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Incêndios rurais na onda de calor: Norte e Centro com mais de 3000 bombeiros no combate

Bombeiros combatem incêndio florestal em terreno seco com avião de combate a incêndios ao fundo.

No primeiro dia em que o combate aos incêndios rurais enfrentou uma pressão particularmente elevada desde o arranque da onda de calor, o Norte e o Centro do país depararam-se, esta sexta-feira, com vários fogos de grande dimensão. Em certos momentos, estiveram empenhados em simultâneo mais de 3000 bombeiros, centenas de viaturas e dezenas de meios aéreos no controlo das chamas.

As temperaturas muito altas, o vento intenso e a vegetação extremamente seca continuam a sustentar um risco muito elevado em praticamente todo o território.

Proteção Civil: balanço e incêndios que mais preocupam

No ponto de situação das 20 horas, o comandante nacional da Proteção Civil sublinhou que existiam cinco incêndios “a dar maior preocupação”. Entre eles, destacou o fogo de São Sebastião, no concelho de Setúbal, e o incêndio de Monte Fralães, em Barcelos, que 27 horas após o alerta mantinha ainda um dispositivo robusto no terreno.

Mário Silvestre acrescentou que 23 incêndios tiveram origem durante a noite de quinta-feira, apontando como exemplos o de Vila Nova de Paiva, com início às 2.44 horas, e o de Vouzela, que começou às 3 horas. Este último - considerado um dos mais significativos - manteve a população sob forte pressão e chegou a obrigar ao corte da A25 entre Vouzela e Reigoso.

Condições meteorológicas e propagação dos incêndios rurais

O comandante nacional referiu também que os municípios de Águeda, Vouzela e Tondela já ativaram os respetivos planos de emergência. Reiterou, ainda, que o cenário meteorológico é “bastante complexo”: tempo muito quente e seco, inclusive durante a noite, quando as temperaturas chegam aos 30 ºC.

A este quadro juntam-se ventos descritos como “extremamente fortes”, sobretudo no período noturno, criando “grandes dificuldades” na extinção dos incêndios, ao contrário do que seria habitual.

Segundo adiantou, a humidade disponível nos combustíveis mortos está abaixo de 6%, o que configura “um cenário extremamente complexo do ponto de vista da propagação dos incêndios”, admitiu o comandante nacional.

Acompanhamento institucional

Durante a tarde, António José Seguro deslocou-se à sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil para se inteirar do ponto de situação do combate aos incêndios, que “continuará a acompanhar de perto”. De acordo com a Presidência da República, o chefe de Estado “teve oportunidade de cumprimentar as equipas em serviço no local, e de dirigir palavras de incentivo a todos os envolvidos nas operações de combate”.

Alerta aos moradores

Em Barcelos, ao final da tarde, permaneciam no terreno cerca de 110 operacionais, apoiados por 35 viaturas. Os dois meios aéreos que chegaram a estar empenhados foram encaminhados para outras ocorrências, embora possam regressar se tal se revelar necessário. Segundo o comandante da Sub-Região do Cávado da Proteção Civil, o incêndio mantém três frentes ativas, apesar de duas estarem mais controladas. A frente que continua a exigir maior atenção é fortemente empurrada pelo vento, o que tem dificultado o trabalho dos bombeiros.

As chamas desenvolvem-se numa vasta área florestal de acesso difícil, com declives acentuados e elevada carga de combustível, uma vez que aquela zona não ardia há cerca de 15 anos. A situação gerou grande apreensão nas populações de Monte de Fralães, Grimancelos, Chavão e Chorente, levando a Junta de Freguesia a apelar aos moradores para se manterem vigilantes e adotarem medidas de precaução.

Apesar da dimensão do incêndio e das sucessivas alterações na direção das chamas, não há registo de feridos nem foi necessário evacuar habitações. O combate continua centrado na frente mais ativa, enquanto as autoridades acompanham a evolução do cenário, numa fase em que o país permanece em situação de alerta devido ao elevado risco de incêndio.

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