Se em junho quer estar diante de flores com mais de um metro de altura, floreiras cheias e canteiros luminosos, em março há uma missão clara. A lenda da jardinagem Alan Titchmarsh e a especialista em plantas Sarah Raven concordam num ponto: os bolbos e tubérculos de floração de verão têm de ir já para a terra - caso contrário, o grande espetáculo simplesmente não acontece.
Porque é que março é tão decisivo para as flores de verão
Março encaixa no momento ideal: os dias alongam, o solo volta a descongelar e o sol recupera força. É exatamente isto que os bolbos de flores de verão precisam para criar raízes a tempo.
Ao plantar agora, dá às plantas vários meses de avanço. Nesse período, conseguem formar um sistema radicular robusto antes de chegar o calor e a secura do pico do verão. O resultado tende a ser caules mais firmes, flores maiores e uma floração mais prolongada.
Uma hora tranquila em março pode decidir semanas de cor em junho, julho e agosto.
Muitos jardineiros amadores, mal começa a primavera, pegam primeiro no corta-relva e na sacho. Titchmarsh sugere inverter a lógica: começar por lançar as bases da cor - isto é, plantar bolbos e tubérculos - e só depois tratar do resto.
Estes bolbos de verão devem ir já para a terra
Há bolbos e tubérculos de floração estival para todos os gostos e dimensões - desde a dália imponente até à frésia delicada. O ponto-chave é escolher o que faz sentido para o seu jardim ou varanda.
Para canteiros altos e verdadeiramente espetaculares
Quem procura “efeitos uau” nos canteiros deve apostar sobretudo nestas espécies em março:
- Lírios: flores elegantes, muitas vezes perfumadas; consoante a variedade, atingem 60 a 150 centímetros.
- Gladíolos: espigas florais esguias, excelentes para corte e jarras.
- Frésias: flores finas com aroma intenso; ótimas na frente do canteiro ou em vaso.
- Crocosmias: tons quentes de vermelho e laranja que dão movimento ao canteiro.
- Dálias: de forma esférica a “cacto” - os clássicos para paredes de cor no fim do verão.
- Allium (alho ornamental): globos florais redondos que parecem flutuar no meio das herbáceas.
- Íris-barbada: flores individuais marcantes, muito adequadas a locais soalheiros e secos.
Os especialistas recomendam que estas plantas não sejam colocadas isoladamente, mas sim em pequenos grupos de quatro a seis bolbos da mesma variedade. Assim formam-se ilhas de cor que funcionam mesmo vistas de longe.
Para varanda, terraço e jardins pequenos
Com pouco espaço, vasos, floreiras e cestos suspensos podem render muito mais do que parece. Titchmarsh destaca em especial:
- Begónias: florescem durante muito tempo, toleram meia-sombra e são ideais para floreiras e vasos.
- Petúnias: de porte pendente e muito floríferas - enchem rapidamente cestos e floreiras.
- Verbenas: formam tapetes densos de flores, perfeitos para recipientes ao sol.
- Rudbéquias (espécies de “chapéu-de-sol”): resistentes e de floração duradoura, com tons quentes de amarelo e laranja.
Muitas destas plantas combinam bem entre si: elementos mais altos no centro do vaso, variedades pendentes junto às bordas. O resultado são composições bem “almofadadas”, que se mantêm apelativas até ao outono.
Plantar bem: profundidade, distância e local
Regra base para bolbos: plantar a uma profundidade de cerca de duas a três vezes a altura do bolbo. Os tubérculos grandes de dália ficam mais superficiais, enquanto os bolbos de allium costumam entrar um pouco mais fundo.
| Planta | Profundidade de plantação | Distância | Local |
|---|---|---|---|
| Lírios | 10–15 cm | 20–30 cm | Sol a meia-sombra |
| Gladíolos | 8–10 cm | 10–15 cm | Sol pleno |
| Dálias | 5–8 cm | 40–60 cm | Local quente e soalheiro |
| Begónias | 3–5 cm | 20–25 cm | Meia-sombra |
No canteiro, compensa fazer uma verificação rápida ao solo: quase nenhuma bolbosa gosta de encharcamento. Terras pesadas e argilosas podem ser aligeiradas com areia ou gravilha fina. Os lírios, em particular, agradecem uma camada drenante de areia ou brita miúda no fundo da cova.
Plantação em vaso e floreira como um profissional
Titchmarsh prefere vasos grandes de terracota. É essencial que o furo de drenagem fique desimpedido para a água de rega sair sem obstáculos. Por cima do furo coloca-se um caco de barro ou um pouco de gravilha, seguido de uma camada de substrato sem turfa.
Os bolbos devem ser colocados com a ponta virada para cima, deixando espaço entre eles, cobrindo depois com terra e mantendo uma pequena borda livre para rega. Assim, mais tarde a água não transborda.
Regar, cuidar e garantir uma explosão de flores
Logo após a plantação, regue abundantemente uma vez para que a terra assente à volta do bolbo. Nas semanas seguintes, normalmente chega um ritmo controlado: melhor regas menos frequentes, mas profundas, deixando o substrato secar entre regas.
Regar de forma consistente, mas sem pressas - e as plantas retribuem com caules firmes e cachos de flores densos.
Titchmarsh também gosta de preparar as ferramentas antes de a época começar: pá, dibble (plantador), regador, luvas - tudo limpo, oleado e à mão. Quem não tem de andar à procura no barracão em junho mantém a rotina e não adia os cuidados.
O inimigo subestimado dentro do bolbo: tripes
Em muitos bolbos aparentemente saudáveis pode esconder-se uma praga quase invisível a olho nu: os tripes. Estes insetos minúsculos instalam-se entre as escamas, depositam aí os ovos e conseguem passar o inverno protegidos.
Os danos costumam só aparecer no verão:
- botões atrofiados
- manchas azuladas, com brilho prateado, nas pétalas
- zonas castanhas cicatrizadas nas folhas
Se usar bolbos guardados do inverno ou comprados num centro de jardinagem, vale a pena inspeccionar rapidamente: escolha apenas exemplares firmes e limpos e elimine os que estejam moles ou com bolor.
Tratamento suave antes de plantar
Uma mistura simples ajuda a travar tripes antes de causarem estragos. Recomenda-se:
- 1 litro de água
- 1 colher de sopa de sabão insecticida à base de sais de potássio de ácidos gordos
ou uma solução suave de sabão macio/sabão de Castela; em último caso, uma gota de detergente da loiça
Pulverize os bolbos, deixe secar por pouco tempo e repita o procedimento ao fim de três dias. Assim apanha também as larvas que entretanto tenham eclodido.
No caso de gladíolos, ranúnculos ou anémonas, alguns jardineiros recomendam ainda uma imersão curta, durante algumas horas, em água com um desinfectante doméstico à base de oxigénio ou de amónio. Tulipas, narcisos e dálias reagem de forma bem mais sensível a estes banhos e é preferível não os submeter a esse tratamento.
O que fazer se os estragos já começaram?
Se no verão já notar flores com cicatrizes ou marcas prateadas, ainda não está tudo perdido - mas convém agir:
- Ao fim da tarde, nebulize as folhas com uma solução de sabão macio a cinco por cento.
- Pendure placas adesivas amarelas entre as plantas - atraem muitos tripes voadores.
- Remova plantas muito deformadas, em vez de as manter.
- Antes do inverno, seque bem os bolbos a armazenar e guarde-os a 2–4 °C.
Bolbos que passaram meses num local quente e muito seco, como uma garagem, devem ser verificados com especial atenção antes de voltar a plantar. Sem esta confirmação, pragas invisíveis regressam ao canteiro.
Erros típicos em março - e como evitá-los
Muitos problemas com bolbos de verão têm causas simples. Três situações repetem-se com frequência:
- Plantar demasiado tarde: se os bolbos só forem para a terra no fim de abril ou em maio, muitas vezes não há tempo para enraizar com força. As plantas ficam mais frágeis e a floração encurta.
- Solo demasiado húmido: o excesso de água favorece a podridão. Se, depois de chover, fica uma poça por cima do local de plantação, é melhor repensar o sítio ou melhorar a estrutura do solo.
- Bolbos isolados no canteiro: exemplares solitários perdem impacto visual. Plantar em grupos cria muito mais efeito, mesmo em jardins pequenos.
Como o esforço de março compensa a longo prazo
Muitos bolbos de verão regressam ano após ano quando o local é adequado. Lírios e allium podem até multiplicar-se lentamente. Ao planear bem agora, vai construindo com o tempo uma base estável, que só precisa de reforços ocasionais.
Um truque prático: desenhe cada canteiro em papel e assinale onde ficou cada bolbo. Isto evita escavações acidentais quando for plantar herbáceas e ajuda a preencher falhas no fim do verão de forma mais certeira.
Em varandas pequenas de cidade, compensa uma estratégia diferente: poucos vasos grandes em vez de muitos pequenos. Retêm melhor a água, aquecem menos e dão espaço para combinações de dálias, begónias e variedades pendentes como as petúnias. Mesmo com poucos metros quadrados, é assim que surgem verdadeiras mini-paisagens floridas.
Se, ao olhar para canteiros ainda despidos em março, ficar na dúvida, há duas opções: esperar - ou encher o solo com bolbos e tubérculos. Depois, as plantas trabalham em silêncio e só semanas mais tarde se percebe o efeito real daquela única plantação.
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