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China impõe limites de consumo aos elétricos a partir de 2026

Carro elétrico branco futurista estacionado em showroom moderno com janelas amplas e vista para cidade.

Até aqui, os automóveis elétricos beneficiaram de um tratamento excecional. Enquanto os motores de combustão interna foram sendo cada vez mais condicionados por tetos e objetivos de emissões (na Europa) e por médias de consumo impostas (nos EUA), os elétricos escapavam a um escrutínio regulatório comparável. Esse período chegou ao fim.

No fundo, era inevitável que os elétricos passassem a ser avaliados como qualquer outra tecnologia automóvel: não apenas pela promessa, mas pela eficiência que entregam, na prática. A China decidiu avançar e aplicar ao veículo elétrico a mesma lógica que guiou décadas de evolução da combustão interna - metas objetivas, métricas claras e efeitos concretos.

A notícia foi avançada pela China Central Television (CCTV) e reproduzida pelo portal tecnológico IT Home. A nova regulamentação entra em vigor a 1 de janeiro de 2026 e transforma em obrigação legal aquilo que, até agora, funcionava sobretudo como orientação técnica.

O que muda, afinal?

O novo regulamento - com a designação oficial Limites de Consumo de Energia para Veículos Elétricos – Parte 1: Automóveis de Passageiros - passa a fixar consumos máximos (kWh/100 km) para automóveis 100% elétricos. Esses limites serão determinados com base no peso em ordem de marcha e em parâmetros técnicos do veículo.

Ainda não são públicos todos os pormenores, mas uma das classes já conhecidas indica que um elétrico de passageiros com cerca de duas toneladas não poderá exceder 15,1 kWh/100 km.

Trata-se de um patamar exigente, embora alcançável. Um Tesla Model Y Premium (tração traseira), por exemplo, anuncia 14,2 kWh/100 km (ciclo combinado WLTP) com 1976 kg. Já a versão equivalente na China, medida no ciclo CLTC, fica nos 11,9 kWh/100 km. E não é um caso escolhido ao acaso: o Tesla Model Y é o elétrico mais vendido no mercado chinês.

De acordo com as autoridades chinesas, estes novos tetos representam um endurecimento de cerca de 11% face ao enquadramento anterior, indo muito além de um simples retoque. Os valores foram definidos a partir de uma análise do estado atual do mercado, do potencial das tecnologias de poupança energética e dos custos de adoção para a indústria.

Há, porém, um aspeto essencial a reter: o objetivo não passa por aumentar a capacidade das baterias. A intenção é pressionar ganhos de eficiência no conjunto do veículo e na cadeia cinemática - motores mais eficientes, controlo eletrónico e térmico mais evoluído, melhor aerodinâmica, e ainda redução de massa e de perdas energéticas.

Mais autonomia sem mais bateria

É precisamente esse o ponto onde Pequim quer chegar. Segundo dados oficiais, ao cumprir estas novas metas de eficiência, um elétrico que mantenha a mesma capacidade de bateria poderá obter, em média, cerca de 7% de autonomia adicional. Não por levar mais kWh, mas por consumir menos energia por quilómetro.

A norma incide apenas sobre veículos 100% elétricos. Para já, ficam de fora os híbridos de ligação à tomada (PHEV) e os elétricos com extensor de autonomia (EREV), embora estes também passem a enfrentar critérios de acesso a incentivos cada vez mais rigorosos.

E se um modelo não cumprir?

Na União Europeia, falhar metas de emissões pode traduzir-se em coimas de enorme dimensão para os construtores. Na China, o foco é diferente: é o próprio modelo elétrico que fica em risco.

Em vez de multas diretas por incumprimento, a consequência é, na prática, uma condenação comercial. Se um modelo não respeitar os novos limites de consumo, poderá ver a produção cancelada, ser impedido de chegar ao mercado ou ficar excluído da lista de veículos elegíveis para isenção do imposto de compra.

Aqui entra a segunda componente: a ligação entre regra técnica e política fiscal. Os ministérios chineses da Indústria e das Finanças, bem como a Autoridade Tributária, já confirmaram que, em 2026 e 2027, só os elétricos que cumpram estes limites de consumo terão direito às isenções.

Os modelos atualmente em venda que estejam fora dos requisitos terão duas alternativas: atualizar-se (do ponto de vista técnico)… ou desaparecer (deixar de ser comercializados).

Um problema ou apenas formalização?

Para grupos locais como a BYD ou a Geely, a nova norma tenderá sobretudo a institucionalizar aquilo que vários modelos recentes já conseguem cumprir.

O maior impacto deverá recair nos elétricos maiores e mais pesados, que normalmente apresentam pior eficiência e compensam com baterias muito grandes para assegurar autonomias aceitáveis. E é exatamente esse comportamento que a China pretende travar. A mensagem é direta: os elétricos que aí vêm não precisam de crescer em tamanho ou peso para evoluírem.

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