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Teste ao Volkswagen T-Roc@PT 1.0 TSI (110 cv): o que é nacional é bom?

Carro Volkswagen T-Roc branco exibido numa sala de exposição moderna com janelas grandes.

Produzido na Autoeuropa, em Palmela, é fácil olhar para o Volkswagen T-Roc como um verdadeiro «carro português», sobretudo nesta série especial T-Roc@PT que, de acordo com a Volkswagen, pretende sublinhar a “portugalidade” do SUV renovado.

Partindo da versão Life (a porta de entrada na gama), esta edição especial pode ser escolhida com o 1.0 TSI de 110 cv e caixa manual, ou com o 1.5 TSI de 150 cv associado à caixa DSG.

Foi precisamente a variante equipada com o tricilíndrico de 110 cv que entrou na garagem da Razão Automóvel, para nos ajudar a perceber se o ditado popular se confirma: o que é nacional é bom?

O que traz de diferente?

À primeira vista, quase nada denuncia que estamos perante uma edição especial face aos restantes Volkswagen T-Roc. A nota distintiva mais evidente é o emblema próprio “T-Roc@pt”, aplicado no pilar C.

Tudo o resto se joga, sobretudo, no reforço do equipamento incluído de série - uma estratégia que melhora a relação preço/equipamento e que pode mesmo colocar esta versão entre as propostas mais interessantes dentro da gama T-Roc.

Pensado para a cidade

Já o tinha referido quando experimentei o Volkswagen T-Roc com o 1.5 TSI de 150 cv e mantenho a mesma leitura: a menos que a utilização seja, na maioria do tempo, em ambiente citadino, o 1.0 TSI de 110 cv pode saber a «curto» no T-Roc.

Com 110 cv às 5500 rpm e 200 Nm de binário disponíveis entre as 2000 rpm e as 3000 rpm, o 1.0 TSI mostra-se disponível e com vontade. Ainda assim, quando se sai da «malha urbana», as limitações tornam-se mais claras - em especial quando se aproveita a boa habitabilidade desta proposta germânica.

Nestas condições, é normal ter de recorrer mais vezes à caixa manual de seis velocidades. Felizmente, o escalonamento está bem conseguido e o comando é macio. Não tem o tato mecânico das caixas da Mazda ou da Ford, mas a sua suavidade com certeza «fará as delícias» de quem quer um carro fácil de conduzir.

Aliás, no T-Roc@PT, a leveza dos comandos é uma constante. Em cidade, onde esta configuração deverá ser mais usada, isso é uma vantagem; por outro lado, também retira algum envolvimento a um modelo que, ainda assim, conta com um chassis bastante competente.

É poupado?

Alguns poderão concluir que este 1.0 TSI é a escolha certa para quem procura consumos contidos e não coloca a performance no topo das prioridades.

Em parte, essa ideia faz sentido: apesar de as prestações não serem o seu principal trunfo, continua a ser uma solução interessante. O problema é que a promessa de consumos claramente melhores não se cumpre por completo.

É verdade que a média de seis litros que obtive neste ensaio ficou abaixo dos 6,5 l/100 km registados com o T-Roc 1.5 TSI. No entanto, com o 1.0 TSI foi necessário conduzir de forma mais orientada para a poupança para chegar a esses números, ao passo que no 1.5 TSI a economia de combustível ficou para «segundo plano».

A questão repete-se no uso real: quando é preciso acompanhar um ritmo mais elevado - ou quando queremos ser nós a impor esse ritmo - os consumos penalizam mais no 1.0 TSI do que no 1.5 TSI.

O mesmo se verifica em autoestrada, sobretudo com este T-Roc@PT carregado e a rolar com uma velocidade de cruzeiro mais alta, cenário em que o três cilindros revela rapidamente a sua preferência por trajetos urbanos.

Já em cidade, o “mil” destaca-se pela boa resposta a baixos regimes e, com a ajuda de uma caixa bem escalonada, consegue disfarçar melhor as limitações do 1.0 TSI quando colocado ao serviço do SUV produzido em Palmela.

É o carro certo para si?

O facto de o Volkswagen T-Roc@PT sair de Portugal pode despertar um «carinho especial» por este SUV germânico, mas seria errado pensar que os seus argumentos se esgotam na nacionalidade.

Nesta edição especial “T-Roc@PT”, encontramos uma oferta sólida de equipamento de série, somada às qualidades base do modelo montado em Palmela: boa habitabilidade, sensação de robustez, comportamento competente e um visual atualizado.

Quanto ao motor, volto a sublinhar que é uma opção especialmente indicada para quem faz, sobretudo, percursos em cidade. Se esse não for o seu caso, o 1.5 TSI merece atenção - com a ressalva de que custa mais 5000 euros.

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