Adicione aos favoritos no Google
Porquê adicionar-nos? Receba as notícias do Zona Militar no seu Google.
Um desafio para recuperar a capacidade submarina da Armada Argentina
A reposição e a modernização das capacidades submarinas da Armada Argentina surgem como um dos maiores desafios - no melhor cenário - ou mesmo como uma quimera - no pior - com que se deparam, em particular, o Ministério da Defesa e, em geral, o Governo Nacional. Até agora, as propostas para novas unidades das classes Scorpène, da Naval Group, e Tipo 209 NG, da TKMS, não resultaram na celebração de contratos, existindo apenas a assinatura de uma Carta de Intenções com a primeira destas empresas.
Apesar do ambiente pessimista, a Armada Argentina mantém a análise de vias possíveis e de alternativas. Entre elas, já foram ponderadas no passado opções em segunda mão baseadas na classe Tipo 209, uma das mais difundidas da segunda metade do século XX e que continua a ser operada por um número considerável de países.
Opções mencionadas e limites no curto e médio prazo
Foram igualmente referidas outras hipóteses que, tendo em conta o contexto actualmente vivido na Europa, acabaram por ser afastadas no curto e no médio prazo, como aconteceu com os submarinos da classe Ula da Marinha Real da Noruega, força que irá substituir essas unidades pelos novos submarinos Tipo 212CD, construídos na Alemanha.
Ainda assim, existiu uma possibilidade que nunca mereceu a atenção necessária, seja por motivos de distância geográfica, seja por outros factores. Em concreto, trata-se dos submarinos Tipo 209 operados pela Marinha da Turquia, que planeia a sua substituição através da construção local de novos submarinos Tipo 214 em parceria com a TKMS e, numa fase posterior, por uma nova classe de submarinos de concepção e desenvolvimento nacionais, resultante do programa MİLDEN (também conhecido como classe Atılay).
O tema ganha particular interesse, uma vez que os Tipo 209 turcos figuram entre os exemplares mais modernos desta classe, pelo menos até à entrada ao serviço dos submarinos Tipo 209/1400 da Marinha do Egipto, entre 2017 e 2021.
O caso da Marinha da Turquia: frota, retiradas e modernizações
No caso específico da Marinha da Turquia, o país é hoje o principal operador da classe Tipo 209, reunindo unidades activas e já retiradas, organizadas em três subclasses incorporadas entre 1978 e 1989, 1994 e 1999, e 2003 e 2007; a saber: as classes Atılay, Preveze e Gür, respectivamente.
Até à data, e à medida que avança a incorporação da classe Tipo 214 - classe Reis - com a entrada ao serviço dos dois primeiros exemplares de um total de seis encomendados e construídos localmente, a Marinha da Turquia começou a desactivar os primeiros submarinos da classe Atılay, afectando alguns deles a missões de instrução e treino.
Um ponto particularmente relevante na classe Preveze, composta por quatro submarinos Tipo 209/1400 Mod, foi a execução de um programa de modernização de meia-vida para diversos sistemas críticos. Este trabalho decorreu no Estaleiro Naval de Gölcük e incluiu a integração de vários sistemas e subsistemas desenvolvidos localmente pela STM, ASELSAN, HAVELSAN e ASFAT.
De acordo com a informação disponível, os quatro submarinos - Preveze, Sakarya, 18 Mart e Anafartalar - viram actualizados os seus sistemas integrados de comunicações, sonar, periscópios, radar, guerra electrónica, navegação e contramedidas para torpedos.
Os esforços de modernização dos Tipo 209 abrangeram também dois dos submarinos mais antigos da classe Atılay, em particular o TCG Doğanay (S-351) e o TCG Dolunay (S-352). Em paralelo, os submarinos mais recentes da classe Gür estão igualmente a ser alvo de programas de modernização de meia-vida, com o objectivo de assegurar uma transição ordenada e progressiva, sem perda de capacidades, à medida que avança a construção dos novos Tipo 214 e dos futuros submarinos do programa MİLDEN.
Embora tudo o que foi descrito permaneça no plano hipotético, não é descabido encarar os Tipo 209 como uma alternativa a analisar para recuperar, ainda que parcialmente, as capacidades submarinas da Armada Argentina - sobretudo se se tiverem em conta as soluções que a indústria de defesa turca pode disponibilizar e as oportunidades de parceria com foco no futuro.
Como já foi noticiado, empresas como a ASELSAN já apresentaram propostas de modernização para os contratorpedeiros da Armada Argentina, tirando partido da sua experiência com navios da família MEKO. Do mesmo modo, no passado, também chegou a ser considerada a oferta de radares terrestres para o Exército Argentino.
Na ausência de opções concretas para a aquisição de novas unidades, a hipótese representada pelos submarinos Tipo 209 da Turquia aparece como uma alternativa que merece ser ponderada pelos comandos navais. Isto torna-se particularmente pertinente para um país que não pode dar-se ao luxo de permanecer sem submarinos - e sem a capacidade de dissuasão que estes proporcionam - sendo uma nação oceânica que aspira actuar como tal.
Fotografias utilizadas a título ilustrativo.
Também poderá interessar-lhe: Conhecer o DRONEDEF, o escudo anti-drones que constitui a primeira e a última linha de defesa do Steel Dome da ASELSAN
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário