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Choque económico do Irão: estreito de Ormuz, nafta e produtos do quotidiano

Mulher a consultar uma lista de compras num supermercado, com carrinho cheio e telemóvel apoiado.

O choque económico anunciado há cerca de dois meses está a tornar-se realidade - e a lista de bens do dia a dia apanhados pela subida de preços continua a crescer.

Há exactamente um mês, chamávamos a atenção para o efeito da guerra no Irão na economia global e, sobretudo, nos produtos do quotidiano. Para lá do impacto directo na energia, o fecho do estreito de Ormuz pelo Irão interrompeu também o fornecimento de nafta, a fracção do petróleo refinado que funciona como matéria-prima de base para toda a indústria petroquímica mundial.

Do estreito de Ormuz à prateleira: o papel da nafta

De forma muito geral, isto abrange mais de 90% dos objectos que usamos todos os dias: plásticos, têxteis sintéticos, medicamentos, embalagens, cosméticos, entre outros. Na altura, os especialistas apontavam para um intervalo de dois meses até o choque começar a reflectir-se de forma clara nos preços. Esse prazo está agora a esgotar-se.

Produtos afectados (por agora)

No início desta semana, a Karex - o grupo malaio que fabrica um preservativo em cada cinco no mundo, incluindo para a Durex - anunciou um aumento de preços que pode chegar a 30%. A empresa justifica a decisão com uma subida dos custos de produção na mesma ordem, acumulada ao longo de dois meses, impulsionada simultaneamente pela escassez de componentes petroquímicos e pela escalada das matérias-primas.

A pressão já não se limita a sectores específicos: está a chegar aos produtos mais banais do quotidiano. A Lactalis, dona de marcas como Président, Lactel e Galbani, avisou que vai repercutir nos seus preços de venda o impacto do conflito - o leite vai ficar mais caro. Os ovos poderão ser os seguintes, com um aumento na ordem dos 8%, e depois os produtos de charcutaria, com 10%.

Plástico e embalagens: a subida pode ir até 40%

Quanto ao plástico e a tudo o que dele depende - garrafas de água, sacos, máscaras cirúrgicas, embalagens de papel higiénico - a progressão poderá atingir… 40%.

A nossa análise

Quando falta nafta, embalagens, conservantes e materiais sintéticos tornam-se bens escassos. E, no fim da linha, é o consumidor que suporta a factura.

Os mais vulneráveis ficam mais expostos

As famílias com menores rendimentos, que destinam uma fatia maior do orçamento a bens essenciais, serão inevitavelmente as mais afectadas.

Infelizmente, nada indica uma melhoria rápida. Questionado sobre uma possível resolução do conflito, Donald Trump afirmou ter «todo o tempo do mundo» para negociar um acordo com o Irão. Assim, é razoável esperar aumentos ainda mais elevados.


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