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Tribunal de Contas alerta: 4000 mortes/ano por infeções nosocomiais em França

Enfermeira em uniforme azul a colocar luvas em ambiente hospitalar, com cama e equipamentos ao fundo.

O cenário é inquietante: em França, morre mais gente devido a uma infeção contraída no hospital do que em consequência de um acidente rodoviário.

A constatação é, no mínimo, perturbadora. Na segunda-feira, 27 de abril de 2026, o Tribunal de Contas lançou um alerta sobre o nível preocupante da qualidade dos cuidados prestados nos hospitais da França metropolitana. No seu relatório mais recente, refere que a reparação de danos evitáveis ultrapassaria os 11 mil milhões de euros, somando rehospitalizações após cuidados mal sucedidos e várias formas de indemnização.

Mais grave ainda: actualmente, regista-se um número anual de mortes por infeções nosocomiais - ou seja, adquiridas no hospital - superior ao de vítimas mortais na estrada. Para o Tribunal de Contas, a “não qualidade” dos cuidados nos hospitais franceses constitui um “desafio maior”.

Um alerta do Tribunal de Contas sobre a qualidade dos cuidados hospitalares em França

O relatório indica que 13 milhões de pessoas recebem tratamento todos os anos em cerca de 3000 estabelecimentos de saúde, abrangendo hospitais públicos, unidades privadas e privadas sem fins lucrativos. Ainda assim, segundo a instituição, estes estabelecimentos prestam cuidados com um nível de qualidade considerado demasiado insuficiente. Ano após ano, milhares de doentes acabam por ser afectados por erros médicos.

4000 mortes por ano em França após um internamento

Infeção nosocomial: definição e incidência

Actualmente, cerca de 6% dos doentes contraem uma infeção nosocomial. Trata-se de uma infeção adquirida durante ou após uma hospitalização e que não estava presente no momento da admissão do doente no estabelecimento de saúde. Nos casos mais graves, uma infeção nosocomial pode levar à morte.

Em França, 4000 pessoas morrem todos os anos na sequência de uma infeção nosocomial. Em comparação, “apenas” 3260 mortes foram registadas nas estradas no ano passado, ou seja, uma diferença de 740 óbitos. A situação preocupa ainda mais porque o Tribunal de Contas considera que estes acontecimentos graves são subnotificados, apesar de a declaração ser obrigatória por lei.

Subnotificação e medidas propostas para reforçar a “cultura de qualidade”

Perante este quadro, a instituição defende uma aplicação mais rigorosa desta “obrigação legal” e propõe ainda a inclusão de um módulo específico na formação inicial dos médicos, com o objectivo de melhorar a “cultura de qualidade”.

Para o Tribunal de Contas, mais de um terço dos erros médicos, das infeções ou das mortes ocorridas após uma operação poderiam ser evitados, o que torna o diagnóstico ainda mais inquietante.

Custos da reparação e dos cuidados sem valor

A reparação dos danos associados à morte de um doente na sequência de uma infeção nosocomial custa entre 2,2 e 5,2 mil milhões de euros. Alargando o âmbito às restantes causas, o Tribunal de Contas estima que a reparação de danos evitáveis ultrapassa os 11 mil milhões de euros, enquanto o montante dos cuidados considerados inúteis ou de baixo valor ascende a 22 mil milhões de euros.

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