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Marcas premium e superluxo em Portugal: 26 508 matrículas no semestre

Carro elétrico desportivo verde metálico exposto numa sala com janelas amplas para o rio e a ponte.

Apesar da subida do custo de vida, das taxas de juro elevadas e do clima de incerteza económica, em Portugal a procura por automóveis de prestígio continua firme. Entre janeiro e junho foram matriculados 26 508 veículos de marcas premium - uma média de 146 carros por dia.

A Mercedes-Benz mantém-se na dianteira de um segmento que não dá sinais de travar. E, no patamar mais exclusivo, Ferrari, Bentley e Lamborghini ajudam a sustentar a ideia de que o mercado do superluxo segue praticamente imune a uma eventual desaceleração.

Marcas premium em Portugal: 26 508 matrículas segundo a ACAP

Os números da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) indicam que, no primeiro semestre, as matrículas de automóveis de marcas premium atingiram 26 508 unidades. Trata-se de um crescimento de 7,6% face ao mesmo período do ano passado, quando tinham sido vendidos 24 627 veículos.

Importa sublinhar que nem todos estes automóveis se enquadram no conceito clássico de luxo. Marcas como Mercedes-Benz, BMW, Volvo e Audi também têm na gama propostas pensadas para um público mais vasto. Ainda assim, continuam a liderar graças ao peso da imagem, à tecnologia e inovação, e ao elevado valor de revenda.

Fabricantes protegem margens

No panorama das marcas, a Mercedes-Benz reforça a posição como principal referência premium e continua entre as mais vendidas. A BMW aparece logo a seguir, mantendo um percurso estável de crescimento. A Volvo sustenta um lugar de destaque, muito apoiada na forte aposta na eletrificação. Já a Audi acelera de forma clara, com uma subida homóloga de 12,5%, beneficiando da renovação da gama e do reforço da oferta elétrica.

Este padrão acompanha uma tendência visível um pouco por toda a Europa: os fabricantes premium têm conseguido defender melhor as margens de lucro ao concentrarem esforços em modelos com maior valor acrescentado, eletrificação, versões topo de gama e níveis de equipamento altamente personalizados.

Ainda assim, o semestre não foi favorável para todas. A Porsche, historicamente uma referência entre os desportivos de luxo, atravessou um período mais exigente, com uma quebra de 27,2% nas vendas. A descida coincide com uma fase de transição da gama, marcada pela atualização de modelos emblemáticos como o Cayenne, o Panamera e o elétrico Taycan. A Land Rover também recuou 21,6%. Já a Maserati registou uma queda expressiva de 47,8%, reflexo da reorganização em curso na marca italiana e da menor disponibilidade de alguns modelos.

China mais premium

Em contraciclo, começam a afirmar-se em Portugal novas marcas premium provenientes da China. A Nio e a Zeekr, focadas exclusivamente em veículos elétricos, mostram os primeiros sinais de progressão. A Polestar, por sua vez, aumentou as vendas em 20,2%, reforçando a leitura de que o premium elétrico está longe de abrandar.

Superluxo: preços acima de 250 mil euros e produção por encomenda

No topo da pirâmide - onde os preços ultrapassam com facilidade os 250 mil euros e muitos automóveis são praticamente feitos por encomenda - os resultados dependem em grande medida da entrega de unidades específicas. Ainda assim, o balanço do semestre foi positivo.

No total, foram matriculados 116 automóveis de superluxo em Portugal. A Aston Martin destacou-se ao passar de 25 para 32 unidades. A Bentley subiu de 25 para 28 automóveis, enquanto a Lamborghini avançou de 19 para 24 matrículas. A Ferrari cresceu apenas uma unidade, para 20 veículos, evidenciando a estratégia da marca italiana de privilegiar a exclusividade e limitar a produção mundial para preservar valor e procura. A exceção voltou a ser a Maserati, que desceu de 23 para 12 unidades.

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