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Nova Volkswagen Amarok: o que muda na segunda geração feita com a Ford Ranger

Pick-up Volkswagen Amarok II branca estacionada num espaço interior moderno e luminoso.

As expectativas em torno da nova geração da Volkswagen Amarok são elevadas. O fabricante alemão trabalhou em conjunto com a Ford ao longo dos últimos três anos num projecto que, em paralelo, também deu origem à nova Ford Ranger, já apresentada.

Enquanto a anterior Amarok ainda seguia a sair da linha de montagem na Argentina, a produção da pick-up em Hanover (Alemanha) já era, há muito, um capítulo fechado. A unidade teve de ser adaptada para fabricar o eléctrico ID.Buzz, cuja produção arrancou esta semana.

Desta forma, a próxima Amarok passará a chegar da África do Sul, onde será montada lado a lado com a Ford Ranger, destinada à Europa, Médio Oriente e Oceania. Já na América Latina, de forma curiosa, a primeira Amarok continuará a ser produzida na Argentina, embora numa versão actualizada.

Lars Krause, membro do conselho responsável pelas vendas na Volkswagen Veículos Comerciais, reconhece sem reservas o peso do parceiro no desenvolvimento da nova pick-up: “é evidente que sem um parceiro de cooperação não teria havido uma nova geração da Amarok. E também é verdade que nos sentimos um pouco orgulhosos por a nossa pick-up anterior ter sido a referência no desenvolvimento da nova Ranger para os nossos colegas da Ford, além de que isso significa que as duas marcas dão importância aos mesmos atributos”.

Apesar de serem muito distintas à vista, a nova Ford Ranger e a próxima Volkswagen Amarok partilham grande proximidade técnica. A Ranger já se encontra bem implantada em todos os mercados onde é comercializada - é a pick-up n.º1 na Europa - e a segunda geração da Amarok terá a estreia mundial no início de julho, devendo ser entregue aos primeiros clientes europeus antes do final do ano.

A primeira geração foi um verdadeiro êxito para a Volkswagen - com mais de 830 mil unidades vendidas desde 2010 -, mesmo enfrentando custos de produção elevados nas fábricas de General Pacheco (Argentina) e Hanover (Alemanha).

Nem só de trabalho vive a Amarok

“Queremos atrair clientes profissionais e particulares”, garante Lars Krause, demarcando-se de muitos responsáveis do sector que vêem este cruzamento entre todo-o-terreno e veículo de transporte de mercadorias, com caixa aberta, sobretudo como ferramenta de serviço para jardineiros e paisagistas ou para empresas de construção.

A maior parte dos ensaios da nova Amarok decorreu na África do Sul - por ser aí que a pick-up é fabricada, mas também porque foi nesse país que se realizou uma parte relevante do seu desenvolvimento. Ainda assim, houve, naturalmente, outros locais no mundo a receberem testes dinâmicos, até porque a Amarok é comercializada em vários continentes.

Esse contexto permitiu observar um protótipo de testes praticamente final, que passou pela Alemanha (juntamente com mais três unidades). “As peças comuns na carroçaria dos dois modelos são muito poucas - espelhos retrovisores, tejadilho e o óculo traseiro - o resto é completamente independente e foi criado pela nossa equipa de design”, detalha Lars Krause.

Do lado do design, Albert-Johann Kirzinger, director de estilo da Volkswagen Veículos Comerciais, defende que “a nova Amarok se destaca pela secção dianteira muito marcante e que o seu design em X enfatiza a sua pretensão de liderança”.

Diesel de início, mas elétrico também caminho

A oferta mecânica mantém-se próxima da do modelo anterior. Em grande parte dos países haverá motores Diesel de quatro cilindros 2,0 l e V6 3,0 l - com potências esperadas entre 180 cv e 240 cv - associados a caixas manuais e automáticas. No médio prazo, porém, Ford e Volkswagen deverão avançar com uma variante totalmente eléctrica.

Nos mercados onde o preço tem um peso decisivo, também será possível optar por uma versão a gasolina com caixa manual de cinco velocidades e cabina simples - embora a maioria das novas Amarok venha, sobretudo, com cabina dupla. É igualmente por isso que as variantes de entrada mantêm travão de mão manual, enquanto as versões superiores passam a contar com um sistema eléctrico.

Consoante o motor, a nova Amarok poderá ser encomendada com tracção traseira, 4×4 conectável (em andamento) e 4×4 permanente. A capacidade de carga atinge 1,2 toneladas (acima de quase todos os rivais) e a capacidade de reboque chega às 3,5 toneladas.

Muito mais espaço interior

Face à antecessora, a nova pick-up, com 5,35 m de comprimento, cresce 10 cm em comprimento, 9 cm em largura (1,86 m) e ainda 5 cm em altura (1,88 m). A maior evolução, contudo, acontece na distância entre eixos, que aumenta 17,5 cm, fixando-se em 3,27 m.

Na caixa de carga, os olhais de amarração suportam 500 kg, e o tejadilho admite uma carga generosa de 350 kg.

Apesar do aspecto exterior robusto, no interior a nova Volkswagen Amarok revela-se bastante acolhedora, de acordo com o que foi possível observar num dos protótipos.

Os bancos mostram-se confortáveis, há espaço suficiente para até cinco ocupantes, e as versões mais equipadas incluem dois ecrãs digitais - um dedicado à instrumentação e outro, central e vertical, para o infoentretenimento - além de regulação eléctrica nos bancos dianteiros.

Se o cliente o desejar, há ainda um sistema áudio potente da Harman Kardon. Não surpreende, já que este tipo de veículo - no passado descrito como «um burro de carga sobre rodas» - passou a procurar um posicionamento mais ligado ao estilo de vida.

Dependendo do país, poderão existir até cinco níveis de equipamento/acabamento: Amarok, Life, Style, Panamericana (orientada para 4×4) e Aventura (de perfil mais urbano).

Expectativas

Na Volkswagen Veículos Comerciais, a chegada da Amarok II é encarada com especial ansiedade, por poder contribuir para a recuperação económica da empresa, juntamente com o arranque das vendas do eléctrico ID. Buzz - que já começou a chegar aos concessionários na Europa.

Em 2020, a Volkswagen Veículos Comerciais registou prejuízos de 454 milhões de euros e o plano de recuperação apontava 2022 como o ano do regresso aos lucros, mas esse objectivo foi atingido um ano mais cedo. Em 2021, as vendas totalizaram 360 000 veículos em todo o mundo e a marca obteve um pequeno lucro de 73 milhões de euros (numa faturação de 500 mil milhões de euros).

Com a entrada dos novos modelos no mercado, o optimismo reforça-se, ao mesmo tempo que a empresa se posiciona para os próximos anos, como sublinha o presidente Carsten Indra: “em 2030, mais de metade dos Volkswagen comerciais serão 100% elétricos”.

Quando chega?

Em Portugal, as últimas unidades da primeira Volkswagen Amarok foram entregues a 31 de maio ao Instituto de Socorros a Náufragos, para patrulhar as praias não vigiadas ao longo da nossa costa.

A nova geração deverá chegar no primeiro trimestre de 2023, com um detalhe particular: o primeiro exemplar a desembarcar será o número 3000, uma vez que em Portugal foram vendidas exactamente 2999 unidades da primeira geração.


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