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Alemanha e Ucrânia assinam acordos em Ramstein para sistemas e mísseis antibalísticos

Dois homens de fato apertam as mãos numa mesa com modelos de robô, com bandeiras da Alemanha, NATO e Ucrânia ao fundo.

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Na mais recente reunião do Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia, no formato Ramstein, a Alemanha e a Ucrânia formalizaram um conjunto de acordos que abre caminho ao desenvolvimento e à produção de sistemas e mísseis antibalísticos. A intenção é reforçar as capacidades de defesa antimíssil, tanto na Ucrânia como no espaço europeu, e, em paralelo, aprofundar a cooperação industrial entre Berlim e Kiev.

Os documentos foram assinados pelo Ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, e pelo Ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius. A cerimónia contou ainda com a presença do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e do Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte.

Cooperação para o Desenvolvimento de Capacidades Antimísseis Balísticos

O primeiro acordo foi concebido para acelerar a colaboração entre empresas alemãs e ucranianas ligadas à defesa aérea e antimíssil. O objectivo passa por desenvolver capacidades industriais, europeias e ucranianas, orientadas para a intercepção de mísseis balísticos.

O mesmo programa contempla, igualmente, apoio ao desenvolvimento futuro e à produção de mísseis interceptores mais avançados. Para as autoridades envolvidas, trata-se de um elemento de um esforço de maior alcance, destinado a construir uma resposta europeia soberana perante a ameaça representada por mísseis balísticos.

Do ponto de vista ucraniano, esta iniciativa é vista como um meio de reforçar a protecção de cidades, infraestruturas críticas e da população civil face a ataques com mísseis lançados pela Rússia. Em simultâneo, a Alemanha e outros parceiros europeus pretendem beneficiar da experiência acumulada pela Ucrânia ao longo de mais de quatro anos de um conflito de alta intensidade.

Este projecto enquadra-se, também, nos compromissos assumidos anteriormente entre o governo ucraniano e os seus aliados ocidentais. Nesse âmbito, a vertente de cooperação industrial é apontada como um dos pilares para sustentar, a médio e longo prazo, o reforço das capacidades de defesa europeias.

Produção Conjunta de Sistemas Robóticos

O segundo acordo celebrado entre os dois países incide na produção conjunta, na Alemanha, de sistemas robóticos terrestres Termit. De acordo com informação divulgada pela Ucrânia, a iniciativa deverá permitir fabricar e entregar vários milhares destes sistemas às Forças de Defesa do país.

A Alemanha assegurará o financiamento da implementação do programa, com o propósito de aumentar a disponibilidade de plataformas terrestres não tripuladas para missões militares. Este tipo de sistemas tem ganho relevância em conflitos, devido à sua aptidão para executar tarefas de reconhecimento, logística e apoio táctico.

Depois da assinatura dos documentos, Mikhail Fedorov manifestou agradecimentos à Alemanha e a Boris Pistorius pelo apoio prestado a Kiev. Sublinhou, em particular, a liderança alemã e a disponibilidade para apoiar iniciativas orientadas para reforçar as Forças de Defesa da Ucrânia e a segurança europeia.

Uma estratégia que combina defesa e produção militar

Os novos entendimentos surgem poucos dias após a empresa ucraniana Fire Point ter apresentado o míssil de cruzeiro FP-5 Flamingo na feira Eurosatory 2026. Com um alcance declarado de até 3.000 quilómetros, este sistema é apresentado como um dos progressos mais relevantes da indústria de defesa ucraniana no domínio do armamento de longo alcance.

A Ucrânia confirmou oficialmente o desenvolvimento e a produção do Flamingo em agosto de 2025. A partir desse momento, o país intensificou vários programas com o objectivo de elevar as suas capacidades ofensivas e defensivas, em paralelo com a expansão da sua base industrial militar e a procura de parceiros europeus para projectos conjuntos.

O aprofundamento da cooperação entre Berlim e Kiev ocorre, igualmente, em simultâneo com um novo pacote de ajuda militar anunciado pela Alemanha. Boris Pistorius comunicou um reforço adicional de US$ 400 milhões para fortalecer as defesas ucranianas, incluindo verbas destinadas à aquisição de mísseis para os sistemas de defesa aérea Patriot.

“Neste caso, trata-se, mais uma vez, de munição urgentemente necessária para os sistemas de defesa aérea. Com isso, estamos literalmente salvando vidas humanas todos os dias e todas as noites”, declarou Pistorius ao anunciar a ajuda. O ministro confirmou ainda uma contribuição adicional de US$ 200 milhões para o programa PURL, através do qual a Ucrânia compra armamentos americanos com apoio financeiro dos seus aliados.

O contexto estratégico europeu

A opção de reforçar capacidades próprias de defesa antimíssil balístico responde, também, a preocupações crescentes com a evolução das ameaças estratégicas. Recentemente, o comandante do Comando Espacial da Bundeswehr, Major-General Michael Traut, alertou que a possibilidade de a Rússia desenvolver tecnologias para implantar uma ogiva nuclear em órbita não pode ser descartada.

Segundo o oficial alemão, uma detonação nuclear no espaço poderia provocar danos graves em satélites utilizados para comunicações, navegação, transporte, serviços financeiros e operações militares. Perante este cenário, a Alemanha e os seus parceiros europeus procuram reforçar tanto os seus sistemas de defesa antimíssil como a sua independência tecnológica face a ameaças cada vez mais complexas.

Imagens meramente ilustrativas.

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