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Nissan X-Trail e-Power: um híbrido diferente

SUV branco Nissan X-Trail epower estacionado em exposição automóvel interior.
O Nissan X-Trail prova que existem várias formas de eletrificar um automóvel.

O novo Nissan X-Trail é comercializado no nosso mercado exclusivamente com motorização híbrida (a variante de híbrido ligeiro não está, para já, disponível), mas a solução adotada foge ao que é habitual entre os rivais.

A diferença começa logo na arquitetura do sistema híbrido, chamado e-Power e introduzido no Qashqai - modelo que o Miguel Dias já ensaiou. Aqui, o motor de combustão não está ligado ao eixo que move o automóvel. Na prática, é o(s) motor(es) elétrico(s) que asseguram a tração do X-Trail.

Assim, o motor térmico funciona apenas como gerador para carregar a bateria. E, neste caso específico, essa bateria alimenta dois motores elétricos, um por eixo.

Com esta abordagem, a Nissan procura entregar o «melhor de dois mundos»: a simplicidade de utilização de um automóvel a combustão, combinada com a suavidade de funcionamento típica de um elétrico.

Ainda assim, a teoria nem sempre se traduz de forma perfeita na estrada. O que levanta a questão: fará sentido escolher um «caminho» alternativo?

Mais do que um Qashqai em tamanho grande

Na geração anterior, o X-Trail parecia sobretudo o «irmão mais velho do Qashqai». Já este novo SUV está longe de ser apenas uma versão alongada do modelo mais vendido da Nissan.

Do ponto de vista estético continuam a existir pontos de contacto entre os dois, mas isso explica-se sobretudo pela nova linguagem de design da marca, e não por uma simples «colagem» ao Qashqai. No final, o X-Trail mantém identidade própria.

No interior houve uma (r)evolução

Ao entrar no X-Trail, a separação face ao Qashqai torna-se ainda mais clara - e é difícil não ficar surpreendido com o salto dado em relação ao antecessor.

O habitáculo surge muito mais atual e convidativo do que antes, quer no desenho, quer na perceção de qualidade. Os materiais, além disso, revelam-se mais agradáveis ao toque.

De resto, neste capítulo, o X-Trail passou a posicionar-se entre as referências do segmento, confirmando a evolução da Nissan nesta área - algo que já se vinha a notar em propostas como o Qashqai ou o Ariya.

O mais positivo é que a modernização não sacrificou a ergonomia. A Nissan preservou comandos físicos para funções como a climatização e o volume do áudio, demonstrando que é possível ter um interior com aspeto moderno sem comprometer a facilidade de utilização.

Também o sistema de infoentretenimento se mostrou rápido e completo, e a compatibilidade sem fios com Apple CarPlay é um argumento extra.

Espaçoso para cinco, nem tanto para sete

Com os monovolumes a desaparecerem gradualmente do mercado - basta olhar para o caso do Renault Espace -, os SUV de sete lugares, como o X-Trail, tornam-se cada vez mais uma das poucas alternativas para famílias numerosas.

Mas nem tudo é perfeito. Se na configuração de cinco lugares o espaço é generoso (e os bancos da segunda fila são até deslizantes), quando se opta por sete lugares o X-Trail faz lembrar aquilo que os monovolumes faziam melhor.

Os dois lugares da terceira fila ficam, na prática, reservados a pessoas até 1,60 m (para quem é mais alto, dificilmente há espaço suficiente) e o acesso também não é dos mais simples.

No fundo, são lugares pensados para utilização curta e ocasional. Se a necessidade de sete lugares for frequente, existem alternativas no mercado mais adequadas, como o Volkswagen Multivan.

O som… do silêncio

Bem instalado ao volante do Nissan X-Trail, bastaram os primeiros quilómetros para sobressair uma das grandes virtudes do e-Power: o silêncio a bordo. Está (quase) ao nível de um elétrico a 100%.

E supera o que tenho sentido noutros híbridos e híbridos recarregáveis, muito por culpa de o motor de combustão trabalhar quase sem se fazer notar.

Por isso, a palavra que melhor encaixa na experiência de condução do X-Trail é… tranquilidade. E esse traço acaba por se refletir noutras dimensões da avaliação.

O SUV da Nissan mantém bons ritmos em autoestrada e não se mostra «lento» em cidade, mas também deixa claro que não procura ser uma proposta de desempenho, papel que fica para alternativas como o Skoda Kodiaq RS que o Miguel Dias também testou.

Foco no conforto

No Nissan X-Trail, a prioridade é claramente o conforto a bordo e o cumprimento das exigências familiares - e a dinâmica acompanha essa filosofia.

Não é um automóvel feito para «entreter» quem conduz, mas apresenta-se estável e seguro, com níveis agradáveis de previsibilidade em estrada mais sinuosa, algo a que ajuda o sistema de tração integral e4orce.

A combinação de estabilidade e conforto dá ao Nissan X-Trail muito boas qualidades de estrada, especialmente em autoestrada, convidando a fazer muitos quilómetros sem esforço.

Apesar de contar com tração integral (e modos de condução dedicados a fora de estrada), deixo a ressalva: não recomendo levar este SUV para «maus caminhos».

Sim, a tração integral aumenta a versatilidade, mas a reduzida altura ao solo e as jantes de 20” com pneus de perfil mais baixo lembram-nos que não estamos ao volante dos saudosos Terrano ou Patrol.

Económico? Nem por isso

Se, em termos de suavidade e refinamento, o e-Power não deixa «créditos por mãos alheias», o mesmo já não se pode afirmar quando o tema são os consumos.

Ao longo deste ensaio foi especialmente difícil aproximar os valores dos 6,5 l/100 km anunciados.

No final do teste ao X-Trail, registei uns pouco entusiasmantes 7,8 l/100 km, com muitos percursos em autoestrada e algumas deslocações com «lotação esgotada».

Foi precisamente aqui que o e-Power mais ficou a perder face aos híbridos convencionais e aos híbridos recarregáveis. Em ambos os casos, os consumos que obtive são claramente superiores e, naturalmente, também não existe a possibilidade de circular em modo 100% elétrico como acontece nos híbridos recarregáveis.

Topo de gama com preço a condizer

Colocado no topo da oferta da Nissan com motor de combustão, o X-Trail apresenta um preço que reflete não só o posicionamento comercial, mas também o nível de tecnologia que integra.

A unidade que conduzimos - Tekna+, a versão de topo - começa nos 59 mil euros. É um valor elevado, mas alinhado com o que é pedido pelos principais concorrentes híbridos e híbridos recarregáveis. E importa sublinhar que o equipamento de série é muito completo: é difícil lembrar algo que falte.

Olhando para os rivais, o Hyundai Santa Fe na versão híbrida está disponível a partir de 64 155 euros; o Kia Sorento HEV começa nos 60 475 euros, subindo para praticamente 67 mil euros na versão híbrida recarregável. O Skoda Kodiaq é o mais vendido no segmento, mas não disponibiliza uma versão eletrificada.

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