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Teste ao Suzuki Vitara Strong Hybrid: compensa face ao mild-hybrid?

Automóvel SUV verde Suzuki Vitara SH exibido em plataforma branca com motor híbrido ao lado.

A Suzuki já não é novata em motorizações eletrificadas - foi das primeiras marcas a «democratizar» a tecnologia mild-hybrid -, mas com o Vitara Strong Hybrid a eletrificação sobe claramente de nível.

Aqui falamos de um híbrido convencional e, mais importante, do primeiro sistema deste tipo desenvolvido pela própria Suzuki. É certo que existe o Swace híbrido, porém não passa do «irmão gémeo» do Corolla. Desta vez, cabe ao Vitara a «responsabilidade» de estrear esta solução na gama do construtor japonês.

Tendo em conta que, quando experimentei o Vitara mild-hybrid com o 1.4 Turbo, um dos seus trunfos foram os consumos controlados, a pergunta impõe-se: no «mundo real», até que ponto o Vitara Strong Hybrid consegue gastar menos para justificar os 4500 euros adicionais face ao mild-hybrid?

É mais potente?

Antes de medir o seu «apetite», vale a pena olhar para a cadeia cinemática do Vitara Strong Hybrid e compará-la com a do mild-hybrid. E aqui surge uma curiosidade: no papel, o Strong Hybrid apresenta números inferiores aos do seu equivalente mild-hybrid.

Enquanto o Vitara 1.4 turbo mild-hybrid 48 V anuncia 129 cv e 235 Nm, o novo Vitara Strong Hybrid combina o K15C - um quatro cilindros a gasolina, atmosférico, com 1.5 l, 102 cv e 138 Nm - com um motor-gerador elétrico de 33,4 cv (24,6 kW) e 60 Nm. Ainda assim, a potência máxima combinada fica em 115 cv.

É verdade que, por vezes, os valores «enganam», mas neste caso a sensação ao volante confirma a ficha técnica: depois de conduzir ambas as versões, a variante mild-hybrid mostra-se mais pronta e mais rápida a responder do que este Strong Hybrid.

No entanto, o principal responsável não é tanto o motor, mas sobretudo a transmissão. O mild-hybrid mantém a caixa manual de seis velocidades, bem escalonada e com um tato mecânico convincente. Já o Vitara Strong Hybrid estreia uma caixa robotizada (semiautomática) chamada Auto Gear Shift (AGS).

Na prática, a AGS automatiza o funcionamento da caixa manual e controla a embraiagem, mas fica longe de ser uma referência. A atuação é suave e o escalonamento tende a ser longo, porém o aspeto que mais penaliza a utilização diária é a lentidão, sobretudo quando comparada com caixas automáticas tradicionais (com conversor de binário) ou com soluções de dupla embraiagem mais rápidas.

Essa demora torna-se particularmente evidente em manobras como ultrapassagens. Em várias ocasiões, tive de repensar a manobra porque a caixa foi demasiado lenta a fazer as reduções necessárias para «espevitar» o motor. Podemos intervir através das patilhas no volante ou do seletor da caixa, mas nem assim se consegue disfarçar a falta de rapidez na resposta.

Há ainda um modo “Sport” que apressa os procedimentos, mas também tende a «esticar» demasiado as mudanças, o que acaba por chocar com o funcionamento habitualmente suave e silencioso do conjunto híbrido.

No fundo, percebe-se que o novo Suzuki Vitara Strong Hybrid prefere andamentos tranquilos, onde o seu potencial de poupança pode «brilhar». A questão é: será mesmo assim na estrada?

É mais económico?

É no campo dos consumos que os híbridos convencionais costumam destacar-se. A máquina elétrica tem mais potência e maior capacidade de intervenção do que num mild-hybrid, ajudando em mais situações e aliviando o esforço do motor térmico.

No caso do Vitara Strong Hybrid, notei que é especialmente sensível à forma como se usa o pedal direito. Sim, dá para ver consumos abaixo dos cinco litros - cheguei a apontar 4,8 l/100 km -, mas isso exige uma condução muito moderada.

Com um ritmo normal, os valores oscilaram muitas vezes entre 6,0 l/100 km e 6,5 l/100 km. São números interessantes, sem dúvida, mas… acabam por ficar em linha com os que obtive ao volante do Vitara mild-hybrid.

Assim, o maior argumento desta nova variante híbrida não é tanto a diferença de consumo, mas a possibilidade de circular em modo elétrico. É algo que o sistema privilegia com frequência e, melhor ainda, sem que o condutor quase se aperceba de que a mudança de modo aconteceu.

De resto, a suavidade global do sistema híbrido merece elogios: para uma estreia nesta tecnologia, a Suzuki mostra que fez o «trabalho de casa».

É o carro certo para si?

No restante, o Suzuki Vitara mantém-se como uma opção apelativa para quem procura um B-SUV. Além disso, continua a ser uma das poucas propostas do segmento com tração integral - Allgrip, na linguagem da Suzuki -, como acontece na unidade ensaiada.

Se o desenho exterior ainda se apresenta atual, no habitáculo a idade já começa a notar-se. A qualidade de montagem está num bom nível e, embora os materiais sejam maioritariamente duros, transmitem uma sensação de robustez.

Ainda assim, o sistema de infoentretenimento já «pede» uma substituição - o do novo S-Cross é bem melhor - e existem escolhas de ergonomia (como os comandos do computador de bordo) que soam algo anacrónicas.

Em termos dinâmicos, continua a ser um modelo agradável de conduzir, e o espaço a bordo é suficiente para responder às necessidades de uma família jovem.

Nesta versão GLX, a mais equipada, a lista de série continua bastante completa, mas os mais de 34 mil euros pedidos são difíceis de ignorar - e ficam bem acima do equivalente 1.4 Turbo mild-hybrid 48 V - num segmento onde existem alternativas híbridas mais acessíveis e também mais frugais.

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