Comerciantes e residentes das ruas de Costa Cabral e da Constituição confirmam que as infrações são recorrentes.
Multas e estacionamento indevido na Costa Cabral e na Constituição
As ruas de Costa Cabral e da Constituição contam-se entre as vias do Porto onde são aplicadas mais coimas por estacionamento indevido. Quem trabalha e vive nesta área garante que os abusos acontecem todos os dias e que o impacto se sente no dia a dia. Entre as soluções sugeridas para travar o problema, surgem o reforço de parques e de lugares disponíveis ou, no limite, a restrição - ou mesmo proibição - de circulação automóvel no centro da cidade.
Basta caminhar alguns metros nestas artérias, sobretudo na zona próxima da Praça do Marquês, para se encontrarem exemplos de incumprimento. Veículos deixados em cima do passeio, mal parados em zonas de cargas e descargas ou colocados em segunda fila repetem-se com frequência, e os efeitos fazem-se notar em quem ali circula.
"As pessoas param em todo o lado. Largam os carros e não querem saber de mais nada. Isto complica muito o trânsito, só porque os condutores não querem andar mais um bocadinho e preferem parar em frente aos locais onde têm de ir", contou, ao JN, Maria José Vasconcelos, funcionária da Sapataria Jónia, na Rua de Costa Cabral.
Demasiados carros
A presença de escolas, academias de música e clubes desportivos nesta artéria contribui para agravar a situação, sobretudo nas horas de maior movimento. Cada paragem para deixar ou recolher crianças obriga frequentemente os restantes condutores a contornar carros imobilizados na via para conseguirem prosseguir.
Para quem lida com as consequências do estacionamento irregular, o volume de viaturas em circulação é outro fator determinante. António Martins, um dos responsáveis do quiosque Lacinho, na Rua da Constituição, considera que este cenário traduz um problema mais amplo da cidade.
"Há demasiados carros na rua. Uma boa forma para controlar o problema era impedir a circulação, como se faz noutras cidades europeias. Em Estocolmo (Suécia) ou em Amesterdão (Países Baixos), os centros não são ocupados por viaturas. São só para cargas e descargas ou para os moradores ao fim do dia", partilhou António Martins, que vive no Porto há 71 anos.
Na perspetiva do comerciante, a escassez de estacionamento empurra muitas pessoas para locais proibidos. Ainda assim, aponta uma alternativa: "Se as pessoas usassem mais o transporte público era melhor, em vez de andarem todas de carros a gastar gasolina. Mais valia criar corredores bus pela Rua da Constituição para privilegiar verdadeiramente este meio de transporte", sugeriu António Martins.
A pagar
Já na Praça do Marquês, José Rodrigues concorda com António quanto à falta de lugares para quem conduz. "As ruas têm todas estacionamento a pagar. Onde é que as pessoas vão deixar o carro? Se tiverem tempo procuram outro lugar, se não, deixam em qualquer lado", refere o reformado, de 76 anos.
Zonas críticas: Praça do Marquês e envolvente do Hospital de S. João
O cenário intensifica-se em locais com grande afluência, como acontece, por exemplo, na Alameda do Professor Hernâni Monteiro, onde se situa o Hospital de S. João. Na área circundante à unidade de saúde está também o polo universitário da Asprela, com milhares de estudantes, e qualquer pequeno espaço acaba por ser usado para estacionar, mesmo em desrespeito pela sinalização.
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