferença na humidade e estranham a secura do ar. "Lá é calor sempre, só que lá o tempo é húmido, aqui é seco", descreve Gabriela, que, mesmo ao fim de quase quatro anos no Porto, continua a sentir-se "muito abafada". A amiga já viveu em Viana do Castelo - também sob aviso vermelho esta sexta-feira - e lembra-se desse território como "um lugar mais fresco", uma ideia que a atual onda de calor está a pôr em causa em todo o litoral norte.
Entre mar, centros comerciais e outras alternativas
Rita e Inês levantam-se da toalha e seguem em direção à água. As adolescentes, em férias escolares, fazem o balanço: "As temperaturas estão mais altas do que no ano passado, acho que este ano chegou o calor mais cedo". Ainda assim, nem sempre é o mar que resolve; nos dias mais complicados, preferem resguardar-se em centros comerciais ou no Parque da Cidade do Porto.
Ana e Mirian também recorrem a outras opções: por vezes escolhem a piscina, mas admitem que, "com as temperaturas tão altas, nem sempre é a melhor ideia", e acabam por procurar o rio. Já Carol, Maira e Bruna vão alternando entre diferentes praias - além de Matosinhos, passam pela Praia dos Ingleses e pela Praia de Leça da Palmeira - e, quando o calor aperta mesmo, uma delas prefere até fugir para o Rio de Janeiro durante as férias.
A trabalhar debaixo do mesmo sol
Enquanto muitos dividem o tempo entre o areal e os mergulhos, Ronaldo passa os dias a trabalhar na praia de Matosinhos, onde vende toalhas há oito anos. Para ele, o calor sente-se de outra forma, nomeadamente nas vendas: "No verão sempre vende muito mais do que no inverno", observa. A rotina, porém, mantém-se exigente: chega às oito da manhã e só sai ao final da tarde, sempre sob o sol - algo que o bronzeado denuncia. "Não faz muito bem não", admite, antes de explicar o que faz para aguentar: "Passo o protetor e entro ali na água, molho-me e fico um pouco mais tranquilo".
Apesar dos avisos, quase todos garantem que irão regressar enquanto o calor persistir, pelo menos até domingo, quando termina o aviso vermelho no distrito. Neste verão, ir à praia de Matosinhos deixou de ser apenas lazer e passou também a ser uma forma de "sobrevivência" nos dias mais quentes do ano.
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