A primavera está apenas a começar - e, ainda assim, é agora que se decide se o seu jardim vai explodir em flor no verão ou se vai ficar com falhas.
Quem, em julho, fica a olhar para zonas despidas no canteiro sem saber o que fazer, quase sempre deixou passar uma oportunidade em abril. Ao escolher os tubérculos e bolbos de verão certos, define já a base para meses de cor, sem ter de andar constantemente a comprar plantas novas para tapar espaços.
Porque é que abril é a chave “secreta” para a floração de verão
Em abril, o solo começa a ganhar vida: já não está gelado, mas ainda conserva boa parte da humidade acumulada no inverno. É precisamente esta combinação que agrada à maioria das plantas de floração estival cultivadas a partir de tubérculos e bolbos.
Quem planta em abril dá às flores de verão uma vantagem - raízes mais fortes, menos stress com regas e uma floração mais prolongada.
Antes de chegarem os períodos de calor, as plantas têm tempo para desenvolver, com calma, o sistema radicular. Como resultado:
- o solo à volta do tubérculo não seca tão depressa,
- vai precisar de pegar menos vezes no regador,
- as plantas lidam melhor com ondas de calor,
- a floração tende a começar mais cedo e a durar mais - muitas vezes de junho até outubro.
Em zonas mais frias, onde ainda pode haver geadas tardias, abril é o momento ideal para levar finalmente os tubérculos de verão para o exterior. Em locais muito amenos, pode começar no fim de março, desde que a terra já não esteja encharcada nem congelada.
Como plantar tubérculos de verão corretamente - passo a passo
Antes de pegar na pá, vale a pena inspecionar o material de plantação. Tubérculos e bolbos devem estar firmes, sem bolor e sem partes moles. Até ao momento de os plantar, guarde-os num local fresco e seco, de preferência embrulhados em papel e não em plástico.
O solo certo dita o sucesso (ou o fracasso)
Tubérculos de verão não toleram encharcamento. Um solo pesado e argiloso, onde após a chuva ficam pequenas poças, é prejudicial. O ideal é um terreno solto e bem drenado.
- Alivie a terra compactada com areia ou brita fina.
- Misture composto para garantir nutrientes.
- Evite zonas propensas a água parada; se necessário, faça um canteiro ligeiramente elevado.
A que profundidade devem ficar os tubérculos e bolbos?
Há uma regra prática que costuma funcionar: plante a uma profundidade 2,5 a 3 vezes superior à altura do tubérculo. Se medir, por exemplo, 5 cm, a profundidade deverá ser de 12 a 15 cm.
| Planta | Altura de exemplo do tubérculo | Profundidade de plantação |
|---|---|---|
| Dália | 6 cm | 15–18 cm |
| Lírio | 4 cm | 10–12 cm |
| Begónia (tubérculo) | 3 cm | 7–9 cm |
Nos bolbos, a ponta deve ficar virada para cima. Em tubérculos mais achatados, como os da begónia, costuma haver um lado ligeiramente côncavo - é dali que mais tarde saem os rebentos, por isso esse lado deve ficar voltado para cima.
Depois de colocar, pressione bem a terra e regue em abundância. A seguir, uma camada fina de cobertura morta (mulch) ajuda a reduzir a evaporação e a proteger do impacto da chuva. Variedades altas beneficiam de uma estaca de apoio, que deve ser colocada logo no momento da plantação.
Os 7 melhores tubérculos de verão para um canteiro sem falhas de floração
Dália - a estrela constante no canteiro de perenes
As dálias entram na terra entre abril e maio, quando já não há risco de geada forte. Em troca, oferecem uma verdadeira explosão de cor, muitas vezes de julho até outubro.
Há opções para todos os gostos, desde pompons delicados até flores decorativas gigantes. Para um canteiro a florir de forma equilibrada, combine várias variedades com alturas diferentes:
- baixas até 50 cm para a bordadura e para vasos,
- médias para a zona central,
- dálias gigantes para a parte de trás.
Remover as flores murchas de forma regular estimula novas florações e evita que a planta desperdice energia a formar sementes.
Lírio - elegância perfumada e verticalidade
Os lírios dão estrutura ao canteiro. Os caules direitos e o perfume, muitas vezes intenso, transformam-nos num ponto de destaque. Conforme a variedade, florescem entre junho e agosto.
Preferem um solo permeável e rico em húmus e um local onde a “cabeça esteja ao sol” e o “pé à sombra”. Consegue isso plantando-os entre perenes mais baixas, que sombreiam o chão e mantêm os bolbos mais frescos.
Begónia de tubérculo - um ponto de luz para recantos sombrios
Para zonas mais escuras no jardim ou na varanda, as begónias são uma escolha segura. Os tubérculos toleram meia-sombra a sombra e florescem de julho até ao outono, muitas vezes sem parar.
São especialmente adequadas para:
- floreiras de varanda viradas a norte ou a nascente,
- vasos em terraços sombreados,
- bordaduras sob árvores de copa leve.
O substrato deve manter-se ligeiramente húmido, mas nunca encharcado. O excesso de água conduz rapidamente à podridão, por isso verifique sempre se o vaso tem orifício de drenagem.
Gladíolos - as clássicas flores de corte com impacto
Os gladíolos produzem hastes florais altas e esguias que acrescentam altura e dramatismo ao canteiro. A floração pode prolongar-se por todo o verão, dependendo da data de plantação. Se plantar novos bolbos de duas em duas semanas, consegue uma floração escalonada até ao fim do verão.
Precisam de sol e de um local relativamente abrigado do vento, porque as flores pesadas podem dobrar os caules. Em jardins mais expostos, compensa usar uma estaca firme por linha.
Canna - ambiente tropical para canteiros ao sol
A canna, também conhecida como cana-da-Índia, gosta de calor, sol e de um solo fértil e bem drenado. Com folhas largas, muitas vezes com nervuras avermelhadas ou amareladas, lembra quase uma bananeira e dá um ar de férias ao jardim.
Entre junho e agosto surgem flores vivas em tons de vermelho, laranja ou amarelo. Em vasos grandes, pode também mantê-la no terraço e, antes da primeira geada, levá-la simplesmente para um local de inverno.
Crocosmia - arcos “em fogo” no fim do verão
A crocosmia, vendida muitas vezes como montbretia, traz inflorescências finas e ligeiramente arqueadas em tons de amarelo, laranja ou vermelho. Prefere sol e solo bem drenado.
Normalmente floresce entre julho e agosto. Plantada em grupo, torna-se especialmente impressionante, porque as flores delicadas criam um efeito de faixa flamejante ao longo do canteiro.
Agapanthus - bolas de flores com toque mediterrânico
O agapanto (Agapanthus) aprecia calor e sol, idealmente junto a uma parede abrigada. As inflorescências arredondadas, em azul, violeta ou branco, aparecem de junho a agosto e chamam a atenção.
Em vaso, o agapanto costuma desenvolver-se muito bem. Muitos jardineiros referem que a floração se torna mais generosa quanto mais justo for o vaso. No inverno, consoante a variedade, precisa de proteção contra o frio ou de um local sem geadas.
Como planear um canteiro sem pausas de floração
Para que o jardim não fique preso a um único “bloco” de cor e mantenha vida durante meses, vale a pena considerar épocas de floração e alturas de crescimento. O mais eficaz é misturar variedades precoces, intermédias e tardias.
Combinações inteligentes evitam zonas vazias: enquanto uma planta termina a floração, a seguinte já assume o jogo de cores.
Um exemplo de esquema para um canteiro de verão com tubérculos e bolbos:
- lírios e crocosmia para a fase de junho a agosto,
- dálias como floríferas contínuas do pico do verão até outubro,
- begónias para preencher falhas sombreadas que outras espécies não ocupam,
- gladíolos e canna como acentos verticais,
- agapantos em vasos, que pode deslocar conforme necessário para disfarçar espaços.
Dicas práticas de manutenção, proteção e plantas companheiras
Depois de plantar, a manutenção é simples. Em períodos secos, o solo precisa de regas regulares, mas não diárias. É preferível regar menos vezes e em profundidade do que molhar superficialmente todos os dias.
Um adubo orgânico na primavera chega, para muitas plantas de bolbo e tubérculo, no arranque da época. Em floríferas persistentes como as dálias, uma adubação extra em julho pode ser útil, sobretudo em solos pobres ou em vasos.
As geadas tardias de abril podem afetar rebentos recém-nascidos. Uma manta de proteção (tela anti-geada) ou até uma manta velha sobre o canteiro, em noites limpas, pode fazer a diferença. Quanto às plantas em vaso, aproxime-as ao fim do dia da parede da casa ou leve-as por umas horas para um anexo.
As combinações com perenes e gramíneas ornamentais resultam muito bem. Gramíneas leves suavizam o aspeto de flores exuberantes, e perenes de porte baixo em forma de almofada disfarçam falhas junto ao solo. Assim, o conjunto parece pensado ao detalhe e cheio de vida - com um esforço surpreendentemente reduzido, desde que os tubérculos entrem na terra agora, em abril.
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