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Multiplicar rosas com arame: transformar ramos velhos em novas plantas

Mãos a amarrarem um ramo de roseira numa estrutura de madeira com arame num jardim ao pôr do sol.

Muitos jardineiros amadores cortam sem hesitar os ramos de roseira mais velhos e acinzentados, por os darem como perdidos. No entanto, em muitos desses ramos ainda há vitalidade suficiente para obter uma planta totalmente nova. Com um simples pedaço de arame, é possível orientar o fluxo da seiva de forma a provocar o aparecimento de raízes exactamente no ponto desejado - sem ferramentas especiais e sem equipamento profissional caro.

Porque não deve cortar demasiado depressa ramos de roseira “cansados”

Um ramo de roseira pode parecer cinzento, lenhoso e quase sem vida - e a tesoura de poda já está na mão. Muitas vezes, é precipitado. Enquanto a madeira não estiver completamente ressequida, ainda há circulação de seiva no interior. Essa energia residual pode ser aproveitada com inteligência para transformar um “ramo problemático” num novo pé de roseira, saudável e vigoroso.

Isto é particularmente valioso em variedades antigas que hoje quase não se encontram à venda. Em vez de eliminar o último rebento aproveitável e ficar com o prejuízo, pode convertê-lo numa planta independente. A lógica por trás desta técnica é, no essencial, a mergulhia (marcottage), mas aqui aplicada com um uso muito controlado de arame.

"Com um arame fino, o fluxo de seiva é apenas parcialmente travado. Acima do ponto de pressão acumulam-se hormonas - e é exactamente aí que surgem novas raízes."

O que acontece dentro da roseira: vasos condutores e estímulo para enraizar

Em cada ramo de roseira funcionam dois sistemas de condução: o xilema leva água e nutrientes para cima, até à copa; o floema, logo por baixo da casca, assegura o transporte de açúcares e hormonas de crescimento - sobretudo auxinas - no sentido descendente. São essas auxinas que desencadeiam a formação de raízes.

Quando um arame macio, com cerca de 1 a 2 mm, é apertado à volta da casca, dá-se o seguinte:

  • O floema fica comprimido e o retorno das hormonas para baixo abranda muito.
  • O xilema mantém-se, em grande parte, funcional; a água e os minerais continuam a subir.
  • Acima do ponto do arame, acumulam-se auxinas e outras substâncias.
  • Entre três a seis semanas, forma-se ali um calo de enraizamento visível - um engrossamento a partir do qual, mais tarde, se desenvolve um sistema radicular próprio.

Os melhores momentos para o fazer são dois: muito no início da primavera, quando a pressão da seiva aumenta, ou no final do verão, quando a planta ainda está activa, mas já fora do pico. Nestas fases, a roseira reage mais depressa.

Escolher o ramo certo: nem demasiado novo, nem demasiado velho

A escolha do ramo é determinante. O ideal são ramos do ano anterior, saudáveis, sem fendas e com uma espessura aproximada à de um lápis. Rebentos demasiado finos e recentes tendem a secar com facilidade; ramos muito velhos e fortemente lenhosos costumam reagir mais lentamente.

O ponto do arame deve ficar a cerca de 15 cm da base do ramo. Aperte o arame o suficiente para marcar bem a casca, mas sem a cortar. A planta tem de continuar a ser alimentada; o objectivo é apenas travar o retorno das hormonas.

Que materiais são realmente necessários

A boa notícia: esta técnica não exige material profissional. Um equipamento de jardinagem caseiro é mais do que suficiente. Vai dar jeito ter:

  • Arame macio (1–2 mm) ou arame de cobre
  • Alicate de bico/chato para apertar o arame
  • Tesoura de poda afiada e desinfectada
  • Vaso ou pequeno recipiente de plantação com prato
  • Mistura de 50% substrato de terra leve para vasos e 50% areia lavada
  • Cobertura transparente (garrafa de plástico, mini-estufa/filme ou cúpula)
  • Etiqueta com a data, para controlar o momento certo

Quem jardina num clima muito húmido ou fresco faz, muitas vezes, melhor em optar por arame de cobre. O cobre tem um efeito ligeiramente antibacteriano e pode reduzir o risco de apodrecimento na zona de pressão.

Passo a passo: como colocar o arame no local certo

1. Seleccionar um ramo adequado

Procure um ramo vigoroso do ano anterior, num pé de roseira o mais saudável possível. Deve ter gomos bem formados e não apresentar danos.

2. Colocar e apertar o arame

Posicione o arame a cerca de 15 cm do ponto de inserção do ramo. Dê uma a duas voltas e aperte com o alicate. A casca deve ficar visivelmente marcada, mas não pode ser cortada. Nas semanas seguintes, um ligeiro “inchaço” logo acima do arame é um bom sinal.

3. Aguardar três a seis semanas

Ao fim de três a seis semanas, forma-se um calo acima do arame. Se a zona estiver firme e ligeiramente engrossada ao toque, é porque começou a formar-se um ponto de enraizamento. Nesta fase, pode optar por continuar no solo (no jardim) ou avançar com a solução em vaso.

Dois caminhos para uma nova roseira: no solo ou no vaso

Variante A: mergulhia directamente no solo do jardim

Se tiver algum espaço, a abordagem clássica de mergulhia funciona muito bem:

  • Abrir, junto ao solo, uma pequena vala com cerca de 10 cm de profundidade.
  • Colocar uma base de mistura areia-terra, para que as futuras raízes cresçam soltas.
  • Baixar cuidadosamente o ramo preparado, de modo a que a zona do arame fique dentro da vala.
  • Fixar com um arame em U ou uma estaca, para manter o contacto com o solo.
  • Cobrir com terra e manter moderadamente húmido, evitando encharcamentos.

Muitos jardineiros só avaliam o progresso na primavera seguinte. Se já existirem raízes finas em quantidade, corta-se a ligação entre a planta-mãe e a zona enraizada com a tesoura e transplanta-se para o local definitivo.

Variante B: enraizamento em vaso

Quando não há espaço para baixar o ramo, ou quando se pretende mais controlo, a opção do vaso é a mais prática:

  • Cortar o ramo imediatamente abaixo do ponto do arame, garantindo que todo o calo fica na nova unidade.
  • Encurtar o ramo para cerca de 15 a 20 cm de comprimento.
  • Remover restos de folhas na parte inferior e espetar no composto areia-terra, enterrando cerca de dois terços do comprimento.
  • Regar bem no início e, depois, manter apenas ligeiramente húmido.
  • Cobrir o vaso com uma garrafa transparente ou cúpula, para criar humidade elevada.
  • Colocar em meia-sombra, evitando sol directo ao meio-dia.

Dois sinais indicam que correu bem: surgem rebentos novos na ponta e sente-se uma resistência clara ao puxar muito suavemente pelo ramo. Nessa altura, as raízes já se formaram e a cobertura pode ser retirada de forma gradual.

Quando a nova planta pode ir para o jardim

As plantas jovens obtidas no solo costumam ser separadas na primavera, quando o terreno já não está gelado, ou no início do outono, desde que ainda haja tempo de crescimento. Antes de plantar, solte bem a terra e, consoante o tipo de solo, incorpore um pouco de composto ou areia.

As roseiras enraizadas em vaso devem passar primeiro para um recipiente um pouco maior. Só quando as raízes ocuparem bem esse vaso compensa plantar no canteiro. Um tutor firme, colocado ligeiramente inclinado ao lado da planta, ajuda a proteger o arbusto jovem de partir com o vento.

Como evitar falhas e aumentar a probabilidade de sucesso

Em roseiras antigas que não sejam enxertadas, este método pode ter taxas de sucesso surpreendentemente elevadas. Para resultar, há algumas regras simples a cumprir:

  • Nunca trabalhar com geada nem em calor intenso.
  • Depois de apertar o arame, não ficar a mexer constantemente no ramo.
  • Regar quando o solo secar, mas impedir a formação de poças na zona de enraizamento.
  • Evitar rebentos muito frescos e demasiado moles: dobram com facilidade e secam.
  • Manter as ferramentas limpas, para reduzir infecções na zona de pressão.

Se tiver dúvidas, experimente em dois ou três ramos ao mesmo tempo. Muitas vezes, pelo menos um pega, e ganha prática para os anos seguintes.

Porque o arame de cobre pode ser uma escolha inteligente

Em vez de arame de ferro comum, muitos jardineiros preferem cobre. Há várias razões: o cobre mantém-se flexível, oxida mais lentamente e pode libertar, em quantidades mínimas, substâncias que dificultam o desenvolvimento de fungos e bactérias. Numa zona de pressão propositada, isso pode ser um pequeno bónus contra a podridão.

O arame deve ficar no sítio até o calo estar bem formado e a nova planta estar enraizada, seja no solo, seja no vaso. Só depois o deve retirar com cuidado, ou cortar o ramo abaixo do ponto do arame.

Mais do que “salvar”: multiplicar propositadamente variedades antigas preferidas

Esta técnica não serve apenas para recuperar roseiras debilitadas. Quem tem uma variedade especial no jardim - talvez uma herança de família, talvez uma favorita pelo perfume - pode produzir várias plantas geneticamente idênticas. Ao contrário da sementeira, a variedade mantém-se: a cor e o aroma das flores ficam exactamente iguais.

Isto torna-se particularmente interessante ao redesenhar canteiros: a partir de um pé de roseira já envelhecido, pode, com o tempo, formar um pequeno grupo de dois, três ou mais arbustos iguais. O resultado é um conjunto mais harmonioso e, ao mesmo tempo, as variedades mais bonitas ganham destaque.

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