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Air Invictus no rio Douro e recorde Guinness com 3097 drones

Criança com balão azul brinca com avião de brinquedo enquanto pessoas observam paisagem urbana ao pôr do sol.

Cais de Gaia: aniversário em família no Air Invictus

Quase 300 quilómetros de viagem por estrada não impediram uma família de se sentar no chão do Cais de Gaia para ver os aviões a fazerem acrobacias por cima do rio Douro. Com uma tenda de campismo armada, uma manta no pavimento e os olhos alternadamente no céu e no patriarca, José, que fez 69 anos este sábado, o aniversário celebrou-se ali mesmo, durante o primeiro dia do Air Invictus. À semelhança da família Valério, cerca de 350 mil pessoas ocuparam as margens do Douro para acompanhar os pequenos aviões a rodopiarem no ar.

Vindos de vários pontos - uns de Ourém, outros de Torres Novas e ainda alguns da Marinha Grande - combinaram-se com antecedência e, há cerca de um mês, decidiram que a festa do pai José Valério seria diferente. "Viemos numa edição do Red Bull Air Race, em 2017, e gostámos. Quando vimos publicitar o Air Invictus, decidimos vir também e fizemos uma mini festa de anos cá, no Porto, para o nosso pai", descreve Paula Valério.

Sombra, comida e paciência para ver o espetáculo

Chegaram cedo e anteciparam o que aí vinha: sol forte, calor e também períodos de menor ação. "Trouxemos a tenda para os miúdos, por causa da sombra e para se entreterem e nos deixarem ver o espetáculo. Eles gostam de ver um bocadinho, mas cansam-se depressa e, assim, aguentam a tarde toda. Trouxemos, também, algumas bebidas frescas e comida".

Embora o aniversário se cumpra longe de casa, a ideia de lar acompanha-o: com a esposa, as filhas, os genros e os netos por perto, José assiste sentado num banco - "como se de um trono de tratasse" - a apreciar a paisagem sobre o Douro. "Era a festa que estava à espera e estou muito feliz por este evento. O espetáculo está muito acima daquilo que eu esperava", assegura José.

Vista da Ribeira

Na margem do Porto, o cenário repete-se: muita gente concentrada, sem desviar a atenção do céu, enquanto as aeronaves rasgam o ar a grande velocidade. Alexandre Haliabarda e a mulher souberam do evento pelas redes sociais e viajaram de Lisboa para norte com um objetivo especial: surpreender o filho Marco, de seis anos. "Viemos os três, mas sem ele saber para onde. Dissemos-lhe só que vínhamos passear", conta o imigrante ucraniano, residente em Portugal há dez anos. "Quando chegámos cá e ele começou a ver os aviões, ficou mesmo chocado e muito feliz, até gritava. Ele gosta mesmo disto. Todos os fins de semana, nós vamos com ele ao aeroporto de Lisboa, porque ele quer ver aviões", acrescenta Alexandre.

Já perto do fim da tarde, no jardim junto à Alfândega do Porto, permanecia um grande número de pessoas à espera de novas passagens. Depois de uma pausa preenchida por demonstrações de aeronaves militares, as corridas voltaram a arrancar por volta das 18.30 horas. Assim que o primeiro veículo começa a desenhar-se ao longe, no céu do lado de Gaia, cresce o entusiasmo - há até quem tente adivinhar o modelo.

A maioria dirigiu-se à ribeira para assistir propositadamente ao festival, mas Lara, Andrea e Deanna acabaram por ser apanhadas desprevenidas. "Achávamos que vínhamos fazer um passeio à beira-rio, mas, depois, vimos esta linda multidão e este ambiente", revela uma das três amigas canadianas, em férias no Porto. "Ver este espetáculo aéreo é uma sensação maravilhosa. É quase tão emocionante como ver o Mundial" de futebol, elogiam.

O Douro não via um espetáculo do género desde 2017, quando passou por cá a Red Bull Air Race. "Tínhamos saudades desta multidão. É muito bom para o turismo e para as pessoas da cidade", considera António Monteiro. A mesma ideia é partilhada por Manuela Cunha, responsável pela sede do Grupo Desportivo Infante Dom Henrique. "E venham mais eventos, estamos aqui para os fazer". Hoje há mais voos sobre o rio.

Espetáculo de drones bate recorde do Guinness

Na sexta-feira à noite, o arranque do Air Invictus levou milhares de pessoas a Matosinhos para um espetáculo de drones. As 3097 aeronaves não tripuladas bateram um novo recorde europeu de voo sincronizado, ultrapassando a anterior marca de 3050 drones.

O feito foi homologado no local pelo Livro Mundial dos Recordes da Guinness, num espetáculo comparticipado pela organização da Air Invictus, pela Câmara Municipal de Matosinhos e pela Flock Drone Arte. A presidente da autarquia, Luísa Salgueiro, e Luís Castro, fundador da empresa que promove o festival, receberam o galardão que certifica o novo recorde europeu.

De acordo com a organização, o primeiro dia do Air Invictus - que terá levado cerca de 50 mil pessoas à praia do Titan, em Matosinhos - terminou com música no areal. Temas populares das décadas de 90 e 2000 fecharam uma jornada que tinha começado a ganhar altitude durante a tarde, no Aeródromo de Vilar de Luz, na Maia, com acrobacias aéreas que abriram o apetite para o que se viu ontem no Porto e para o que ainda poderá ser visto hoje, a partir das 12 horas.

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