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Zeekr 8X: o SUV híbrido recarregável de 1400 cv e 900 V que chega da China

Carro elétrico verde Zeekr 8X estacionado dentro de um edifício moderno com janelas de vidro.

A Zeekr não pretende ser “apenas mais uma marca chinesa”. Com a entrada em Portugal cada vez mais próxima, a insígnia posiciona-se como o braço de tecnologia e luxo do Grupo Geely (dono da Volvo, Polestar e Lotus). No mercado doméstico, a fórmula passa por atacar os segmentos de topo, evitando a lógica de competir pelo preço mais baixo.

No Salão de Pequim, a marca apresentou um trunfo claro para sustentar essa ambição: o 8X, um SUV híbrido recarregável de grandes dimensões, com mais de cinco metros de comprimento. E, como se isso não chegasse, passa também a ser - a par do 9X, o outro SUV assente na mesma base, mas maior e com três filas de bancos - o SUV mais potente do mundo.

Mais potente que um Ferrari F80

O dado que coloca o Zeekr 8X num patamar à parte é a potência: 1400 cv ou 1030 kW. Nunca existiu um SUV com valores tão elevados. Para lá chegar, junta um motor 2,0 litros turbo com 279 cv a três motores elétricos: um à frente com 290 kW (394 cv) e dois atrás, cada um com 370 kW (503 cv). O resultado é uma vantagem de mais 200 cv face a um Ferrari F80 e a capacidade de este SUV enorme e pesado (2,8 toneladas) cumprir os 0-100 km/h em menos de três segundos (2,96s, para sermos exatos).

Será excessivo? Talvez. Quem preferir uma configuração mais contida pode escolher o Zeekr 8X com dois motores elétricos. Nesta versão, abdica de um dos motores traseiros e a potência combinada máxima fica por uns mais “modestos” 660 kW (897 cv). Ainda assim, mantém-se muito rápido: 3,7s dos 0-100 km/h.

Arquitetura de 900 V

Mesmo sendo um híbrido recarregável, a sua base elétrica deixa para trás muitos modelos 100% elétricos. Se os 800 V começam a afirmar-se como novo padrão de referência na Europa para a gama alta, o Zeekr 8X já chega aos 900 V - um valor que começa a tornar-se o novo normal nos patamares mais elevados do mercado chinês.

Com base na plataforma SEA-S Super Hybrid (uma evolução da Sustainable Experience Architecture do Grupo Geely), o Zeekr 8X usa os 900 V para elevar o estado de carga da bateria de 20% para 80% em apenas nove minutos. E as baterias são de grande capacidade, ao nível - e por vezes acima - do que se encontra em muitos elétricos puros: 55 kWh ou 70 kWh.

Em ciclo WLTP, este “colosso” anuncia entre 256 km e 328 km de autonomia em modo elétrico, consoante a bateria. Se somarmos a contribuição do motor de combustão, a autonomia total combinada pode atingir 1205 km (WLTP).

Mais tecnológico e luxuoso do que nunca

Como se espera num topo de gama, o Zeekr 8X é carregado de tecnologia: recorre a inteligência artificial para gerir em tempo real a suspensão pneumática de câmara dupla e as barras estabilizadoras ativas, e estreia um novo assistente de voz que passa a poder intervir também no chassis, não ficando limitado ao sistema de infoentretenimento.

Na área da assistência à condução, conta com cinco sensores LiDAR e ainda com visão noturna, suportada por um sistema de visão por infravermelhos.

No capítulo do conforto a bordo, tudo aponta para um nível muito elevado. Vai desde a possibilidade de ver filmes em Cinema 5D - com sincronização entre o conteúdo e o movimento dos bancos, a iluminação ambiente, a climatização e até fragrâncias - até ao sistema de som Naim com 29 altifalantes e 3868 W. Os bancos “gravidade zero” reclinam até 137º e há também um frigorífico com 9,5 litros.

Só na China podia custar tão pouco

O Zeekr 8X impressiona tanto pelo que entrega como pelo valor pedido: começa nos 356 800 remimbi, o que equivale a cerca de 44,6 mil euros ao câmbio atual. É, sensivelmente, o mesmo que custa um Tesla Model Y em Portugal.

Não surpreende, por isso, que este SUV gigantesco, luxuoso e extremamente potente tenha somado cerca de 10 mil encomendas apenas 30 minutos após a sua chegada ao mercado. O lançamento arranca na China, mas está previsto que chegue a mais mercados a partir do terceiro trimestre deste ano. Resta confirmar se a Europa estará na lista e, caso venha a acontecer, dificilmente por menos de 45 mil euros.

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