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Donald Trump, criptomoedas e inteligência artificial: o poder como negócio

Mesa de escritório com moeda Bitcoin, tablet com cérebro digital, gravata vermelha e bandeiras americanas ao fundo.

Donald Trump, poder político e lucros privados

A ousadia com que Donald Trump conduz os Estados Unidos parece acompanhar, na mesma medida, a forma como gere a própria conta bancária. A avaliar pelas revelações mais recentes, o poder transformou-se num excelente negócio para a família presidencial: só no primeiro ano de mandato, terão entrado cerca de mil milhões de dólares, maioritariamente vindos de operações privadas ligadas às criptomoedas.

Trata-se de um setor que o presidente norte-americano se apressou a fortalecer junto da esfera política, da máquina fiscal e das entidades reguladoras - um gesto que soa a gratidão pelos muitos milhões que a indústria foi canalizando para a sua campanha e para a festa de tomada de posse.

A Casa Branca como alavanca financeira, segundo o "The New York Times"

O jornal "The New York Times" calcula que os ganhos da família Trump na Casa Branca já ultrapassam o volume de negócios do império imobiliário que possuía antes de se instalar em Washington. Estas descrições detalhadas do património de Trump, apesar de relevantes enquanto instrumentos de escrutínio democrático, acabam por expor uma normalidade do sistema: nada disto ocorre na sombra.

Entre decisões e deslocações, pai e filhos continuam a engrossar a fortuna, cruzando diplomacia com negócios, perante a atitude passiva dos republicanos, que apenas de vez em quando deixam transparecer algum incómodo.

Inteligência artificial: o próximo filão e o risco para a democracia

O bodo dá para todos. E o próximo alvo parece já estar identificado. Depois dos sucessivos entraves que a Administração Trump levantou à massificação do negócio da inteligência artificial - aparentemente invocando motivos de segurança -, os multimilionários que estão a jogar as cartas parecem dispostos a entregar 5% dos ganhos ao Estado, através de fundos soberanos, alguns até na área da saúde.

É daí que os milhões poderão começar a jorrar nos próximos anos. E é precisamente aqui que o perigo cresce: quanto maior for a margem de lucro potencial da família Trump neste domínio, maiores se tornam as ameaças à democracia global desse monstro sem freios chamado inteligência artificial. Os interesses desta América caseira raramente coincidem com os interesses do Mundo.

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