Depois de EUA e Irão terem assinado um memorando que viabilizou a reabertura do Estreito de Ormuz, a cotação do petróleo reagiu de imediato: o preço do barril recuou para abaixo dos 80 dólares. Esse movimento deverá refletir-se de forma significativa no custo dos combustíveis já na próxima semana.
Quedas previstas nos preços dos combustíveis em Portugal
Na segunda-feira, 22 de junho, o gasóleo simples deverá baixar 12 cêntimos por litro, enquanto a gasolina simples poderá descer seis cêntimos, segundo fontes do setor. Com esta revisão, o preço médio do gasóleo simples poderá cair para 1,735 €/l. No caso da gasolina simples, o valor médio deverá ficar nos 1,858 euros por litro.
Ainda assim, estes montantes permanecem acima dos níveis registados antes do início do conflito: 1,635 euros por litro no gasóleo simples e 1,705 euros por litro na gasolina simples (data de referência: 6 de março de 2026).
Como são apurados os valores médios (DGEG)
A estimativa do preço dos combustíveis é feita com base nos dados divulgados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) - neste caso, os relativos a quinta-feira, 18 de junho. Os números publicados pela DGEG já contemplam os descontos praticados pelas gasolineiras e também as medidas do Governo atualmente em vigor.
Importa, no entanto, sublinhar que estes não correspondem necessariamente aos preços que encontrará nos postos de abastecimento. Tratam-se de médias com caráter indicativo, uma vez que os revendedores podem definir preços de acordo com a sua própria estratégia.
As medidas em vigor
Com o início do conflito no Médio Oriente e a consequente subida dos combustíveis, o Governo agravou o desconto extraordinário aplicado ao ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos).
No início desta semana, perante a descida entretanto observada, o Executivo reduziu o desconto aplicado ao gasóleo simples para 4,34 cêntimos. Já na gasolina simples, o valor baixou para 4,12 cêntimos por litro.
Apesar de ainda não ter sido publicada a nova portaria para a próxima semana, antecipa-se a eliminação total do desconto associado ao conflito no Médio Oriente. Assim, a descida acentuada agora prevista poderá ser significativamente atenuada. Recorde-se que esta medida excecional tinha validade prevista apenas até ao final deste mês.
Esta redução extraordinária do ISP soma-se à que está em vigor desde 2022, criada para amortecer o impacto da escalada dos preços após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Esse mecanismo reduziu parcialmente o imposto aplicado à gasolina e ao gasóleo e tem sido revisto de forma gradual, acompanhando a evolução das cotações.
Recorde-se ainda que a subida dos combustíveis em Portugal e na Europa está diretamente relacionada com o conflito no Médio Oriente, que levou ao encerramento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento do petróleo do Golfo Pérsico. Cerca de 20% do comércio mundial de crude passa por este corredor.
O mercado petrolífero atravessa um período de elevada volatilidade. Antes do início do conflito, o barril de Brent (referência para os mercados europeus) encontrava-se nos 72 dólares; com o agravamento das hostilidades, chegou a ultrapassar os 110 dólares.
À data de publicação deste artigo, com um entendimento entre EUA e Irão em perspetiva, o barril situava-se nos 79 dólares.
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