A ministra da Saúde disse esta sexta-feira estar apreensiva com a atual onda de calor e com o impacto que poderá ter na saúde pública. Antecipou dias particularmente exigentes e pediu à população - com especial insistência junto das pessoas mais velhas - que reforce a ingestão de água e evite a exposição ao sol.
DGS ativa Nível 2 - Laranja do Plano Nacional de Preparação e Resposta Sazonal em Saúde
A posição de Ana Paula Martins surge na sequência da decisão da Direção-Geral da Saúde (DGS), que durante a tarde de hoje ativou o Nível 2 - Laranja do Plano Nacional de Preparação e Resposta Sazonal em Saúde. Esta ativação, motivada pelas temperaturas elevadas, corresponde a um cenário de risco elevado para a saúde da população.
Em Guimarães, no distrito de Braga, após uma visita à Unidade Local de Saúde Alto Ave, a ministra explicou aos jornalistas o que levou a DGS a avançar para este patamar.
"O risco aumentou porque temos mais afluência em algumas urgências, não é no país inteiro, ainda. A situação de número de casos de afluências às urgências, e também dos pedidos de apoio e socorro ao INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica] e ao SNS24, justificam que não esperemos para que a situação piore. Ter subido ao Nível 2, Laranja, além dos indicadores que temos, sabemos que os próximos dias são de grande risco e precisamos de ter as equipas em prontidão, nomeadamente nos cuidados de saúde", explicou.
De acordo com a governante, o acionamento deste nível de contingência pretende garantir que todas as unidades hospitalares no país se organizam e ficam preparadas para o que aí vem nos próximos dias.
"É muito importante que as pessoas tenham a noção de que estamos a atravessar um período muito difícil. Não posso deixar de dizer olhos nos olhos aos portugueses e às portuguesas que é caso para estarmos preocupados, nós estamos preocupados, estamos aqui para fazer tudo o que for preciso para proteger as pessoas, mas também têm de nos ajudar e têm de cumprir, por favor, as regras que a Direção-Geral da Saúde tem posto cá fora", apelou Ana Paula Martins.
Onda de calor: avisos e recomendações de Ana Paula Martins para a população sénior
A ministra referiu que as temperaturas "vão e estão a atingir valores elevados" pelo menos durante os próximos cinco a seis dias, um quadro agravado pela ausência de arrefecimento noturno. Este fator, sublinhou, aumenta o risco para as pessoas mais idosas, em particular para quem tem mais de 75 anos, deixando um apelo direto.
"Por favor, procurem ficar em casa, por favor, estejam em ambientes, se for possível, mais frescos, não se exponham a estas temperaturas, bebam água, mesmo que não tenham sede e sigam as recomendações da Direção-Geral da Saúde, dos nossos médicos de família, das nossas autoridades. As câmaras, as autarquias estão ajudar-nos com espaços onde há ar condicionado e, sobretudo, se não se sentirem bem, telefonem para o SNS24 ou para o INEM, se for uma situação mais urgente", pediu Ana Paula Martins.
Recordando a maior vulnerabilidade da população sénior a temperaturas extremas, nomeadamente em contexto de ondas de calor, a ministra frisou que o Governo e as autoridades de saúde estão a "fazer tudo" em articulação com a Proteção Civil e com as restantes áreas governativas. Acrescentou ainda que o trabalho está a ser feito "24 sobre 24 horas por dia para informar as pessoas e para prevenir".
Ana Paula Martins destacou também a realidade dos "muitos idosos" que vivem sozinhos e solicitou o envolvimento de vizinhos, membros da comunidade, juntas de freguesia e autarcas, para que essas pessoas sejam sinalizadas e apoiadas em dois pontos que considerou essenciais.
"Primeiro: hidratação, hidratação, hidratação, e a segunda é para não estarem expostas a esta onda de calor. Vão ser muitos dias seguidos, cinco, seis dias com a possibilidade de haver prolongamento. São muitos dias para uma diferença de temperatura tão grande e para amplitudes térmicas que são muito pequeninas", avisou a governante.
Sobre a eventual subida da mortalidade associada a esta onda de calor, a ministra da Saúde esclareceu que apenas dentro de algumas semanas será possível fazer essa avaliação.
Reflexos no funcionamento hospitalar, cirurgias e consultas programadas
A ativação do Nível 2 - Laranja pela DGS no âmbito do Plano Nacional de Preparação e Resposta Sazonal em Saúde terá igualmente impacto na atividade assistencial programada, incluindo cirurgias e consultas.
"Eventualmente, em algumas unidades [hospitalares], haverá algumas cirurgias que não são urgentes e que têm de ser reprogramadas, algumas consultas também terão de ser reprogramadas, porque temos de ter os nossos profissionais [de saúde] disponíveis para receber os casos, sobretudo, de descompensação ao nível cardiorrespiratório que, naturalmente, nestas alturas ocorrem, e que são a tal causa de mortalidade", adiantou Ana Paula Martins.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário