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Reino Unido vai entregar 150 mil drones à Ucrânia num pacote de 750 milhões de libras

Três soldados em uniforme camuflado junto a mesa com mapas e laptops, com vários drones alinhados numa pista.

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Após um dos ataques mais significativos contra Moscovo desde o início da guerra, o Reino Unido anunciou que irá fornecer 150 mil novos drones às Forças Armadas da Ucrânia, com entrega prevista antes do final do ano em curso. Esta medida integra um pacote delineado por Londres com um valor superior a 750 milhões de libras, que inclui igualmente um lote de 350 mísseis e radares de defesa aérea, financiado através de um empréstimo do Extraordinary Revenue Acceleration (ERA).

Reino Unido e o pacote de 750 milhões de libras: 150 mil drones, mísseis e radares

Sobre o anúncio, o novo secretário da Defesa britânico, Dan Jarvis, declarou recentemente: “Durante 75 anos, a OTAN tem sido a pedra angular da segurança do Reino Unido. As minhas prioridades são reforçar a dissuasão e a defesa da aliança, e continuar a apoiar a Ucrânia na sua defesa contra a brutal guerra de agressão da Rússia. Este pacote de drones, mísseis de defesa aérea e radares ajudará a proteger o povo ucraniano inocente do bombardeamento de drones e mísseis de Putin, e é uma honra dar as boas-vindas ao presidente Zelensky a esta importante reunião (NdE: do Ukraine Defence Contact Group).

Encontro com Zelensky e reforço da pressão sobre a “frota na sombra”

No que toca à reunião referida, Jarvis teve a oportunidade de se encontrar com o presidente ucraniano, num encontro que serviu para ouvir directamente as necessidades do país e reiterar, mais uma vez, o apoio britânico. De forma concreta, o comunicado oficial do Governo do Reino Unido indica que será intensificada a pressão diplomática sobre a Rússia, as sanções económicas e as operações destinadas a travar as actividades da chamada “frota na sombra” usada por Moscovo para contornar essas mesmas sanções.

Durante a reunião, ficou ainda confirmado que o Reino Unido assumirá o comando do Quartel-General da Força Multinacional para a Ucrânia (MNF-U), algo que será viabilizado com a nomeação do major-general Tom Bateman, que tomará posse no próximo mês. Trata-se de uma equipa multinacional composta por vários parceiros de Kiev, cujo propósito central passa por trabalhar naquilo que, no futuro, poderá ser a regeneração das Forças Armadas da Ucrânia após um eventual acordo de paz.

Ataque ucraniano recente a Moscovo

Retomando o ataque ucraniano a Moscovo mencionado no início, os relatos actualmente disponíveis indicam o emprego de centenas de drones e de mísseis de longo alcance contra diversos alvos, sobretudo ligados à infra-estrutura petrolífera russa. Num registo irónico, o presidente Zelensky descreveu a operação como “sanções de longo alcance” aplicadas pelas suas Forças Armadas, numa resposta ao ataque relevante levado a cabo pela Rússia sobre Kiev na semana anterior - um ataque que se destacou por ter danificado um local de grande importância para o cristianismo ortodoxo do país.

De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia e com o governador Andrei Vorobiov, as acções terão resultado em cerca de 17 feridos e em várias dezenas de drones intercetados pelas defesas antiaéreas da cidade. Ainda assim, perto de 200 sistemas não tripulados terão conseguido atingir os seus alvos na zona da capital russa, algo registado por residentes em imagens e vídeos onde se observam grandes colunas de fumo provocadas pelos impactos.

Entre os principais alvos surge a refinaria de Kapotnya, localizada a sudeste de Moscovo e já visada em operações anteriores ao longo do mês. O padrão encaixa na estratégia ucraniana mais recente, que procura afectar a economia de guerra russa, empurrando o conflito para uma nova fase que vai além da defesa das suas próprias cidades, como vinha acontecendo até aqui. Em alguns dos vídeos divulgados é possível ver a explosão de um tanque de armazenamento de petróleo, cuja tampa foi projectada a vários metros do local original. Para além disso, foram reportados incêndios num centro comercial nas proximidades e a suspensão de todas as actividades nos aeroportos da cidade.

Antecedentes das entregas de drones do Reino Unido à Ucrânia

Perante este contexto, importa sublinhar que o Reino Unido se consolidou como um dos principais fornecedores de drones à Ucrânia, existindo diversos antecedentes que o demonstram. Segue-se uma breve revisão de alguns acontecimentos registados nos últimos dois anos e meio de conflito.

Em Fevereiro de 2024, noticiámos que o Reino Unido chegou a um acordo com a Letónia para criar uma coligação internacional destinada a desenvolver e ampliar as capacidades não tripuladas da Ucrânia, tendo como meta de longo prazo a incorporação de até um milhão de novos exemplares. Na altura, a iniciativa foi saudada pelo então secretário da Defesa britânico, Grant Shapps, e pelo seu homólogo letão, Andris Sprūds. Este último demitiu-se recentemente, após um incidente com um drone russo que entrou no espaço aéreo do seu país e a subsequente turbulência política, provocada pelo que foi entendido como uma resposta ineficaz do Governo - agitação que acabou por atingir a coligação no poder.

Já em Janeiro de 2025, também informámos que esta coligação estava pronta para avançar com o envio de mais de 30.000 drones para a Ucrânia, na sequência da assinatura de contratos de até 45 milhões de libras, financiados por Reino Unido, Dinamarca, Países Baixos, Letónia e Suécia. Com o então secretário John Healey à frente da pasta da Defesa, o Governo britânico indicava que o pacote contemplava um número expressivo de modelos FPV, os quais causaram danos relevantes aos blindados russos destacados para território ucraniano. Isto aplica-se tanto a plataformas mais antigas, como os T-72, como a modelos mais modernos, como os T-90.

Já mais recentemente, o Reino Unido anunciou ainda a inauguração de uma nova fábrica de produção de drones para as Forças Armadas da Ucrânia na região de East Anglia, tratando-se de instalações da empresa Ukrspecsystems, nas quais foram investidas mais de 200 milhões de libras. Segundo o Ministério da Defesa britânico, só com os drones produzidos pela empresa até então, as forças ucranianas teriam conseguido infligir danos até 3.000 milhões de dólares às suas contrapartes russas.

Imagens utilizadas a título ilustrativo

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