Alexander Zverev acaba de conquistar o seu primeiro troféu de Grand Slam, mas o caminho até ao topo esteve longe de ser linear. Entre fortes dores nas costas e a necessidade de controlar a diabetes, o alemão admite ter recorrido a perto de uma centena de injecções antes de entrar nos courts parisienses.
No dia 7 de junho, Zverev calou finalmente quem duvidava da sua capacidade para ganhar um título maior. O tenista ergueu, em Roland-Garros, o primeiro Grand Slam da carreira na terra batida, depois de uma final muito disputada frente ao italiano Flavio Cobolli.
Um Grand Slam em Roland-Garros com um quadro favorável
A prova acabou por abrir espaço para si logo nas rondas iniciais. Carlos Alcaraz, tricampeão em título, foi obrigado a desistir antes do torneio devido a lesão. Já Jannik Sinner e Novak Djokovic foram eliminados, respectivamente, na segunda e na terceira ronda. Com isso, Zverev passou a ser o cabeça de série mais bem colocado ainda em competição - e com a pressão acrescida que isso implica.
Pressão que conseguiu administrar. O triunfo também serviu para interromper uma sequência negativa em finais de Grand Slam: esta era a sua quarta tentativa ao mais alto nível, após três desaires consecutivos. Ainda assim, o título teve um custo físico evidente.
Entre dores nas costas e diabetes
Numa entrevista ao diário alemão BILD, Zverev detalhou a dimensão do tratamento que fez antes da consagração. O motivo principal foram dores recorrentes nas costas, acompanhadas pelo médico Hans-Wilhelm Müller-Wohlfahrt, que foi durante 23 anos médico da selecção nacional alemã de futebol e do Bayern Munique.
“Em dezembro, ele fez-me muitas injecções. Talvez não 70, mas certamente à volta de 60. Graças a ele, pude jogar este ano sem dores”, contou o tenista. Depois do Masters de Roma, voltou a consultá-lo e recebeu mais 40 injecções nas costas, mesmo antes de Roland-Garros. “Ele teve claramente um papel importante neste título e ajudou-me imenso”, acrescentou.
Insulina no banco e uma questão que já gerou tensão
E não foi só o problema nas costas. A meio do quarto set da final frente a Cobolli, Zverev injectou insulina no banco para controlar a diabetes tipo 1. A imagem não é irrelevante, até porque durante muito tempo este assunto gerou fricção com os organizadores do torneio.
Em 2023, o alemão já tinha explicado que se via obrigado a usar as pausas para ir à casa de banho para administrar insulina, por não existir uma autorização inequívoca para o fazer em pleno court. “Só tenho duas pausas para ir à casa de banho por jogo, mas em cinco sets, por vezes, preciso de me injectar quatro ou cinco vezes”, dizia então à Eurosport Alemanha.
Entretanto, o cenário mudou. O jogador conseguiu uma isenção terapêutica junto da Agência Internacional de Integridade do Ténis, que o autoriza a utilizar insulina para regular a glicemia. E em Roland-Garros acabou por ver a sua pretensão aceite: agora pode injectar-se no court, sem restrições, durante as mudanças de lado.
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