Após três anos de pausa, cerca de uma centena de figurantes recriou o ambiente balnear do início do século XX e devolveu ao areal o encanto da idade de ouro do veraneio.
Regresso do "Vir a Banhos" à praia das Sereias, em Espinho
Sombrinhas de renda, vestidos compridos, chapéus de palha e fatos de banho de lã voltaram, este domingo, à praia das Sereias, em Espinho. Três anos depois da última edição, o "Vir a Banhos" regressou para reinstalar na cidade a atmosfera das primeiras décadas de 1900, numa autêntica viagem no tempo: um período em que o mar era procurado por indicação médica e em que ir a banhos seguia um ritual exigente.
Da cidade ao areal: desfile até à Rua 33
Com organização da Câmara de Espinho, a recriação histórica juntou perto de uma centena de figurantes, vindos de várias associações culturais do concelho. Já trajados a rigor, atravessaram as ruas da cidade até convergirem no areal, em frente à emblemática Rua 33. O cortejo prendeu a atenção de centenas de pessoas, que suspenderam os passeios de domingo para ver chegar os veraneantes de outros tempos.
Personagens e ambiente do Espinho balnear de inícios de 1900
Na praia, o cenário procurou reproduzir com fidelidade o Espinho balnear do começo do século passado. A alta burguesia, que por tradição procurava a estância logo em junho, partilhou o espaço com lavradores que, concluídas as vindimas, só em setembro conseguiam aproveitar os banhos de mar.
Entre as várias personagens, o banheiro voltou a destacar-se. Acompanhou os banhistas até à água e ajudou-os a enfrentar o Atlântico, como fazia há mais de um século, quando era a principal autoridade da praia e tinha a responsabilidade de assegurar a segurança e o cumprimento das prescrições médicas.
Jogos tradicionais
A viagem ao passado não se limitou ao mar. Pelo areal, sucederam-se os jogos tradicionais, com destaque para o popular jogo do prego, e o teatro de robertos voltou a provocar gargalhadas entre os mais novos.
Merenda em cestos de vime
Houve ainda outro momento igualmente típico: uma merenda servida em cestos de vime. Broa de milho, presunto, chouriço e azeitonas foram partilhados no areal, fechando uma recriação que se afirmou como celebração da memória coletiva e da identidade balnear de Espinho.
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