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Marques'Almeida traz estética club britânica dos anos 1990 a Matosinhos no Portugal Fashion Experience

Modelos a desfilar com roupa colorida e vibrante num espaço com vista para o mar.

A estética da cultura club britânica dos anos 1990 esteve no centro da apresentação em Matosinhos, num momento em que a dupla também falou dos desafios de fazer crescer a marca e do trabalho no ensino.

Rave britânica dos anos 1990 inspira a coleção da Marques'Almeida

A Antiga Fábrica de Conservas Vasco da Gama, em Matosinhos, recebeu a energia das raves britânicas dos anos 90, com a Marques'Almeida a fechar o segundo dia do Portugal Fashion Experience. Nos bastidores, Marta Marques e Paulo Almeida detalharam as referências por trás de uma coleção onde surgiram vestidos de lantejoulas a varrer o chão, calças cargo, penas e cabelos com aspeto molhado.

"Foi mesmo rave", resume Marta, ainda no rescaldo da passarela. Ao lado, Paulo Almeida reforça que a "ideia de luxury sempre foi desconstruir o luxo numa coisa quase rave. Como se estivesses num pavilhão, no meio do Reino Unido, nos anos 90". A rir, lembra como a equipa baptizou o processo de criação: "Chamávamos-lhe o nosso desfile da crise de meia-idade."

A proposta junta ideias de pré-outono e de outono/inverno de 2026, sem se afastar do vocabulário que tem definido a marca desde o início: volumes amplos, matérias trabalhadas de forma desconstruída e um diálogo constante com a cultura urbana.

A dupla mantém a defesa do desfile como o lugar de maior liberdade para experimentar. "Nós sempre rejeitámos apresentações. Crescemos a ver os desfiles do McQueen em 2003 ou da Comme des Garçons. Para nós, artisticamente, o desfile é o momento em que os designers conseguem sair da produção e explorar o lado mais criativo", afirma Marta.

Aprender com os jovens

Depois de 15 anos de caminho internacional, os criadores encontraram no ensino uma forma de contrariar o conforto e a rotina. Para lá da mentoria que desenvolvem no Portugal Fashion, dão aulas na ESAD e acompanharam com emoção as apresentações de alunos atuais e antigos - incluindo Enzo Peres, que se estreou a solo na plataforma Bloom com a marca E.P. Atel"ye.

Este ano, o concurso distinguiu André Pinto, que apresentou uma coleção totalmente feita à mão, com um vestido de conchas em destaque. No final, o jovem admitiu estar a viver um "sonho de کودک".

"Sempre quis ser designer de moda, mas pensava que não ia acontecer", disse.

"Sentimos que estamos, agora, a fazer um bocadinho o papel dos mais velhos, mas é muito gratificante", admite Marta. Paulo Almeida acrescenta que a aprendizagem acontece também do lado deles: "Tentamos passar-lhes a mensagem de que não podem ter medo de se divertir com o que fazem."

Estratégia comercial e mercados internacionais

A reconfiguração da marca passou por decisões comerciais e por uma aposta mais clara no exterior. Os EUA representam uma parcela relevante das vendas, enquanto o Médio Oriente levou a equipa a desenvolver peças distintas, sem perder a irreverência.

A moda continua na Invicta: a Ahcor, de Sílvia Rocha, inaugurou o M.ODU: Matadouro Outro Destino Urbano como passarela do evento. A edição termina este sábado.

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