Sem cavar, sem dores nas costas, sem máquinas caras: um resíduo do dia a dia consegue, em poucas semanas, pôr um canteiro de legumes impecável.
Na primavera, muitos jardineiros de fim de semana passam horas com a pá ou com a motoenxada para preparar solos duros e compactados para cultivar legumes. No entanto, existe uma alternativa praticamente gratuita em que são os organismos do solo a fazer o trabalho pesado. E a solução, muitas vezes, já está na arrecadação ou no contentor do papel: simples caixas de cartão castanho.
Porque é que o cartão castanho muda por completo a forma de trabalhar no jardim
O princípio é quase demasiado simples: em vez de virar a terra, cobre-se a área com cartão castanho e deixa-se que o tempo, a humidade e a vida do solo façam o resto. O cartão cria uma camada opaca, cortando a luz de que as ervas espontâneas precisam para crescer.
"Com cartão castanho e algum material orgânico, um pedaço de relvado cheio de ervas transforma-se, em 3 a 6 semanas, num canteiro fofo e escuro - tudo sem cavar."
Para resultar, o cartão tem de ficar sem falhas. Se as peças se sobrepuserem cerca de 10 a 15 centímetros, nem uma única folha de relva encontra caminho para a luz. Não é necessário retirar a camada de relva existente: ela acaba por morrer sob a cobertura e decompõe-se no próprio solo - um reforço natural de nutrientes.
Debaixo desta “tampa”, acontece algo surpreendente: a combinação de humidade, escuridão e a celulose facilmente degradável do cartão atrai minhocas, bichos-de-conta e inúmeros microrganismos. Eles escavam, alimentam-se e misturam as camadas do terreno.
Ao fim de poucas semanas, forma-se um solo preto, rico em húmus, que se solta com a mão. Até terrenos pesados e argilosos ficam mais granulados e bem arejados. Aqui, a escolha do material é decisiva: use apenas cartão castanho não tratado, sem impressões coloridas, sem fita-cola e sem agrafos, para evitar que substâncias indesejadas acabem no canteiro.
Como começar na primavera sem revolver a terra
A melhor altura costuma ser entre o final de março e o início de abril. O solo começa a descongelar, os animais do solo voltam a ficar ativos e a humidade ajuda a acelerar a decomposição.
Passo 1: Preparar a área
Comece por delimitar o espaço do canteiro e corte a relva o mais rente possível, com corta-relva ou com foice. A terra fica intacta - nada de cavar. Quanto mais densa for a relva, mais importante é fazer um corte muito baixo.
Passo 2: Estender o cartão
De seguida, entram em cena os cartões. As peças grandes e planas são as mais práticas. Coloque-as diretamente sobre a relva e faça uma sobreposição generosa, para não deixar fendas. Qualquer abertura vira um ponto de entrada de luz - e, mais tarde, um problema de infestantes.
Depois, molhe muito bem todo o cartão, de preferência com regador ou mangueira. Deve ficar bem encharcado e moldar-se às irregularidades do terreno. Só assim se cria uma barreira contínua que trava o crescimento das plantas indesejadas e “acorda” a vida do solo.
Passo 3: Criar a camada de nutrientes
Por cima do cartão húmido, espalhe agora uma mistura de composto bem maturado e material seco para cobertura (mulch). A camada pode ter à vontade 5 a 10 centímetros de espessura. Algumas opções adequadas incluem, por exemplo:
- composto maduro e peneirado
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