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Afonso Eulálio admite perder a camisola rosa para Jonas Vingegaard no contrarrelógio e sonha com top 10 no Giro

Ciclistas em competição de contrarrelógio em estrada montanhosa, um de rosa e outro de amarelo.

Afonso Eulálio admite que a camisola rosa deverá mudar de dono no contrarrelógio de terça-feira, mas sente que já resolveu o que ficou por completar na Volta a Itália em bicicleta e mantém o desejo de ganhar uma etapa e terminar no top 10.

Contrarrelógio da 10.ª etapa e Jonas Vingegaard

Questionado em conferência de imprensa sobre a possibilidade de segurar a liderança do Giro após os 42 quilómetros de contrarrelógio da 10.ª etapa, o portador da "maglia rosa" foi taxativo: "Não".

"Não acredito que a mantenha, gostava de defendê-la e vou lutar por isso, mas o Jonas é superbom, um dos melhores corredores do mundo. Mas darei tudo o que tenho. Neste contrarrelógio, as minhas hipóteses são muito baixas, de dois, três [numa escala até 10]. [...] Este "crono" é totalmente plano, velocidade máxima, é o pior contrarrelógio para ciclistas leves", avaliou.

O figueirense arranca para a etapa de terça-feira com 02.24 minutos de vantagem sobre Vingegaard, campeão em título da Vuelta e vencedor por duas vezes do Tour (2022 e 2023), que ocupa o segundo lugar da geral.

"Há um mês, o meu plano era encarar o contrarrelógio como um dia de descanso, e agora tenho de dar o máximo. Trabalhei um pouco o contrarrelógio, mas não muito, porque vim para o Giro como um homem de trabalho, um gregário. Ia ter as minhas oportunidades nas montanhas, e agora as coisas mudaram um pouco."

Apesar de acreditar que pode vir "a fazer contrarrelógios bons", Eulálio duvida que isso aconteça já na 10.ª etapa da 109.ª Volta a Itália. "É um contrarrelógio que é mesmo zero para mim. É totalmente plano, sobre velocidade. É sofrer", antecipou.

Objetivos de Afonso Eulálio no Giro: top 10 e uma etapa

Por essa razão, prefere não fixar desde já metas para o resto deste Giro, optando por esperar para perceber em que posição ficará depois do "crono". A partir daí, decidirá se passa a procurar vitórias em etapas ou se aponta a um lugar entre os 10 primeiros na geral final.

"Quando vesti a camisola rosa, ganhei força, mas não sei o que vai acontecer quando a perder", reconheceu. Ainda assim, como "sonhar é de graça", o ciclista de 24 anos confessou que "o que gostaria era de fechar no top 10 e ganhar uma etapa".

Volta a Itália, "corsa rosa" e contas ajustadas

Depois de, em 2025, ter abandonado na estreia na Volta a Itália a dois dias do fim, Eulálio considera que já "ajustou contas" com a "corsa rosa", que era o grande objetivo com que chegou à 109.ª edição, iniciada a 08 de maio, em Nessebar, na Bulgária.

"Agora, penso que só falta mesmo terminar. Acaba por ser bastante engraçado, porque tínhamos em mente optarmos por Tour ou Giro e acabámos por decidir o Giro, porque deixei as contas em aberto no ano passado. E fizemos bastante bem em regressar", sustentou.

Eulálio envergou a "maglia rosa" depois da quinta etapa, na qual terminou em segundo após ter seguido na fuga do dia. Com isso, já é o segundo português com mais tempo na liderança do Giro, ultrapassando Acácio da Silva, que em 1989 foi primeiro durante dois dias, e ficando apenas atrás de João Almeida, líder durante 15 dias na edição de 2020.

"No dia da fuga, provavelmente alguns ciclistas eram mais fortes do que eu nas subidas, mas o dia foi tão difícil, que no final saí-me bem. Sofro mas realmente gosto destes dias, molhados, de sobe e desce", contou, admitindo não ter "a experiência dos outros corredores" para saber gerir esforços, sobretudo, em jornadas mais acessíveis.

Ao identificar esse dia em fuga como o momento mais exigente que já viveu neste Giro, o corredor da Bahrain Victorious apontou a subida ao Blockhaus, na sétima tirada, como a maior dureza desde que veste a "maglia rosa", "não apenas pela subida, mas pelo vento".

Convencido de que evoluiu "muito" nos últimos anos, Eulálio acredita que chegará bem ao fim da Volta a Itália, que termina a 31 de maio, em Roma.

"Faltam duas semanas, não sei o que posso fazer. A última semana será muito difícil, temos uma boa equipa, que está a trabalhar muito bem", rematou, em Lucca, no segundo dia de descanso da 109.ª edição da prova italiana, que regressa à estrada na terça-feira.

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