Saltar para o conteúdo

Alergia ao sol: o que é a fotossensibilidade e como identificar reacções na pele

Mulher com queimadura solar no ombro, sentada ao sol com creme e comprimidos na mesa.

Já tem o destino de verão marcado e a mala pronta? Se vai estar debaixo de um sol forte dentro de dias ou de algumas semanas, não se esqueça de proteger a pele: não só para evitar os inevitáveis escaldões, mas também para se resguardar de certas manifestações dermatológicas que podem ser bastante incómodas.

É quase certo que já ouviu a expressão, usada muitas vezes por conveniência, «alergia ao sol». Embora seja verdade que o Sol pode desencadear reacções cutâneas que fazem lembrar alergias, o termo não é correcto - ou, pelo menos, é frequentemente mal aplicado. Na prática, estamos a falar de várias doenças diferentes que têm algo em comum: a luz, ou melhor, a sensibilidade a essa luz, conhecida como *fotossensibilidade*.

E é precisamente essa luz que, esperamos, vai acompanhar as suas próximas semanas de férias. Nessa altura, terá de lidar com os raios UV da nossa estrela, que por vezes conseguem queimar a epiderme: é o clássico «escaldão». Mas, durante uma sessão de bronzeado, podem surgir outras surpresas menos agradáveis. Nada que o obrigue a ficar fechado em casa, de cortinas corridas - porém, vale a pena conhecê-las para não entrar em pânico se alguma delas aparecer.

«Alergia ao sol» e fotossensibilidade: do que estamos mesmo a falar?

Apesar de a expressão «alergia ao sol» ser popular, ela acaba por misturar situações distintas. Em comum, estas reacções têm o facto de serem desencadeadas pela exposição à luz (e, em particular, aos UV), mas podem variar muito no tempo de aparecimento, no tipo de lesões e no mecanismo por trás do problema.

Quando a sua pele fica vermelha

Lucite polimorfa e urticária solar

Entre os problemas que mais frequentemente surgem no verão está a lucite polimorfa. Trata-se de uma erupção de pequenas pápulas vermelhas e placas, que aparece algumas horas depois da exposição. Provoca comichão intensa e é mais típica no início da estação, quando a pele - que esteve mais resguardada durante o inverno - leva de uma vez uma dose elevada de raios UVA (comprimento de onda de 315 a 400 nanómetros). A boa notícia é que, na esmagadora maioria dos casos, as crises vão ficando mais espaçadas ao longo do verão, à medida que a epiderme se habitua e ganha bronze. Em situações raras, estes surtos podem vir acompanhados de dores de cabeça ou náuseas.

Um pouco menos comum é a urticária solar, que pode surgir apenas alguns minutos após a exposição. Neste caso, estamos perante uma verdadeira reacção de hipersensibilidade imediata, em que é libertada histamina em grande quantidade por acção dos fotões. As lesões aparecem rapidamente e são muito semelhantes a vergões de urtiga, com comichão intensa ou sensação de ardor. Assim que volta para a sombra, tendem a desaparecer, na maioria das vezes, em menos de 24 horas - ao contrário do que acontece na lucite.

Reacção fotoalérgica: quando a luz e um produto se combinam

A reacção fotoalérgica não funciona como as duas anteriores, porque aqui a culpa não é apenas da luz solar. Se estiver a tomar antibióticos, determinados analgésicos, ou se um creme incluir um certo tipo de fragrância - ou até um componente do seu protector solar - pode ocorrer uma reacção química à superfície da pele. O Sol actua como catalisador: sob a acção dos UV, essas moléculas podem transformar-se e tornar-se substâncias que o seu sistema imunitário deixa de reconhecer.

A resposta imunitária desencadeia então a erupção cutânea, que costuma aparecer um a dois dias mais tarde. Muitas vezes, o aspecto lembra eczema: lesões vesiculosas e descamação. Como se trata de uma reacção imunológica, a erupção mantém-se e pode agravar-se a cada nova exposição enquanto o agente responsável continuar presente. É essencial lavar bem a pele e interromper de imediato o uso do produto; no caso de ser um medicamento, deve procurar-se uma alternativa, se existir.

Por isso, o que fazer para reduzir o risco? A protecção continua a ser a melhor arma: evitar o sol nas horas de maior intensidade, usar roupa mais cobridora, chapéu e óculos, e aplicar um protector de largo espectro (pelo menos SPF 50). Se, apesar destas medidas, os sintomas aparecerem ou piorarem, não hesite: procure um médico. Só ele conseguirá distinguir a verdadeira causa do problema, porque uma erupção pode ser enganadora à primeira vista. Não dramatize; nenhuma das reacções descritas acima é, por si só, fundamentalmente grave, mas isso não é motivo para as ignorar. Faça as contas: um bom protector solar fica mais barato do que dias desconfortáveis e os passos médicos a que uma crise pode obrigar.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário