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Estados Unidos terão pressionado Maria Corina Machado a não regressar à Venezuela após sismos

Mulher com mala e passaporte acena numa janela do aeroporto com vista para pista e montanhas ao fundo.

Pressões de Washington sobre Maria Corina Machado

Os Estados Unidos terão instado a líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, a não voltar à Venezuela após dois sismos devastadores, por recearem o desencadear de uma nova crise política, avançou esta sexta-feira o jornal "The Wall Street Journal".

Segundo o diário, que citou fontes familiarizadas com o processo, um avião privado que levava Machado dos Estados Unidos para Curaçau foi obrigado a regressar na semana passada depois de as autoridades norte-americanas terem concluído que a opositora tencionava atravessar para território venezuelano, repetindo o trajecto usado quando saiu do país, em dezembro.

De acordo com a publicação, Machado vinha a preparar há vários meses o seu regresso à Venezuela para voltar a intensificar a pressão por novas eleições, na sequência da captura do ex-presidente Nicolás Maduro.

Na quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as relações entre Washington e o Governo da presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, "são excelentes".

O "Wall Street Journal" acrescentou que interlocutores próximos da Casa Branca terão alertado Machado de que regressar à Venezuela poderia pôr em risco o apoio político de Trump e fragilizar a estratégia norte-americana para o país, atrasando o calendário do processo eleitoral.

Tentativas de regresso e bloqueios de viagem

Ainda segundo o jornal, a dirigente da oposição tentou depois entrar pela via do Panamá, mas a companhia aérea Copa Airlines terá recusado transportá-la para a Venezuela por recear represálias por parte das autoridades de Caracas.

Na segunda-feira, a partir da Cidade do Panamá, Machado acusou o Governo venezuelano de ter fechado o espaço aéreo comercial com o objectivo de impedir o seu regresso e sustentou "ser imperativo" voltar ao país para lidar com as consequências dos sismos, sem aludir a eventuais pressões vindas de Washington.

Reacções e declarações após os sismos

Já esta sexta-feira, a líder da oposição venezuelana no exílio afirmou que o seu regresso à Venezuela ajudaria a garantir a estabilidade política de que o país precisa depois dos dois sismos, que provocaram mais de 2500 mortos, milhares de feridos e graves danos materiais, de acordo com números oficiais.

"Estou absolutamente convencida de que a minha presença contribui para facilitar o progresso de um processo de transição. E tanto mais depois da tragédia de 24 de junho, a minha presença traz estabilidade e faz parte da força organizadora de que o país necessita", declarou Machado numa videoconferência com jornalistas.

O portal de notícias Axios, também citado pelo jornal, indicou que responsáveis da administração norte-americana consideraram a tentativa de regresso de Machado um "ato grotesco de oportunismo político", num momento em que a Venezuela enfrenta as consequências dos sismos.

Entretanto, organizações da oposição venezuelana sediadas nos Estados Unidos pediram a Trump que reavaliasse a relação com Delcy Rodríguez e criticaram Washington por manifestar satisfação com os trabalhos de reconstrução em curso após a catástrofe.

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