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Depois de ter alcançado progressos relevantes na integração de armamento ar-ar de longo alcance, a Força Aérea Brasileira (FAB) continua a intensificar o adestramento dos seus caças Saab F-39E Gripen, tanto para missões de combate para lá do alcance visual (BVR, Beyond Visual Range), como para cenários de combate aéreo dissimilar. Neste enquadramento, a Base Aérea de Anápolis acolheu mais uma edição do Exercício Técnico de Combate Aéreo Visual Dissimilar (EXTEC WVR), considerado um passo essencial para consolidar doutrinas e procedimentos ligados ao emprego do caça mais moderno da FAB.
EXTEC WVR na Base Aérea de Anápolis com o Saab F-39E Gripen
A actividade, organizada pelo Comando de Preparo (COMPREP) - entidade responsável pelo aprontamento e pela preparação operacional da Força Aérea Brasileira - terminou no passado 12 de Junho e juntou pilotos e aeronaves de várias unidades da Aviação de Caça.
Unidades e aeronaves envolvidas no exercício
Participaram militares do Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA) “Jaguar”, do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA), do Primeiro Esquadrão do 14º Grupo de Aviação (1º/14º GAV), Esquadrão Pampa, e do Primeiro Esquadrão do 10º Grupo de Aviação (1º/10º GAV), Esquadrão Poker, operando caças F-39 Gripen e F-5M, além de aeronaves de ataque AMX A-1M.
Evolução do treino WVR e combate aéreo dissimilar
O programa de treino avançou de forma gradual, passando de noções básicas para cenários exigentes de combate aéreo dissimilar 2 contra 1. Esta progressão permitiu explorar as especificidades de cada plataforma, identificar pontos fortes e limitações e, ao mesmo tempo, reconhecer oportunidades de aplicação táctica em diferentes situações operacionais.
Um dos marcos desta edição foi a primeira participação do F-39 Gripen num exercício orientado especificamente para o combate visual dissimilar, criando uma oportunidade valiosa para aperfeiçoar e consolidar tácticas, técnicas e procedimentos associados ao emprego do caça em cenários de elevada exigência.
Para além das missões aéreas, decorreram workshops destinados a discutir e a uniformizar conceitos relacionados com o combate Within Visual Range (WVR), ou seja, combate dentro do alcance visual. Estes momentos favoreceram a troca de experiências entre os pilotos e reforçaram a construção doutrinária da Aviação de Caça.
Ao longo das duas semanas de actividade, foram utilizadas iscas luminosas (flares) e mísseis reais de treino, acrescentando um grau elevado de realismo às operações e potenciando os ensinamentos assimilados pelas tripulações participantes. No que respeita à segurança operacional, o exercício terminou sem qualquer registo de incidentes ou acidentes, tanto em voo como no solo.
Relação entre o adestramento WVR e a preparação para missões BVR
Os resultados do EXTEC WVR evidenciaram igualmente a ligação estreita entre o treino de combate visual e a preparação para missões BVR. A própria FAB sublinhou que os conhecimentos e as experiências operacionais adquiridos asseguram que os seus pilotos ficam aptos a actuar quer em confrontos a curta distância, quer em cenários para lá do alcance visual, alargando assim o leque de capacidades da Aviação de Caça brasileira.
Emprego BVR: lançamento do MBDA Meteor em 2025
Este processo de preparação é complementado pelos avanços obtidos em 2025 no domínio do emprego de armamento BVR. Em 27 de Novembro desse ano, a Força Aérea Brasileira realizou o primeiro lançamento de um míssil ar-ar MBDA Meteor a partir de um F-39E Gripen, durante um ensaio efectuado a partir da Base Aérea de Natal.
O teste, executado contra um alvo aéreo Leonardo Mirach 100/5 - que simulava o comportamento de um caça em manobra a alta velocidade e altitude - confirmou a capacidade operacional do binómio Gripen–Meteor e consolidou a doutrina brasileira para o emprego de mísseis de longo alcance. Deste modo, a combinação entre o treino dissimilar e a validação de capacidades BVR continua a posicionar o F-39E Gripen como o eixo central da defesa aérea moderna do Brasil.
Imagens utilizadas a título ilustrativo. Créditos: Força Aérea Brasileira.
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