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Dietas à base de plantas reduzem a CRP e a inflamação, sugere análise

Mulher sorridente a comer uma salada saudável numa cozinha moderna, com água e frutos secos na mesa.

Uma nova análise concluiu que as dietas à base de plantas diminuem um sinal sanguíneo importante de inflamação de baixo grau quando comparadas com padrões alimentares que incluem alimentos de origem animal.

Este resultado dá às escolhas alimentares do dia a dia um papel mais evidente na actividade imunitária lenta associada a doença cardíaca, diabetes e envelhecimento.

Dieta à base de plantas reduz a inflamação

Ao analisar sete ensaios clínicos, os autores partiram de quase 3.000 artigos e acabaram por identificar 541 participantes com dados comparáveis de marcadores no sangue.

A partir dessas comparações, Luke Bell, estudante de Medicina na Universidade de Warwick, em Inglaterra, mostrou que a alimentação à base de plantas se associou, de forma consistente, a níveis mais baixos de inflamação do que as dietas omnívoras.

A tendência verificou-se em abordagens veganas, vegetarianas e à base de plantas com alimentos integrais, apesar de os estudos serem pequenos e bastante heterogéneos.

Esse registo, embora limitado, mas repetido, torna o marcador sanguíneo relevante para acompanhar antes de se discutir o que ele reflecte no organismo.

A CRP indica níveis de inflamação

O marcador analisado é a proteína C-reactiva, uma proteína no sangue que aumenta quando as células imunitárias sinalizam ao fígado.

Na prática clínica, é frequentemente referida pela sigla CRP, e as dietas omnívoras - padrões alimentares que incluem produtos de origem animal - foram a principal referência de comparação.

“Descobrimos que consumir uma dieta à base de plantas em vez de uma dieta omnívora reduziu os níveis de CRP em 1,13 mg/L, em média”, afirmou Bell.

Como as orientações clínicas classificam a CRP abaixo de 1 mg/L como baixa e acima de 3 mg/L como elevada, uma redução desta ordem pode ser suficiente para alterar categorias de risco.

O que mudou nos pratos

Nos ensaios elegíveis, os planos à base de plantas estruturavam as refeições sobretudo com fruta, hortícolas, cereais integrais, leguminosas, frutos secos e sementes.

A fibra presente nestes alimentos alimenta os microrganismos intestinais, que produzem pequenas moléculas capazes de atenuar sinais imunitários.

Além disso, compostos vegetais de cores variadas ajudam a limitar o stress celular e, ao substituir parte das gorduras de origem animal, pode reduzir-se a ingestão de gordura saturada.

Ainda assim, o efeito parece depender do padrão alimentar como um todo, e não de uma promessa de que qualquer refeição “à base de plantas” seja, por si só, anti-inflamatória.

O exercício reforçou o efeito

Quando os investigadores excluíram ensaios que incluíam programas de exercício físico estruturados, a redução da CRP continuou a observar-se, embora com uma magnitude ligeiramente menor.

Nas comparações apenas com dieta, o marcador desceu cerca de 0,94 mg/L, ao passo que a combinação de dieta e exercício esteve associada a uma diminuição de aproximadamente 1,46 mg/L.

É provável que a actividade física tenha contribuído porque os músculos em movimento retiram açúcar e gordura do sangue, reduzindo sinais metabólicos que podem alimentar a inflamação.

Mesmo assim, o efeito mais pequeno nos estudos só com dieta mantém a alimentação no centro, ao mesmo tempo que alerta para o risco de tratar hábitos de estilo de vida como se fossem independentes.

Porque é que os alimentos integrais contam

A qualidade dos alimentos altera o significado de “alimentação à base de plantas”, já que uma ementa de refrigerantes e batatas fritas também pode não incluir carne.

Nenhum resultado destes ensaios sustenta a ideia de trocar alimentos de origem animal por uma dieta dominada por amidos refinados, açúcar e snacks ultraprocessados.

Cereais integrais e leguminosas libertam energia de forma mais lenta, enquanto frutos secos e sementes fornecem gorduras que podem favorecer níveis de colesterol mais saudáveis.

Esta diferença ajuda a perceber por que motivo a mensagem mais robusta aponta para padrões alimentares, e não para um rótulo isolado.

O envelhecimento aumenta o impacto

Com o envelhecimento das populações, viver mais tempo torna a inflamação de baixo grau algo mais do que uma curiosidade laboratorial para médicos e famílias.

Até 2030, uma em cada seis pessoas no mundo terá 60 anos ou mais, segundo projecções da Organização Mundial da Saúde (OMS), agência de saúde das Nações Unidas.

Os cientistas chamam inflammaging à hiperactividade imunitária associada à idade, uma inflamação crónica que se vai acumulando à medida que os tecidos deixam de reparar com a mesma eficiência.

Reduzir a CRP não trava o envelhecimento, mas oferece aos investigadores um sinal mensurável para monitorizar em estratégias de prevenção.

Prudência quanto à certeza

A confiança nas conclusões continua a ser limitada, porque sete ensaios não são suficientes para sustentar, por si só, uma afirmação ampla sobre nutrição.

Os desenhos dos estudos variaram, com durações entre quatro e 52 semanas e participantes que iam de crianças a adultos mais velhos.

Vários grupos incluíam também pessoas com artrite reumatóide, uma doença imunitária que inflama as articulações, diabetes tipo 2, doença das artérias coronárias e obesidade.

Estas diferenças podem confundir a relação entre causa e efeito, pelo que serão necessários ensaios maiores, com dietas mais semelhantes e regras de actividade física mais claras.

As escolhas práticas mantêm-se

No quotidiano, a interpretação mais segura é prática - e não dramática ou excessivamente restritiva - para a maioria dos agregados familiares.

Acrescentar feijão, lentilhas, aveia, hortícolas, fruta, frutos secos e sementes permite aumentar a ingestão de alimentos vegetais sem obrigar a seguir uma dieta rígida.

Quem elimina todos os alimentos de origem animal precisa de vitamina B12, um nutriente importante para nervos e células do sangue, obtida através de alimentos fortificados ou suplementos.

Condições médicas, medicação e perturbações do comportamento alimentar justificam aconselhamento individual antes de se iniciar uma mudança alimentar significativa.

Um teste seguinte mais justo

Ensaios mais robustos deverão tornar as próximas respostas menos dependentes de amostras pequenas e heterogéneas de voluntários.

São necessários grupos maiores, acompanhamento por mais tempo e planos alimentares que descrevam a qualidade dos alimentos com o mesmo cuidado com que definem categorias e rótulos.

Também deverá haver registo de medicação, alteração de peso, nível de actividade e CRP inicial, porque cada um destes factores pode influenciar as leituras de inflamação.

Esse trabalho ajudará a esclarecer se é a própria dieta que reduz a CRP, ou se a perda de peso e o movimento fazem parte essencial do efeito.

O que os leitores podem aproveitar

Por agora, as evidências apoiam uma ligação modesta, mas relevante, entre refeições ricas em alimentos vegetais, níveis mais baixos de CRP e sinais de risco cardiovascular mais favoráveis.

Essa ligação é mais sólida quando encarada como um padrão prático: mais alimentos integrais de origem vegetal, menos opções ricas em gordura saturada, movimento regular e melhores ensaios antes de prescrições firmes.

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