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Arbitragem portuguesa: o problema começa na formação

Árbitro mostra cartão vermelho a jogador durante jogo de futebol juvenil num campo relvado.

A discussão no topo da pirâmide

Quando se fala de arbitragem, é habitual olhar-se apenas para o cimo da pirâmide: debater a profissionalização, o videoárbitro e procurar fórmulas para reduzir as polémicas - o “sal e pimenta” de que muitos dizem querer prescindir no futebol. Só que a questão é bem mais funda e está concentrada na base de todo o processo, nem sempre recebendo a reflexão necessária de quem tem de tomar decisões cirúrgicas, quase sempre a pensar apenas nos campeonatos profissionais e a empurrar para segundo plano as competições acessórias.

Arbitragem portuguesa: a raiz está na formação e na retenção

O problema da arbitragem está profundamente ligado à formação, sobretudo à dificuldade em reter jovens árbitros. É preciso criar condições para que possam construir um percurso sustentado, com margem para crescer, aprender com os erros e sentir que o caminho é feito em ambiente favorável. No arranque da carreira, um jovem ganha muito pouco, mas esse pode até nem ser o maior dos males, se se considerar que ficará exposto a insultos e poderá mesmo ser alvo de agressões - por vezes cometidas pelos próprios pais dos jogadores - em recintos onde a presença de policiamento não é obrigatória.

Condições de base e combate à violência

Quem quiser dar os primeiros passos tem de conseguir contrariar as dificuldades desta selva e ter robustez psicológica para singrar num setor altamente escrutinado e sujeito a muitas apreciações lamentáveis por parte de presidentes e treinadores. Estes olham, vezes demais, para os árbitros como alvos fáceis, até para encontrarem justificações para derrotas e más exibições. A responsabilidade de quem manda é criar condições desde a base para aumentar o número de árbitros e concentrar o foco na redução dos casos de violência. Caso contrário, a arbitragem portuguesa nunca dará o salto que todos desejam.


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