Incentivo à aquisição de veículos elétricos: 10 milhões esgotados em poucas horas
Na quinta-feira, 11 de junho, às 16h30, o Governo deu início ao período de candidaturas ao incentivo à aquisição de veículos elétricos, com uma dotação total de 10 milhões de euros. Embora estivesse previsto que o concurso ficasse aberto até 27 de julho, bastaram algumas horas para que a verba disponível fosse totalmente consumida.
O Ministério do Ambiente indicou que a procura foi particularmente elevada logo no arranque: a tipologia destinada a veículos ligeiros de passageiros para pessoas singulares foi a primeira a ficar sem verbas, às 18h18, menos de duas horas depois de o portal ter aberto.
Como as categorias foram esgotando ao longo do dia
Depois do esgotamento dos ligeiros de passageiros para particulares, as restantes categorias seguiram o mesmo caminho num curto espaço de tempo. Os motociclos, ciclomotores, triciclos e quadriciclos esgotaram às 20h35. Pouco depois, às 20h49, deixaram igualmente de existir vagas para os carregadores de veículos elétricos em condomínio multifamiliares.
A última categoria a encerrar por falta de dotação foi a das bicicletas citadinas convencionais, que esgotou às 22h48, cerca de sete horas após a abertura do concurso.
“Abriu às 16h30 de quinta-feira e à noite já tinha esgotado. Esgotou em poucas horas os 10 milhões de euros. Havia várias categorias, a dos carros e bicicletas esgotaram em muito poucas horas”, anunciou aos jornalistas Maria da Graça Carvalho, ministra do ambiente e energia, durante uma cerimónia comemorativa dos 35 anos da Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão, em Tondela, distrito de Viseu.
A ministra referiu ainda que a dotação ficou comprometida ainda durante a noite de quinta-feira. “Isto mostra, por um lado, a apetência que as pessoas têm, a consciência que é preciso eletrificar, descarbonizar, não depender dos combustíveis fósseis, e isso é bom”, adicionou.
Novos incentivos?
Apesar da adesão registada, a governante explicou que, em princípio, não deverá existir margem para lançar um novo concurso ainda este ano.
Fundo Ambiental dividido entre várias prioridades
A razão apontada prende-se com a necessidade de gerir várias prioridades em simultâneo no Fundo Ambiental, que suporta tanto os apoios aos elétricos como a reparação de infraestruturas afetadas pelas tempestades de fevereiro, incluindo intervenções em rios, diques e zonas costeiras.
“Estamos a acudir a muitos eventos e alguns contraditórios. O Fundo Ambiental, que é quem financia os carros elétricos, está também a financiar parte das obras dos estragos ambientais nos rios, nos diques, em parte do litoral, que foram danificados com as tempestades”, argumentou.
Cenário no Médio Oriente e eventual reforço
A ministra acrescentou que a crise no Médio Oriente também tem pesado sobre este mesmo fundo, obrigando o Governo a utilizá-lo para apoiar áreas como o gasóleo, a botija de gás solidária, o transporte de mercadorias, os táxis e as ambulâncias dos bombeiros.
Segundo Maria da Graça Carvalho, esta acumulação de urgências está a limitar o financiamento dos projetos mais habituais do Fundo Ambiental, que ficam “prejudicados” enquanto a instabilidade geopolítica se mantiver.
Ainda assim, não excluiu a hipótese de reforçar os apoios aos elétricos caso a situação no Médio Oriente venha a normalizar e os preços dos combustíveis estabilizem ou desçam. Sem esse desenvolvimento, reconheceu ser pouco provável que volte a existir, este ano, financiamento disponível para este tipo de incentivo.
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