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Tour de France 2026: duas inovações tecnológicas - Inteligência Artificial e sensores de potência

Ciclista em equipamento amarelo a pedalar numa estrada de montanha com gráficos digitais ao lado.

Atenção a duas inovações essenciais no universo do ciclismo que, neste mês de julho, vão ser usadas em larga escala na Grande Volta.

Desta vez é mesmo oficial: os 184 ciclistas do Tour de France 2026 partem de Barcelona para a grande partida no sábado, 4 de julho. Apesar de esta prova se decidir sobretudo «à força de pedalar», é também um palco de duelo tecnológico, onde as novidades se multiplicam. Aqui, mostramos duas mudanças de peso que estão a transformar este desporto de forma duradoura.

A Inteligência Artificial impõe as regras do jogo

A inteligência artificial está a afirmar-se como uma arma secreta no ciclismo profissional. Um exemplo particularmente impressionante é o modelo Anna, utilizado pela UAE Team Emirates. Como relatava o L’Équipe em maio de 2025: «A IA pode dizer: para a Amstel Gold Race, Pogačar (Tadej, triplo vencedor do Tour de France, nota do editor) seria mais eficaz com 65,5 ou 66 kg, em vez dos 64 kg que tem para o Tour». Desenvolvido em parceria com a Analog, este sistema cruza terabytes de dados para antecipar a carga de treino ideal, reduzir o risco de lesões e ajustar a alimentação em tempo real.

Os nossos colegas destacam ainda outro caso marcante desta tecnologia com o belga Victor Campenaerts, então na equipa Lotto Dstny durante o Tour 2024. A estrutura recorria à Brailsports, uma plataforma alimentada por IA, que após uma leitura detalhada dos seus dados identificou um nível de stress considerado preocupante. A recomendação foi clara: abrandar. Ele seguiu o conselho - e, poucos dias depois, acabaria por vencer a 18.ª etapa da corrida.

Sensores de potência: medir o esforço ao alcance de todos

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Uma segunda revolução, um pouco mais antiga, tem a ver com a medição do esforço em watts - algo que se tornou familiar para muitos amadores graças à democratização dos sensores. Como explica o L’Équipe: «Entre os profissionais, a potência é mais importante do que a velocidade», e hoje qualquer praticante consegue comparar os seus números com os dos campeões através da plataforma Strava.

Na prática, um sensor de potência calcula a força aplicada nos pedais multiplicada pela cadência, resultando num valor em watts. Por ser uma métrica objectiva e pouco dependente de factores externos, ajuda qualquer ciclista a quantificar o esforço e a regular a progressão com muito mais precisão. Entre os modelos mais procurados em 2025, destacam-se o Favero Assioma Duo, o Garmin Rally e o SRM X-Power.

A tecnologia está a matar o espectáculo?

Nas estradas do Tour, a presença constante destas inovações tem provocado críticas fortes. Há quem defenda que a optimização excessiva está a desgastar o instinto dos corredores - e até o lado romântico da prova. Se cada watt é monitorizado e cada táctica é programada e comandada em tempo real através dos auriculares, será que o imprevisível, que está no coração deste desporto, não corre o risco de desaparecer?


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