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Audi Q6 e-tron Sportback: mais apelativo, mas exige disciplina de ferro na configuração

Carro elétrico Audi Q5 e-tron branco, modelo SUV, exposto em showroom moderno com rodas e acessórios na parede.

O Audi Q6 e-tron ganha ainda mais charme na carroçaria Sportback, mas, ao configurá-lo, é preciso uma disciplina de ferro.


A primeira sensação que o Audi Q6 Sportback me deixa é a de um conjunto improvável de ideias reunidas no mesmo carro. Mantém a estatura típica de SUV, mas apresenta um perfil de coupé - e ainda por cima com barras longitudinais no tejadilho. A unidade do ensaio vinha, além disso, equipada com os opcionais certos para reforçar a veia desportiva, como as imponentes jantes de 21″. E, surpreendentemente, o resultado funciona.

Os “ombros” bem marcados dão-lhe a robustez que se exige e o traço não denuncia de imediato que estamos perante um elétrico, embora os sinais estejam lá: nada de saídas de escape, a singleframe (“grelha”) fechada e a inscrição “e-tron” nas portas traseiras.

Visto de perfil, a indicação e-tron na zona inferior das portas traseiras confirma o caráter 100% elétrico, tal como a ausência de escapes. Para mim, o conjunto fica mais conseguido do que no Q6 SUV: as novas proporções tornam a silhueta mais fluida e o aspeto menos banal. É um pouco estranho - mas resulta.

Bom ambiente a bordo

Ao sentar-me ao volante, tudo mantém aquele sentido de ordem típico da Audi: os comandos estão onde se espera e nada parece fora do sítio. A posição de condução é muito bem conseguida e o apoio lateral dos bancos mais desportivos - incluídos no pacote interior S line - faz com que sair do Q6 se torne mais difícil do que devia.

No painel da porta do condutor, já não moram apenas os botões dos vidros e do fecho das portas. Passaram também a estar ali os comandos das luzes, as memórias dos bancos dianteiros e a regulação dos retrovisores, que são gigantes e lembram dois tablets.

À frente, a instrumentação é integralmente digital e está integrada num painel curvo que se estende quase até ao lugar do passageiro. Em termos gráficos não há grandes diferenças face a outros Audi recentes, mas existe tanta informação disponível que faz sentido explorar os menus com o carro parado, sobretudo na primeira vez.

Ainda assim, há dois aspetos a assinalar pela positiva. Primeiro, os assistentes de condução têm uma página própria, onde se podem reunir até cinco favoritos. Segundo, o mapa da navegação (com Waze incluído) pode agora ser apresentado diretamente no painel de instrumentos, e não apenas no ecrã central.

O mesmo Audi Q6, mas em Sportback

Assim que se entra nos lugares traseiros do Q6 Sportback, percebe-se que a linha de tejadilho mais arqueada “roubou” alguns centímetros em comparação com o Audi Q6 e-tron SUV. Mesmo assim, a perda não chega para comprometer o espaço para a cabeça e, ainda menos, o espaço para as pernas, que continua francamente generoso.

A bagageira mantém boas dimensões, com 511 litros, e soma mais 64 litros na dianteira, no chamado frunk. Atrás, existe ainda um compartimento sob o piso capaz de guardar os cabos de carregamento e também o subwoofer do sistema de som montado na unidade testada.

O único reparo mais evidente está precisamente no acesso ao frunk. Continua a fazer-se como se ainda existisse um motor de combustão sob o capô. Não seria mais lógico ter uma solução mais prática, com abertura e fecho elétricos, em vez deste método mais antiquado?

Elétrico e divertido na mesma frase?

Em andamento, o silêncio do sistema elétrico continua longe de substituir o prazer de ouvir um desportivo a ganhar vida numa manhã fria. Mas há um pormenor nesta versão que a torna mais interessante: é um Audi de tração traseira - algo pouco comum na história da marca - e com uma resposta imediata ao acelerador.

No eixo posterior estão 225 kW (306 cv) e 485 Nm, com os 0–100 km/h a cumprirem-se em 6,6s. A velocidade máxima declarada, limitada eletronicamente, fica pelos 210 km/h.

É verdade que este Q6 Sportback pesa praticamente 2,3 toneladas. Ainda assim, arrisco dizer que é dos Audi mais prazerosos que já conduzi, apesar de ser 100% elétrico e bastante pesado. A dinâmica tem sido uma das áreas em que a marca de Ingolstadt mais evoluiu nos últimos anos - e este SUV familiar é uma prova clara disso.

Depois de deixar os miúdos no colégio e de ficar finalmente a sós com o carro, escolhi a rota “alternativa” para regressar, mais exigente do ponto de vista dinâmico.

Com o formato do Q6 Sportback, quase me apanhei a imaginar-me ao volante do Audi R8 elétrico que conduzi há uns anos - e que, infelizmente, nunca chegou a avançar para produção. Em curva, a estabilidade mete respeito face a muitos desportivos, a direção é rápida e precisa, e os limites de aderência superam o que se esperaria.

Além de os pneus opcionais (jantes de 21″ e pneus mais largos atrás) parecerem literalmente “colados” ao asfalto, não se pode esquecer que estão mais de 2,2 toneladas a deslocar-se.

Mesmo assim, quando puxei mais por ele, o Audi Q6 Sportback e-tron revelou-se sempre muito certo e previsível, com reações fáceis de ler e de controlar - e, volto a dizê-lo, realmente divertido de conduzir.

Consumos sofrem com as rodas maiores

Se parte do mérito da dinâmica mais apurada deste Q6 está nas rodas opcionais (imagem acima), elas também somam mais de 3000 euros à conta. E, do lado da eficiência, não ajudam.

Em condução normal, registei 18,5 kWh/100 km, quase 10% acima dos 17,1 kWh/100 km oficiais. Em autoestrada, ou a explorar a faceta mais dinâmica, sobe com facilidade para 22-23 kWh/100 km. Com as jantes de série (255/55 R20 nos dois eixos), torna-se mais simples aproximar-se dos valores oficiais, bem como dos mais de 600 km de autonomia anunciados.

O Audi Q6 e-tron Sportback é excelente, mas…

Chega o momento inevitável. Não é difícil antecipar o que se segue, por isso vale a pena ir direto ao ponto: sem extras, o preço base do Audi Q6 Sportback e-tron Performance é de 69 640 euros.

Mesmo no universo premium, há alternativas mais agressivas no preço, apesar de aqui existir uma bateria de 100 kWh, maior do que a de alguns rivais. O BMW iX3 40 custa menos cerca de 5000 euros, e embora tenha uma bateria mais pequena, de 86 kWh, anuncia uma autonomia ligeiramente superior: 628 km contra 616 km.

Só que o nosso Q6 Sportback e-tron tinha outro entrave: vinha carregado de opcionais. E os quase 70 mil euros saltaram para quase 95 mil euros.

É um valor simplesmente demasiado alto. Por isso, se estiver a considerar o Q6 Sportback e-tron, vai ter mesmo de aplicar uma disciplina de ferro ao navegar no configurador…

Veredito

Especificações técnicas

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