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Ministério Público de Teerão formaliza acusação contra Reza Pahlavi

Mulher com hijab segura documento e bandeira do Irão em fila para votar, com carros e militares ao fundo.

Acusação formal contra Reza Pahlavi e envio do processo para tribunal

O Ministério Público de Teerão comunicou hoje que Reza Pahlavi, filho do deposto xá do Irão, foi formalmente acusado por crimes ligados a "a segurança, o terrorismo e a criminalidade organizada".

Este anúncio surge uma semana depois de o procurador-geral de Teerão, Ali Salehi, ter assumido publicamente a intenção de levar a julgamento o dirigente da oposição iraniana no exílio, frequentemente associado à sua proximidade a Israel.

Num comunicado divulgado pela estação pública iraniana IRIB, o Ministério Público afirmou: "O processo foi remetido ao tribunal após a dedução da acusação formal".

Protestos, alegadas interferências externas e declarações de Washington

Ali Salehi já tinha indicado que pretendia responsabilizar Pahlavi por "criar as condições" para que os protestos populares do ano passado resvalassem para uma escalada de violência e repressão. Segundo as autoridades iranianas, esse ciclo terá causado mais de 3.000 mortos, enquanto várias organizações internacionais de direitos humanos apontam para mais de 30.000 mortes.

De acordo com a acusação, o líder da oposição terá instigado os manifestantes a intensificarem protestos que começaram por causa da crise económica e que, mais tarde, evoluíram para uma vaga de violência. Teerão descreveu esses acontecimentos como uma operação de desestabilização nacional dirigida pelos Estados Unidos e por Israel, retratando o filho do xá como instrumento dessa estratégia.

Reza Pahlavi, príncipe herdeiro do extinto regime monárquico iraniano, está no exílio desde a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o xá Mohammed Reza Pahlavi, e vive no estado norte-americano do Maryland.

Entretanto, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu ter tentado fazer chegar armas a manifestantes da oposição através de grupos curdo-iranianos, embora tenha garantido que a operação não chegou a concretizar-se.

Pahlavi classificou como uma "intervenção humanitária" o ataque lançado no final de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra centros de poder em Teerão e outros alvos militares no país. Na mesma ocasião, descreveu esse momento como o início da guerra no Irão e apelou à população para "concluir a tarefa" e pôr termo à República Islâmica.

Cerimónias fúnebres de Ali Khamenei e reforço de segurança no centro de Teerão

A formalização da acusação é anunciada no mesmo dia em que arrancam as cerimónias fúnebres do aiatola Ali Khamenei, morto a 28 de fevereiro, aos 86 anos, na sequência do bombardeamento da sua residência em Teerão por ataques israelo-americanos que elevaram a tensão no Médio Oriente.

As cerimónias públicas decorrem num cenário de frágil cessar-fogo com os Estados Unidos e seis meses após grandes protestos contra o elevado custo de vida e o poder.

Hoje, o centro de Teerão exibe um dispositivo de segurança reforçado: blocos de betão e viaturas policiais bloqueavam todas as ruas de acesso ao recinto num raio de cerca de dois quilómetros.

As autoridades iranianas dizem contar com entre 15 e 20 milhões de participantes só em Teerão para esta homenagem nacional, que se estenderá por seis dias e incluirá uma passagem pelo Iraque.

Na segunda-feira, os restos mortais de Ali Khamenei vão percorrer as ruas de Teerão para uma última homenagem, antes de o cortejo fúnebre seguir, no dia seguinte, para a cidade santa de Qom. O antigo líder será sepultado na quinta-feira, dia 09, na cidade santa de Mashhad, no nordeste do Irão, onde nasceu.

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