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Novas orientações da ACSM sobre treino de força: menos regras, mais consistência

Mulher a fazer agachamento com halteres numa sala iluminada, com yoga mat e mobília moderna.

Durante anos, o treino de força foi encarado como um quebra-cabeças: regras a mais, planos “perfeitos” a mais. Essa forma de pensar acabou por afastar muita gente do início.

Uma atualização recente às recomendações de treino de resistência vem simplificar a conversa e recuperar uma ideia direta: faça alguma coisa - e faça-o com regularidade.

A atualização resulta de uma revisão de grande dimensão, que reuniu 137 estudos sistemáticos com mais de 30.000 participantes.

As conclusões mostram o quanto o conhecimento científico sobre músculos, força e saúde a longo prazo evoluiu ao longo do último ano e meio de investigação.

Porque é que um treino de força simples funciona

A última vez que especialistas publicaram orientações deste tipo foi em 2009. Nessa altura, a investigação sobre treino de força e envelhecimento ainda estava a ganhar tração; hoje, a evidência é muito mais sólida.

Stuart Phillips é professor distinto no Departamento de Cinesiologia da McMaster University.

O melhor programa de treino de resistência é aquele a que, de facto, se consegue manter fiel”, afirmou Stuart Phillips, um dos autores desta atualização.

Treinar todos os principais grupos musculares, pelo menos duas vezes por semana, é muito mais importante do que perseguir a ideia de um plano de treino ‘perfeito’ ou complexo. Quer seja com barras, bandas elásticas ou o peso do corpo, a consistência e o esforço é que determinam os resultados.

Esta abordagem assinala uma mudança real: em vez de fórmulas rígidas, privilegia-se algo executável. No fundo, funciona aquilo que é possível continuar a fazer.

Pequenos passos também contam

As orientações atualizadas foram divulgadas pelo American College of Sports Medicine (ACSM) sob a forma de uma declaração de posição.

Uma das conclusões mais fortes é a dimensão do ganho que surge apenas por começar. Passar de zero para “um pouco” já pode ter um impacto claro.

Os músculos reagem depressa quando enfrentam novos estímulos: a força aumenta, a massa muscular pode crescer e as tarefas do dia a dia tornam-se menos pesadas. E nada disto exige sessões extremas nem horas intermináveis.

Na prática, o peso exato que se levanta ou o número de séries feitas não tem a importância que muita gente imagina. O que mais conta é entrar num ritmo e mantê-lo.

Mais do que apenas músculo

Para a maioria das pessoas, o treino de força não é uma questão de aparência. Nota-se em coisas pequenas e comuns: levar sacos das compras torna-se mais fácil, levantar-se de uma cadeira exige menos esforço e até a marcha pode ficar mais segura.

E há efeitos que vão além do imediato. Quem mantém este hábito tende, ao longo do tempo, a lidar com menos problemas de saúde, como questões cardíacas ou diabetes.

Alguns passam a dormir melhor; outros, simplesmente, sentem mais energia. Os benefícios nem sempre são óbvios de início, mas acumulam-se com o passar do tempo.

Sem ginásio, sem problema

Há outro ponto central: não é preciso um ginásio para ganhar força.

As recomendações atualizadas validam opções mais simples - bandas elásticas, exercícios com o peso do corpo (como flexões e agachamentos) ou rotinas básicas em casa. Todas estas alternativas conseguem desenvolver força e melhorar a funcionalidade do corpo no quotidiano.

Isto abre portas a mais pessoas. Nem toda a gente tem acesso a um ginásio, e nem toda a gente se sente à vontade num; isso deixa de ser um impedimento.

A consistência ganha à perfeição

É fácil prender-se a pormenores: quantas repetições? qual é o peso ideal? será este o melhor programa?

As novas orientações afastam-se dessas dúvidas e colocam o foco no essencial: consegue repetir isto na próxima semana? e no próximo mês?

O novo documento reflete esse aumento de evidência e alarga as suas recomendações para incluir mais pessoas e mais tipos de treino do que alguma vez tinha acontecido”, disse Phillips.

Esta visão mais abrangente faz diferença, porque cada pessoa tem horários e limitações diferentes. Um plano que se encaixa na vida diária será sempre superior a outro que não se consegue sustentar.

Como isto se integra no dia a dia

O treino de força vai além de aumentar músculo: apoia o equilíbrio, a mobilidade e a função física global. Ajuda a manter a autonomia com o avançar da idade, diminui o risco de lesões e torna as atividades do dia a dia mais fáceis.

As recomendações atualizadas não ignoram atletas nem treino avançado - esses casos continuam a precisar de planos mais especializados. Para a maioria, porém, a mensagem mantém-se simples.

Escolha uma rotina compatível com a sua vida. Trabalhe os principais grupos musculares duas vezes por semana. E continue a aparecer - porque é a consistência que transforma esforço em força.

O relatório completo foi publicado na revista Medicina e Ciência no Desporto e no Exercício.

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