O Volvo XC60 foi a estrela do primeiro ensaio em vídeo da Razão Automóvel, ainda em 2018, e voltou agora a cruzar-se connosco na configuração T6 Recharge.
Apesar do passar do tempo, esta segunda geração do SUV sueco mantém-se em ótima forma. A prova mais evidente é simples: continua, ano após ano, a ser o Volvo mais vendido.
Há cerca de um ano recebeu uma atualização discreta, com pequenos retoques visuais e a adoção de um novo sistema de infoentretenimento baseado em Android. Mudanças contidas - mas serão suficientes para o manter competitivo?
Visual (muito) familiar
Do lado de fora, o que mais salta à vista é a nova grelha e o pára-choques dianteiro redesenhado. Ainda assim, esta renovação trouxe também novos desenhos de jantes e novas cores para a carroçaria.
Por dentro, as novidades passam sobretudo por diferentes acabamentos e materiais. Mas é precisamente no habitáculo que este XC60 guarda a alteração mais relevante.
Sistema Android faz diferença
Com o restyling, o XC60 passou a contar com o novo sistema de infoentretenimento Android (estreado no XC40), desenvolvido em conjunto com a Google, com funcionalidades e aplicações da tecnológica integradas.
Na prática, este sistema dá acesso a apps e serviços Google - como Google Assistant, Google Maps e outras funcionalidades via Google Play - sem necessidade de recorrer a um smartphone.
Pode parecer um pormenor, mas acaba por mudar de forma clara a vivência ao volante deste Volvo, sobretudo para quem usa frequentemente o Google Maps. Como está integrado no sistema, pode ser mostrado do modo que for mais útil.
Por exemplo, é possível dar grande destaque à navegação no ecrã central de 9” ou no painel de instrumentos de 12” atrás do volante, e em ambos os casos “recebemos” as indicações no sistema de head-up display.
Só motores eletrificados
A Volvo já confirmou que, até 2030, toda a gama será 100% elétrica e que, antes disso, em 2025, pretende que 50% das vendas sejam de modelos 100% elétricos, ficando os restantes 50% para híbridos plug-in.
Essa estratégia já se reflete na oferta atual da marca, e este XC60 renovado não foge à regra: passa a estar disponível apenas com motorizações eletrificadas.
Assim, existe nas versões mild-hybrid Diesel B4 (197 cv) e B5 (235 cv), e nas variantes Recharge - a designação usada para os híbridos plug-in da gama: T6 Recharge (350 cv) e T8 Recharge (455 cv).
Espaço disponível convence?
Em matéria de habitabilidade, este XC60 T6 Recharge deixa boa impressão. Nos bancos traseiros, viajam confortavelmente dois adultos com mais de 1,80 m, e a bagageira disponibiliza 468 litros, que podem “crescer” até aos 1395 litros com os encostos traseiros rebatidos.
E ao volante?
Mal nos sentamos ao volante deste SUV escandinavo, a primeira nota vai para a posição de condução: é muito confortável, suficientemente elevada e garante boa visibilidade para a frente.
A unidade ensaiada, a T6 Recharge - com o nível de equipamento Inscription - recorre a um sistema híbrido que junta um motor a gasolina de 4 cilindros e 2.0 litros (com 253 cv) a um motor elétrico (107 kW) montado no eixo traseiro (assegura tração integral), além de uma bateria com 18,8 kWh de capacidade colocada numa posição central.
No total, isso traduz-se numa potência máxima combinada de 350 cv, suficiente para cumprir os 0-100 km/h em 5,7s e atingir 180 km/h de velocidade máxima - um limite eletrónico aplicado a todos os novos modelos da marca sueca.
A aceleração até aos 100 km/h impressiona, mas ainda mais interessante é a forma como a força chega ao asfalto: sempre muito progressiva, tornando a condução particularmente agradável.
Foco no conforto
Durante o ensaio, a direção pareceu-me pouco comunicativa, embora muito confortável e com a precisão necessária. Em contrapartida, a tração merece um registo muito positivo, inclusive fora de estrada.
Em autoestrada, e a ritmos mais elevados, sobressai sobretudo pela estabilidade que transmite e pelo conforto constante, mesmo em deslocações longas.
No que diz respeito ao pedal do acelerador, a resposta é bastante pronta. Já o travão - tantas vezes um ponto fraco em muitos híbridos plug-in - revela aqui uma calibração competente, com um feeling muito natural.
Percebe-se claramente que a prioridade é o conforto, o que faz com que este XC60 não mostre grande vontade de andar depressa em estradas mais sinuosas.
Ainda assim, há algo que não muda: “mexe-se” sempre bem, embora os movimentos laterais da carroçaria sejam percetíveis. Mesmo assim, com a potência disponível e a facilidade em colocar tudo no asfalto, é relativamente simples sair rápido das curvas quando se opta por um registo mais desportivo.
E os consumos?
Durante os dias em que estive com este Volvo XC60 T6 Recharge fiz 802 km, na sua maioria em autoestrada. Nesse contexto, com a bateria totalmente descarregada, obtive uma média de 7,9 l/100 km.
Por outro lado, com a bateria carregada e deixando o sistema híbrido gerir automaticamente, torna-se fácil baixar bastante os consumos: em cidade, consegui valores em torno dos 2,5 l/100 km.
Ainda assim, o grande argumento deste Volvo XC60 T6 Recharge é a autonomia em modo 100% elétrico: segundo a Volvo, pode chegar aos 79 km. No entanto, no “mundo real”, não me aproximei desse número. Mesmo assim, podem contar sem dificuldade com mais de 50 km de autonomia 100% elétrica por carga.
É o carro certo para si?
Dito de forma direta, o Volvo XC60 T6 Recharge aponta sobretudo às propostas alemãs - os seus maiores rivais, e quase os únicos… Face a elas, tem a vantagem (para alguns) de uma imagem menos agressiva e de um interior que transmite “calma” e “serenidade”.
A isso junta-se uma aposta muito evidente no conforto, o que pode agradar a quem prefere uma proposta menos centrada num comportamento mais desportivo.
Isto é: este Volvo XC60 T6 Recharge faz muitas coisas de forma diferente dos equivalentes da Audi, BMW e Mercedes-Benz. No meu entender, ainda bem. É precisamente essa diferença que o mantém relevante.
É muito agradável no dia a dia, extremamente confortável, cumpre com folga as tarefas familiares ditas “normais” - para uma família média - e apresenta-se com uma “roupagem” elegante e um interior muito bem montado, quase a lembrar um loft moderno em Estocolmo.
Do lado menos positivo, não é um modelo especialmente comunicativo para o condutor, sobretudo quando “apertamos” o ritmo e tentamos explorar os 350 cv de potência máxima de uma forma mais desportiva. Mas, em abono da verdade, não foi com esse propósito que foi concebido.
Quanto a esta motorização, e como digo sempre quando escrevo sobre um híbrido plug-in, só faz sentido se tiverem onde carregar com regularidade, para que grande parte das deslocações semanais - sobretudo em ambiente urbano - possa ser feita em modo 100% elétrico.
Caso contrário, poderá valer a pena “deitar o olho” às versões Diesel com sistema mild-hybrid, que muito provavelmente vos garantirão consumos mais baixos.
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