A Venexos, associação que apoia venezuelanos residentes em Portugal e na Venezuela, mobilizou-se assim que teve conhecimento da tragédia dos sismos e criou pontos de recolha em todo o país. Neste momento, já existem pelo menos 400 paletes de bens prontas a seguir de Portugal para a Venezuela, para apoiar as pessoas afetadas. Os donativos estão a ser concentrados em armazéns e deverão começar a ser enviados em aviões da TAP a partir da próxima semana, mantendo-se as recolhas porque as necessidades continuam elevadas.
Venexos em Portugal: logística, armazéns e expedição das paletes para a Venezuela
Christian Höhn, presidente da Venexos, afirma que a adesão ao apelo lançado pela associação tem sido "imensa" e chega de diferentes setores. Para dar resposta ao volume de ofertas, os bens estão a ser agregados em quatro armazéns - três em Portugal continental e um na Madeira.
Da Madeira já seguiu, por via marítima, um contentor com destino ao continente. No armazém de Sintra, existem "242 paletes prontas para sair para Venezuela"; no Porto, o "armazém está cheio". Em Aveiro, onde os bombeiros disponibilizaram um espaço para guardar os produtos, deverá partir, na segunda-feira, "um camião TIR" com bens rumo ao armazém principal, localizado na Terrugem, Sintra, segundo o responsável.
Donativos prioritários e envio em aviões da TAP
No conjunto das paletes - pelo menos 400 - encontram-se sobretudo materiais considerados prioritários, além de alguma roupa e comida. Como frisa Christian Höhn, "O que mais precisamos são medicamentos, material de primeiros socorros e equipamentos de proteção para socorristas, como luvas e capacetes". A partir de meados da próxima semana, acrescenta, os envios deverão começar a seguir por avião da TAP para a Venezuela.
Apelo por monta-cargas para acelerar a operação
Para facilitar a movimentação e organização dos volumes, o líder da Venexos deixa também um pedido a quem consiga emprestar monta-cargas. Neste momento, explica, a associação está a pagar a utilização deste tipo de equipamento e uma parte significativa do trabalho continua a ser feita manualmente, o que torna o processo mais demorado.
Solidariedade global
Em Portugal, prevê-se que centenas de voluntários estejam diretamente envolvidos nas tarefas. Este sábado, no armazém de Sintra, trabalham lado a lado "americanos, portugueses, brasileiros, venezuelanos" e pessoas de outras nacionalidades, unidas pela vontade de ajudar a ordenar e preparar os donativos. "Temos pessoas de outras nacionalidades e os portugueses têm sido impecáveis", reforça Christian Höhn.
Também entre os doadores há diversidade de origens. "um grupo de argentinos reuniu-se e ajudou, um grupo de americanos também", relata, concluindo que a "solidariedade tem sido global".
Necessidades prolongadas na Venezuela após os sismos
A Venexos tenciona manter as recolhas, uma vez que as carências no terreno deverão estender-se no tempo. A hipótese de encontrar sobreviventes diminui a cada dia, mas continuam a existir cerca de "40 mil desaparecidos" e muitas pessoas "na rua". Os sismos destruíram parte do país, gerando um "impacto económico e social muito grande". "Vai haver muita gente afetada durante muito tempo. Não serão meses, serão alguns anos para reconstruir tudo", estima o presidente da associação.
A família de Christian Höhn que vive na Venezuela não foi atingida diretamente, mas o contacto com amigos tem-lhe trazido relatos de "desespero total". "Tenho amigos que perderam os filhos, a mulher e outros entes queridos. Há pessoas que ainda têm familiares desaparecidos. Há pessoas que perderam os negócios, as casas".
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