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Portugal leva Toronto para Dallas no Mundial

Adepto português com cachecol e bandeira, rodeado por outros fãs vestidos com camisolas da seleção, num evento ao ar livre.

Do Mundial aos oitavos: um caminho ainda longo

O Mundial, por agora, só nos empurrou até aos oitavos; para que o sonho termine com luz, continuam a faltar degraus exigentes. O próximo surge já frente à Espanha, em Dallas. Ainda assim, há algo que ficou gravado e não se apaga: uma recarga gigantesca de energia e confiança, capaz de sustentar esta caminhada rumo a decisões arrebatadoras.

Toronto como combustível para a Seleção de Portugal

O que Portugal viveu em Toronto é matéria de memória e só se paga com mais superação, como se fosse preciso levar essa chama até aos confins do Mundo. A vibração que se viu nas quatro linhas - e a onda de euforia que atravessou a cidade durante horas - ajudou a alinhar ideias com o futebol épico que ali se testemunhou.

Um dos momentos mais marcantes foi a receção à Seleção, na chegada ao hotel, com ambiente digno de campeões do Mundo: as artérias em redor ficaram completamente entupidas de adeptos portugueses, uns movidos pela devoção a Ronaldo, outros pela irmandade natural com uma comunidade tão numerosa quanto inacreditável na forma como vive as cores nacionais.

A tempestade de emoções e a festa que atravessou a noite

Aquilo que Portugal “bebeu” em Toronto não se traduz com facilidade; teve um efeito quase embriagante, feito de sensações, e pode muito bem ser um aditivo valiosíssimo para o que ainda se espera jogar. Desde a chegada a esse enorme centro populacional do Canadá, pareceu que só existia Portugal: uma construção de afeto e carinho sem travões, de quem há muito pedia esta visita e suspirava por reencontrar os maiores vendedores de paixões e ilusões - os jogadores.

O encontro com esse vendaval emocional - porque o futebol pode ser, afinal, a mais bonita tempestade súbita - transformou a ocasião num grito de Portugalidade: um brilho no meio do caos, uma espécie de sorte de mão dada com o destino, como permanece na lembrança de quem viveu o Euro de 2016.

A jornada de júbilo em Toronto, conquistada mais pelas camisolas nacionais do que pela língua de Camões, fica como alavanca para mais desejos e prazeres num calendário que sufoca a imaginação, entre tantos corredores de elite até um destino que promete coroa, poder absoluto durante quatro anos e uma regência reputacional para sempre.

Portugal mantém-se nessa pista, e Dallas oferece a continuação dessa esperança - mais uma batalha ibérica, inevitavelmente imprevisível. Todos os estímulos de Toronto têm de caber, sem exceção, guardados com devoção na alma de cada um, até porque foram impossíveis de descrever e de arrepiar quando vistos das varandas do hotel da Seleção: sensacionais no quadro completo, expansivos na fé de um abraço coletivo tão rápido e genuíno quanto intenso.

E tudo isto teve ainda o sabor do jogo, mergulhado numa espiral fascinante de incerteza: delírios e deceções, orações em decisões sucessivas arrastadas para o VAR. Havia maioria portuguesa e ninguém se fez rogado nesta degustação tentadora: pela noite dentro, celebraram-se os golos de Ronaldo e de Ramos, e a festa pareceu ter vários fusos horários, vários “diretos”, como se fosse uma louca passagem de ano.

O tempero de Toronto fica guardado para memória futura, como casa sagrada onde Portugal pode enriquecer o espírito e sonhar dominar o Mundo - mesmo com a volatilidade do seu jogo, com imprecisões de conteúdo e incertezas de forma em muitos dos artistas. Mas tudo vale a pena se a alma não é pequena.

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