Os combustíveis continuam a subir e conduzir está cada vez mais dispendioso. Por isso, qualquer sugestão que ajude a poupar combustível é bem-vinda, até porque esta é uma despesa que, ao longo do tempo, pesa (e muito) no orçamento.
Algumas destas ideias são evidentes, outras nem tanto. Umas aplicam-se num instante; outras implicam alguma atenção extra - ou até meter as mãos à obra. Em comum, todas contribuem para reduções reais no consumo. Vamos a isso.
“Jogar” por antecipação
Nunca fui um ás a Física, mas há princípios fáceis de entender: pôr um corpo em movimento e vencer a inércia exige um gasto de energia elevado. Assim, quanto mais cedo antecipares que vais ter de travar, mais depressa consegues aliviar o acelerador.
Basta olhar para o trânsito: há sempre quem acelere em demasia para, inevitavelmente, travar 100 m à frente. O resultado é previsível - queimam mais combustível para acabarem parados no mesmo sítio, durante o mesmo tempo que toda a gente.
Quando lês bem a estrada e o que se passa à tua frente, é mais fácil manter uma velocidade estável - e isso traduz-se em poupança.
Na prática, ajuda muito planear a aproximação a cruzamentos para não travares em excesso, aproveitar descidas para ganhar embalo e começar a desacelerar assim que percebes que vais ter de parar ou abrandar (por exemplo, em portagens ou na saída da autoestrada).
Pressão dos pneus
Sim, é mesmo importante. Quando foi a última vez que confirmaste a pressão dos pneus? Rever este ponto com regularidade é dos hábitos mais esquecidos pelos condutores e, ao mesmo tempo, um dos que mais facilmente ajuda a poupar combustível.
Circular com pressão abaixo do recomendado pelo fabricante aumenta o consumo e piora o desempenho, porque cresce o atrito entre o pneu e o asfalto. Em termos simples: precisas de mais energia para fazer o mesmo percurso. Além disso, reduz a durabilidade do pneu e compromete a segurança.
Para acertares, consulta o manual do utilizador. Em muitos modelos, essa indicação também aparece na tampa do combustível ou no interior da porta do condutor.
Antes de viagens longas - e sobretudo se fores com o carro mais carregado - também deves aumentar a pressão conforme a informação específica para o teu veículo.
Regime ideal
Usa a caixa de velocidades e o conta-rotações como aliados contra o consumo. Em motores a gasolina, a zona mais eficiente costuma estar entre as 2500 rpm e as 3500 rpm (por vezes um pouco abaixo nos motores turbo). Nos Diesel, o intervalo habitual situa-se entre as 2000 rpm e as 3000 rpm. É dentro destas rotações que, regra geral, a relação entre rendimento mecânico e consumo tende a ser mais favorável.
Levar o conta-rotações até perto do limite raramente traz vantagens e pode mesmo duplicar ou triplicar o consumo instantâneo.
Evitar percursos pequenos
Sempre que der, evita usar o carro para distâncias muito curtas. Em trajetos pequenos, o motor e o catalisador não conseguem atingir a temperatura ideal de funcionamento. O óleo, por exemplo, permanece mais frio e mais viscoso, o que aumenta o atrito interno e obriga o motor a trabalhar mais. Quanto ao catalisador, também é menos eficaz enquanto não aquece.
Há ainda o tema do filtro de partículas: em deslocações curtas, o sistema pode não chegar a fazer a regeneração, já que este processo normalmente só acontece quando os fluidos e componentes atingem a temperatura correta e a uma determinada velocidade. Se a regeneração começar num percurso curto, pode ficar interrompida a meio - e isso não é recomendável.
Com o tempo, o filtro tende a entupir mais, aumenta a contrapressão no escape e o motor passa a esforçar-se adicionalmente, elevando os consumos.
Se a distância for mesmo pequena, pondera ir a pé - a tua carteira agradece.
Relação de caixa correta
Usar bem a caixa de velocidades é outro fator determinante no consumo. Mas como perceber qual é a mudança certa? Regra geral, é a mudança mais alta possível para as condições de circulação, desde que o motor não comece a bater nem pareça que está a “morrer”.
Muitos carros atuais já sugerem a relação ideal no painel de instrumentos. Na maioria das situações, compensa estares atento e seguires essas indicações para poupar combustível.
No dia a dia, este simples cuidado pode traduzir-se em poupanças significativas.
Poupar o acelerador
A maneira como usas o acelerador tem impacto direto na rapidez com que o ponteiro do combustível desce. Quanto mais moderada for a carga no pedal, menor tende a ser o consumo instantâneo. Se tratares o pedal da direita com suavidade, a diferença vai notar-se no fim do mês.
Peso desnecessário
Levas no carro coisas que não servem para nada? É fácil ir acumulando tralha com a ideia de que “um dia pode dar jeito”. Só que cada quilo extra é lastro: obriga o motor a um esforço adicional. Ok, por si só pode não parecer enorme - e depende do peso em causa -, mas ao multiplicares isto por anos e por dezenas de milhares de quilómetros, o valor final pode tornar-se relevante.
Conheço quem tenha um pouco de tudo na bagageira. Se juntassem tudo o que lá anda e colocassem numa balança, talvez se convencessem de que esta medida ainda dá para poupar alguns euros.
Manutenção
Há quanto tempo não verificas o alinhamento da direção? E o óleo - não estará já na hora de trocar? E o filtro de ar, em que estado está? Tudo isto influencia o consumo, embora o filtro de ar ganhe especial importância em carros que andem muitas vezes em estradas de terra com pó, onde a obstrução acontece com mais facilidade.
Com manutenção feita a tempo e horas, ainda consegues ir buscar mais alguma economia e poupar combustível.
Vidros e climatização
Andar com os vidros abertos, sobretudo em autoestrada, tende a aumentar os consumos. E se, além disso, fores com os vidros abertos e a climatização ligada, o desperdício é ainda maior.
Atualmente, a climatização automática é muito comum. Antes de ligares o ar condicionado (ou mesmo a ventilação), avalia se é mesmo necessário. Estar em modo automático não significa que não exista consumo extra.
Start/Stop
Não: o Start/Stop não estraga nem reduz a vida útil de componentes do carro. Por isso, deixa de ser “velho do Restelo” e usa o sistema. Em cidade, pode ajudar-te a poupar combustível. Acredita!
Este sistema foi desenvolvido e testado durante anos, e já se provou que funciona. Hoje, está presente em praticamente todos os automóveis.
Mais uns trocos
Se, além de tudo o que foi dito, tiveres o hábito de reduzir a velocidade em 10 km/h em auto estrada - por exemplo, em vez de 130 km/h, circula a 120 km/h - e evitares barras de tejadilho quando não são necessárias, ainda consegues poupar alguns litros e… mais uns trocos.
E atenção! Circular com o carro em ponto morto, quando numa descida mais acentuada, não consome menos combustível do que com uma relação engrenada. Só com uma mudança engrenada é que o sistema corta a injeção de combustível em desaceleração. A única exceção são os carros com carburadores. Não é o teu caso pois não? Então esquece o ponto morto.
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