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Teerão inicia cerimónias fúnebres de Ali Khamenei com apelos à vingança

Multidão numa procissão funerária carregando caixão e fotos de homem com turbante negro.

Cerimónias fúnebres de Ali Khamenei ao amanhecer em Teerão

O sábado mal tinha começado em Teerão quando uma grande multidão de fiéis se juntou para a derradeira homenagem pública ao antigo líder supremo, Ali Khamenei, com gritos que exigiam retaliação.

Pelas cerca de 6 horas locais (3:30 horas em Portugal continental), a televisão estatal iraniana comunicou o arranque das cerimónias fúnebres nacionais. O antigo líder, que esteve à frente do Irão durante quase 37 anos, estava a ser homenageado num vasto complexo que integra uma mesquita.

O caixão de Khamenei encontrava-se exposto sob a cúpula da imponente Mosalla, edifício concebido para acolher as orações, ladeado por duas filas de bandeiras iranianas.

Apelos à “vingança” e palavras de ordem entre os fiéis

No recinto, um recitador de elogios fúnebres dirigiu-se aos presentes em lágrimas e gritou: "Não estamos aqui para um funeral, mas para uma vingança".

Na multidão, viam-se bandeiras vermelhas com a inscrição "Mártir" e bandeiras amarelas do Hezbollah libanês, organização apoiada por Teerão.

Em faixas vermelhas surgiam apelos à "vingança" e a "hashtag" "#MatarTrump", num dia em que os Estados Unidos assinalam também este sábado o 250.º aniversário da independência.

Cânticos de cariz religioso e patriótico intensificavam a emoção do momento, enquanto alguns fiéis rezavam de joelhos no chão. De acordo com a tradição do islão xiita, muitos batiam no peito em sinal de luto. Por vezes, ouviam-se palavras de ordem como "Morte à América, morte a Israel!", frequentes em concentrações oficiais.

Multidão, retratos e o contexto político

Entre os participantes destacavam-se muitos fiéis de aparência conservadora, incluindo mulheres de chador - a veste tradicional que cobre todo o corpo, com exceção do rosto - e homens vestidos de preto. Algumas pessoas chegaram acompanhadas pelos filhos.

Um dos presentes, Javad Akbari, de 43 anos, funcionário da indústria alimentar, explicou à AFP: "Nunca tive a oportunidade de ver o líder supremo de perto e lamento isso. Hoje vim para lhe dar um último adeus".

As paredes do recinto exibiam grandes retratos de Khamenei em várias etapas da sua vida, incluindo imagens em que acompanhava soldados na frente durante a devastadora guerra entre o Irão e o Iraque (1980-1988).

Reza, professor universitário de 37 anos, justificou a presença de tantos fiéis: "Prometemos ao líder supremo que ficaríamos com ele até ao fim. Toda esta gente está aqui por ele", porque "se sacrificou por nós".

Ali Khamenei morreu a 28 de fevereiro, aos 86 anos, na sequência do bombardeamento da sua residência em Teerão por ataques israelo-americanos, a 28 de fevereiro, numa escalada que aumentou a tensão no Médio Oriente.

Periodicamente, era borrifada água sobre a multidão, numa altura em que as temperaturas deverão ultrapassar os 35 graus Celsius.

Muitos fiéis levavam ainda retratos de Mojtaba Khamenei, que sucedeu ao pai no cargo de líder supremo. Desde que foi nomeado, em março, o novo dirigente não se apresentou em público e limitou-se a intervir através de comunicados que lhe são atribuídos.

Estas cerimónias abertas ao público realizam-se num quadro de frágil cessar-fogo com os Estados Unidos e seis meses após importantes manifestações contra o elevado custo de vida e o poder.

Dispositivo de segurança e calendário do cortejo fúnebre

No centro de Teerão, a segurança foi reforçada: blocos de betão e viaturas policiais vedavam todas as vias de acesso ao recinto num raio de cerca de dois quilómetros.

As autoridades iranianas dizem contar com entre 15 e 20 milhões de participantes só em Teerão para esta homenagem nacional, que se prolongará por seis dias e prevê igualmente uma passagem pelo Iraque.

Na segunda-feira, os restos mortais de Ali Khamenei irão percorrer as ruas de Teerão para uma última homenagem, antes de o cortejo fúnebre seguir, no dia seguinte, para a cidade santa de Qom. O antigo líder será sepultado na quinta-feira na cidade santa de Mashhad, no nordeste do Irão, onde nasceu.

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