Daniel Harding, o “maestro voador” entre música e aviação
Duas paixões têm orientado o percurso de Daniel Harding: a música e a aviação. O “New York Times” deu-lhe o epíteto de “o maestro voador”, já que, em 2020, tanto comandava sinfonias de Mozart e de Mahler como pilotava voos comerciais com destino a Milão, Tunes, Estocolmo e Paris. Depois de mais de 700 horas de formação, estudos e cursos, Harding conquistou o brevê de piloto e resumiu assim o contraste entre as duas atividades: “na cabina de pilotagem, fazem-se todos os esforços para evitar perigos e afastar catástrofes; na música, é o contrário, temos de nos aproximar o mais possível da catástrofe.” Com o vírus da aventura bem presente, recusou escolher entre um caminho e o outro. O resultado é uma extravagância gigantesca e rara: um maestro capaz de pilotar os aviões que levam os músicos da sua própria orquestra.
Concerto no Festival de Sintra com a Mahler Chamber Orchestra
Na 60ª edição do Festival de Sintra, este é o convidado que, às 21h30 de sábado, sobe ao palco do Centro Cultural Olga Cadaval para dirigir a Mahler Chamber Orchestra. Ao seu lado estará o trompetista sueco Hakan Hardenberger, num programa apresentado ao público com obras de Haydn, Hummel e Beethoven.
A atividade internacional mantém-se intensa: em abril, Harding encontrava-se também em digressão europeia com a Orquestra da Academia de Santa Cecília, tendo assinado em Paris um espetáculo muito aclamado, com peças de Brahms e Strauss.
Um percurso precoce: de Abbado à Filarmónica de Berlim
Aos 17 anos, já demonstrava mestria com a Orquestra de Birmingham, sob a proteção de Simon Rattle. Não tardou a tornar-se o aluno predileto de Claudio Abbado e a afirmar-se como estrela do pódio no Festival de Aix-en-Provence. Como assistente de Abbado, dirigiu muito cedo a Filarmónica de Berlim.
Entretanto, Harding chegou ao meio século de vida. Como observa a maestra australiana Simone Young, “aos 50 anos um maestro ainda é um bebé e à sua frente estende-se uma longa carreira a ser percorrida, sendo necessária uma permanente aprendizagem”. Na capa da revista francesa “Le Monde de La Musique” (num número de 2003), lia-se “este maestro irá longe”, profecia que acabaria por se cumprir.
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