Um gesto discreto junto à janela pode, sem alarido, traduzir-se numa poupança surpreendente na fatura e no consumo de aquecimento.
À medida que as temperaturas sobem durante o dia, muitas casas continuam a arrefecer bastante ao fim da tarde. O resultado é quase automático: liga-se o aquecimento por instinto - e depois chegam os valores elevados nas mensalidades. Especialistas em energia apontam um hábito simples, de custo praticamente nulo: fechar os cortinados ao início da noite, sobretudo a partir de meados de março, quando o sol só se põe por volta das 19.45.
Porque é que olhar para a janela decide os seus custos de aquecimento
As janelas são, regra geral, o ponto mais vulnerável da envolvente de um edifício. Mesmo com vidro triplo, o isolamento tende a ficar aquém do de uma parede exterior maciça. É precisamente aqui que este conselho ganha força: aproveitar a luz solar durante o dia e, ao cair da noite, puxar cortinados, estores ou outro tipo de resguardo cria uma espécie de “segunda parede” contra o frio.
"Os cortinados funcionam como uma almofada de ar adicional - travam a perda de calor através do vidro e mantêm o calor do aquecimento durante mais tempo dentro da divisão."
O especialista em poupança de energia Martin Lewis, do Reino Unido, tem destacado esta ideia há anos. A recomendação é direta: durante o dia, abrir totalmente cortinados e estores para deixar os raios solares entrar sem obstáculos; assim que o sol desaparece, fechar tudo. Como este momento muda ao longo do ano, na primavera o ponto de viragem situa-se, em termos práticos, perto das 19.45.
19.45 a partir de meados de março: por que este horário faz sentido
A partir da segunda metade de março, os dias alongam-se de forma notória. Na prática, isso dá aos espaços interiores muitas horas para acumular calor gratuito vindo do sol. Pouco depois do pôr do sol, o saldo inverte-se: a partir daí, a janela tende a libertar mais calor para o exterior do que aquele que recebe.
Se os cortinados ficam abertos durante demasiado tempo nessa fase, está-se, literalmente, a aquecer “para a rua”. Ao fechá-los, retém-se parte do calor que foi sendo armazenado ao longo do dia.
- Até ao final da tarde, o sol aquece móveis, pavimentos e paredes.
- Estas superfícies libertam o calor gradualmente para o ar interior.
- Com os cortinados fechados, diminui a velocidade a que esse calor escapa pelo vidro.
- O aquecimento precisa de entrar mais tarde ou com menor intensidade.
Estudos sobre a utilização de cortinados térmicos indicam que, em divisões idênticas, a diferença de temperatura entre ter e não ter este tipo de cortina pode atingir vários graus. Em casas antigas com caixilharia e janelas mais envelhecidas, a melhoria sente-se de forma ainda mais evidente.
O que é que cortinados grossos conseguem realmente fazer?
Nem todos os tecidos se comportam da mesma maneira. Um cortinado leve e translúcido serve sobretudo fins estéticos e de privacidade. Para reduzir perdas de calor, contam outras características.
"Quanto mais denso, pesado e com mais camadas for o tecido, maior é o efeito de isolamento - idealmente forma-se uma bolsa de ar quase parada entre o tecido e a janela."
Os melhores candidatos para ganhar conforto ao fim do dia
- Cortinados pesados de algodão ou veludo: um amortecedor térmico clássico, muito usado em habitações antigas.
- Cortinados térmicos com revestimento específico: ajudam a refletir o calor de volta para o interior.
- Cortinados com forro em fleece ou molton: criam uma camada de ar perceptível junto à janela.
- Estore + cortinado: em conjunto, reforçam o efeito, especialmente em janelas largas ou portas envidraçadas.
O ponto-chave é o cortinado cobrir de facto a área do vão - e não ficar apenas “decorativo” nas laterais. Se usar calhas, vale a pena montá-las de modo a que o tecido fique o mais próximo possível da parede ou do caixilho, sem tapar os radiadores.
Pequenas dicas, grande impacto no dia a dia
Em fóruns e redes sociais, muitas pessoas descrevem resultados com este método simples. Há quem diga que, desde que passou a aplicar o truque de forma consciente, consegue desligar o aquecimento bem mais cedo à noite. Outros juntam-lhe pequenas medidas adicionais.
| Medida | Efeito na divisão |
|---|---|
| Fechar os cortinados de forma consistente a partir das 19.45 | A temperatura desce mais lentamente e o conforto mantém-se durante mais tempo |
| Não obstruir radiadores com tecido ou mobiliário | O calor distribui-se melhor e é necessária menos energia |
| Substituir vedantes de janelas com fugas | Menos correntes de ar e o truque do cortinado torna-se mais eficaz |
| Manter tudo aberto durante o dia para deixar entrar o sol | Calor solar gratuito e o aquecimento pode fazer pausas |
Com os preços da energia elevados, muitos agregados tentam aproveitar ao máximo cada quilowatt-hora. Alguns baixam a temperatura interior em um a dois graus e compensam com ventilação bem feita e com o uso estratégico dos cortinados. A lógica é simples: cada grau a menos poupa, de forma aproximada, seis por cento de energia de aquecimento - e, se ao mesmo tempo se travarem as perdas de calor, o desconforto não chega tão depressa.
O que diz a física?
De forma rigorosa, nas janelas atuam três mecanismos em simultâneo: condução térmica através do vidro, radiação térmica e movimento do ar junto à superfície envidraçada. Um cortinado denso interfere com os três.
"O tecido retém o ar frio que desce junto ao vidro, reduz a movimentação de ar na divisão e devolve para dentro parte da radiação térmica."
Assim, forma-se à frente da janela uma camada de ar mais ou menos estável - e o ar isola quando não é agitado em excesso. O princípio faz lembrar uma garrafa térmica, mas de forma muito mais simples: uma camada extra reduz o fluxo de calor para o exterior.
Quando é melhor deixar os cortinados abertos
Apesar das vantagens, há situações em que convém ter cuidado. Se os cortinados ficarem mesmo à frente de um radiador instalado sob o parapeito, o tecido não deve envolver totalmente o aparelho. Nesse cenário, o radiador aquece sobretudo a zona atrás do cortinado e o ar da divisão beneficia pouco.
Nesses casos, pode optar por alternativas:
- Cortinados mais curtos, que terminem acima do radiador.
- Painéis laterais de tecido com um estore interior encostado ao vidro.
- Película térmica aplicada diretamente no vidro, como complemento.
Quando a diferença entre a temperatura interior e exterior é muito elevada, também pode surgir condensação no vidro se o ar atrás do cortinado não circular. A solução passa por abrir os cortinados por uns minutos de manhã e limpar a humidade, sobretudo nos quartos.
Como tirar o máximo partido do truque na sua casa
Quem tiver dúvidas pode começar por dois ou três testes simples. Numa noite fresca, encoste a mão ao vidro - e depois sinta o ar imediatamente atrás do cortinado fechado. A diferença costuma ser suficiente para perceber se compensa investir num tecido mais espesso.
Outro ensaio útil: coloque um termómetro económico no parapeito e compare leituras com cortinados abertos e fechados. Ao fim de uma a duas horas, torna-se visível até que ponto a descida de temperatura fica travada.
O truque do cortinado tende a ser mais rentável nas divisões onde passa mais tempo à noite: sala, quarto das crianças, escritório em teletrabalho. Aí, cada grau que deixa de “fugir” para a rua converte-se num menor consumo de energia - e num ambiente mais confortável quando, a partir de meados de março, se está no sofá enquanto lá fora a temperatura volta a descer.
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