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Eurosatory 2026: a tendência do sistema de sistemas e da inteligência artificial

Militares em uniforme a analisar dados digitais e mapas de estratégia numa sala de operações moderna.
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Integração e “sistema de sistemas” em Eurosatory 2026

Para lá das plataformas expostas e dos anúncios de novos veículos, mísseis ou sistemas de armas, a Eurosatory 2026 evidenciou uma linha comum que atravessa praticamente tudo o que a indústria de defesa apresentou: a integração de capacidades sob o conceito de “sistema de sistemas”, com uma presença muito marcada de inteligência artificial.

Sistemas abertos, IA e operações em rede

O objectivo já não passa apenas por disponibilizar um produto isolado. A ênfase está em criar sistemas abertos capazes de combinar, numa mesma rede de operações, sensores, sistemas de comando e controlo, inteligência artificial, plataformas tripuladas e não tripuladas, bem como capacidades de guerra electrónica. Esta alteração de paradigma acompanha uma necessidade actual das Forças Armadas, que procuram soluções que se liguem a meios já existentes - ou a futuros - e que possam ser ajustadas a diferentes cenários e tipos de conflito.

Dentro deste enquadramento, muitas das empresas presentes na Eurosatory 2026 sublinharam a flexibilidade das suas propostas. Em grande parte dos casos, os desenvolvimentos podem ser adoptados como componentes autónomos para responder a um requisito específico, ou, em alternativa, integrar uma solução “chave na mão”, em que o cliente compra um ecossistema completo pronto a funcionar desde o primeiro momento.

Acordos estratégicos e exemplos apresentados

Esta abordagem ajuda também a compreender o elevado número de acordos estratégicos, memorandos de entendimento e parcerias industriais anunciados durante o salão. Em vez de concentrarem internamente todas as competências, as grandes empresas tendem a apoiar-se em companhias especializadas para agregar tecnologias complementares e, assim, apresentar soluções mais abrangentes.

Um dos casos foi o acordo entre MARSS e BAE Systems, pelo qual a plataforma de comando e controlo NiDAR passará a integrar o sistema anti-drone BATS. Com isto, as duas empresas juntam capacidades para disponibilizar uma solução integrada que combina sensores, efectores e um sistema de gestão apto a coordenar a resposta a ameaças aéreas não tripuladas.

Uma dinâmica semelhante surge no programa THUNDART, desenvolvido pela MBDA e pela Safran Electronics & Defense para o futuro sistema francês de ataque terrestre de longo alcance. O projecto não se limita à criação de um novo lançador e da respectiva munição; pretende, sim, uma capacidade completa que engloba navegação, guiamento, sistemas de comando e controlo e uma arquitectura aberta que simplifica a integração com outros sistemas no campo de batalha.

Ecossistemas mais amplos e interoperabilidade

Esta tendência foi igualmente visível em empresas como a HAVELSAN, a Hanwha Aerospace, a Thales e a IDV, que apresentaram soluções desenhadas para funcionar dentro de um ecossistema mais vasto. Seja através de veículos conectados, sistemas de gestão do combate, plataformas ISR, inteligência artificial ou veículos não tripulados, a meta é que todos os elementos partilhem informação e actuem de forma coordenada.

Em síntese, uma das mensagens centrais da Eurosatory 2026 é que o valor já não está apenas na plataforma ou no sistema de armas, mas na capacidade de o integrar com outros meios para criar uma vantagem operacional. A interoperabilidade e a integração do “sistema de sistemas” consolidam-se, assim, como alguns dos conceitos mais determinantes que hoje orientam o desenvolvimento das capacidades militares do futuro.

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