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Contratos assinados entre CCDR e DSTelecom para redes de elevada capacidade nas zonas brancas

Engenheira com capacete e homem de fato apertam mãos em projeto rural com tablet e rolo de cabo.

As chamadas zonas brancas vão passar a contar com redes de comunicações eletrónicas de capacidade muito elevada. A iniciativa abrange mais de 416 mil edifícios e tem conclusão prevista num prazo de três anos.

Projeto de fibra ótica da DSTelecom nas zonas brancas

Nesta sexta-feira, em Carrazeda de Ansiães, foram celebrados os contratos para a instalação, gestão, exploração e manutenção destas redes nas zonas brancas, num acordo entre as cinco comissões de coordenação e desenvolvimento regional (CCDR) e a operadora DSTelecom.

Cobertura, investimento e prazo

Com este projeto, pretende-se assegurar a cobertura integral do país com rede de fibra ótica, dando prioridade aos territórios de baixa densidade populacional, onde ainda existem localidades sem acesso a Internet rápida. No total, estão incluídos mais de 416 mil edifícios, entre residenciais e não residenciais. O investimento público situa-se em torno de 30 milhões de euros, e a obra deverá ficar concluída em três anos.

"Justiça territorial"

O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, enquadrou a intervenção como uma correção de "justiça territorial". "Há zonas do Interior onde queremos usar telemóvel e não temos rede, queremos Internet e não temos", sublinhou, defendendo que a meta passa por "tornar o país mais igual em termos de acesso às redes digitais".

Segundo Manuel Castro Almeida, os contratos agora assinados vão permitir que mais de quatro milhões de portugueses, até aqui afastados dos benefícios da revolução digital, possam ser abrangidos. Na sua perspetiva, trata-se de "tornar o país mais coeso, mais igual" e de criar condições para que as pessoas possam, se assim o desejarem, "continuar a viver no Interior do país".

O governante lembrou ainda que o processo se prolongou devido a entraves burocráticos, recursos judiciais e providências cautelares. Reconheceu que "já passaram dois anos e meio", mas assegurou que a assinatura dos contratos cria, finalmente, condições para o arranque da empreitada.

O presidente da CCDR-Norte, Álvaro Santos, descreveu o momento como "histórico". Justificou a avaliação ao considerar que as zonas brancas representavam "uma desigualdade injusta e inadmissível" e salientou que esta assinatura marca o início de uma infraestrutura que comparou a uma "autoestrada do futuro".

Em Carrazeda de Ansiães, a escolha do local para a cerimónia teve também um significado simbólico. O presidente da Câmara, João Gonçalves, recordou que são os territórios de baixa densidade "os que mais sofrem com a falta de rede e os que mais vão beneficiar da intervenção".

O autarca apontou o exemplo do IC5, no sul do distrito de Bragança, onde se torna difícil manter uma chamada telefónica por muito tempo. Para João Gonçalves, esta falha "incomoda qualquer cidadão", mas tem impacto ainda maior em "empresários e profissionais que precisam de conectividade permanente". Por isso, defendeu que a chegada da fibra ótica "vai ser uma revolução" e poderá reforçar a competitividade e a atratividade do território.

João Gonçalves considera também que, com melhores ligações, o teletrabalho poderá tornar-se uma opção mais realista nos concelhos do Interior.

Rede disponível para todos os operadores

A DSTelecom ficará responsável pela construção da infraestrutura, mas não irá comercializar diretamente o serviço junto dos clientes finais. Ricardo Salgado, diretor-executivo da empresa, explicou que a rede será disponibilizada às operadoras de retalho e acrescentou que a solução permite levar "todos os operadores ao mesmo tempo" às zonas abrangidas, evitando que as populações fiquem dependentes de uma única empresa. A infraestrutura será preparada para suportar serviços acima de um gigabit por segundo.

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