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A rápida proliferação de drones nos conflitos actuais continua a acelerar o desenvolvimento de tecnologias destinadas a detectar e neutralizar este tipo de ameaça. Neste enquadramento, a empresa israelita NETLINE Communications Technologies aproveitou a sua presença na Eurosatory 2026 para apresentar o seu portefólio de soluções Contra-UAS, com especial destaque para o SonicScan, um sistema de detecção acústica concebido para identificar drones de forma passiva, mesmo em ambientes complexos.
Em entrevista à Zona Militar, representantes da empresa referiram que o SonicScan surge para contornar algumas limitações típicas dos sistemas de detecção baseados em radar, sobretudo quando o alvo são drones pequenos, com baixa assinatura radar, ou quando as emissões electromagnéticas podem comprometer a posição das forças amigas.
Como funciona o SonicScan, o “radar” acústico passivo
“Chamamos-lhe um radar acústico porque nos dá a direcção da ameaça sem emitir qualquer sinal”, explicou o representante da NETLINE. Ao contrário de um radar convencional, este sistema não emite energia electromagnética: recorre antes a um conjunto de sensores acústicos e algoritmos baseados em inteligência artificial para identificar e classificar ameaças aéreas através da sua assinatura sonora.
De acordo com a empresa, o sistema integra uma matriz de 128 microfones capaz de captar as características acústicas de diferentes tipos de aeronaves não tripuladas. Os dados recolhidos são processados por algoritmos de inteligência artificial, que permitem distinguir drones de outros ruídos existentes no ambiente e, adicionalmente, indicar a direcção de aproximação.
Vantagens operacionais face a sensores activos
A NETLINE sublinhou que uma das principais vantagens desta tecnologia está, precisamente, no seu carácter passivo. “O radar tem as suas próprias limitações. É um sistema activo e, em combate, se transmite, o inimigo consegue localizá-lo. Com um sensor acústico é completamente passivo”, afirmaram.
Para a empresa, esta característica torna-se cada vez mais relevante à medida que os conflitos modernos evoluem para cenários progressivamente saturados de sensores e de sistemas de vigilância electrónica. Nesse sentido, indicaram existir um interesse crescente em tecnologias que assegurem a consciência situacional sem denunciarem a localização das forças amigas através de emissões electromagnéticas.
Concebido para enfrentar as ameaças observadas na Ucrânia
Um dos pontos mais enfatizados na apresentação foi a capacidade do SonicScan para detectar algumas ameaças que ganharam destaque na guerra na Ucrânia, em particular drones FPV usados para reconhecimento e ataque. Segundo a NETLINE, o sistema consegue detectar pequenos drones FPV a distâncias superiores a 1 quilómetro, oferecendo um tempo de aviso valioso para a adopção de medidas defensivas. “Detectamos pequenos drones FPV a mais de um quilómetro de distância”, salientou o representante da empresa.
Do mesmo modo, a empresa indicou que o sistema também é eficaz contra drones guiados por fibra óptica, uma ameaça que se tornou mais conhecida nos últimos anos devido à sua imunidade face aos sistemas tradicionais de interferência electrónica. Conforme explicaram, estes drones tendem a produzir uma assinatura acústica ainda mais evidente, por causa do peso adicional associado ao carretel de fibra óptica. “Os drones guiados por fibra óptica detectamo-los a uma distância ainda maior porque também têm de transportar o cabo e os motores trabalham mais”, referiram.
A NETLINE sustenta que estas capacidades tornam o SonicScan particularmente útil como complemento a outros sistemas de vigilância, acrescentando uma camada extra de detecção contra ameaças difíceis de identificar por sensores convencionais.
Uma arquitectura integrada de defesa anti-drone
Para além do SonicScan, a NETLINE apresentou na Eurosatory outras soluções orientadas para formar uma arquitectura integral de defesa anti-drone. Entre as propostas destacaram-se:
- Duo-Guard Manpack e Duo-Guard Vehicular, concebidos para neutralizar ameaças através de guerra electrónica;
- o sistema portátil C-Block Micro;
- a plataforma de comando e controlo GeoDome.
Segundo a empresa, a tendência actual aponta para a integração de sensores, efectores e ferramentas de gestão do espectro electromagnético numa única arquitectura operacional. “Tudo está a ser combinado num único sistema. O objectivo é integrar detecção, protecção, consciência situacional e conectividade”, explicaram. Esta visão responde à crescente complexidade do ambiente operacional, onde a defesa contra drones exige combinar capacidades de detecção precoce, identificação, seguimento e neutralização em prazos cada vez mais curtos.
Neste contexto, a NETLINE considera que as soluções passivas continuarão a ganhar destaque no mercado Contra-UAS. “Há um interesse crescente em sistemas passivos”, concluíram os representantes da empresa, apontando uma tendência impulsionada tanto pelas lições recolhidas em conflitos recentes como pela necessidade de operar em ambientes electromagnéticos cada vez mais disputados.
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