Nos jardins de amadores, de Hamburgo a Innsbruck, é comum ver toda a gente a pulverizar a mesma “água para plantas” sobre os tomates. Quase ninguém se lembra de que gerações anteriores recorriam também a um segundo truque caseiro, hoje quase esquecido - feito a partir de uma planta que, em muitos quintais, já lá está há muito tempo. Quando é preparado como deve ser, ajuda a proteger os tomates da requeima (míldio), dos pulgões e de outros problemas - sem químicos comprados na loja de bricolage/jardinagem.
Porque é que os tomates enfraquecem tão depressa
O tomateiro é uma das hortícolas mais populares no espaço de língua alemã. Ao mesmo tempo, é extremamente sensível a doenças fúngicas e a insetos sugadores. Verões húmidos, plantas demasiado juntas e regas mal feitas chegam para que:
- a requeima (míldio) destrua folhas e frutos
- os pulgões suguem os rebentos novos
- os ácaros-aranha e outras pragas sugadoras atrasem o crescimento
- as plantas fiquem debilitadas e mais vulneráveis a outras doenças
Perante isto, muitos jardineiros de fim de semana recorrem a produtos de pulverização comprados ou ficam apenas pela conhecida água de urtiga. Muitas vezes resulta, mas há uma alternativa da prática tradicional de jardim que, em muitos casos, atua de forma mais dirigida - sobretudo em tomateiros.
O ajudante esquecido: extrato de folhas de ruibarbo
Em vez de trabalhar só com urtiga, jardineiros experientes estão a voltar a apostar num preparado de folhas de ruibarbo. Sim, o mesmo ruibarbo que, na primavera, vai para a mesa em compota. Os talos seguem para a cozinha; as folhas grandes, por outro lado, acabam quase sempre no composto - e isso é desperdiçar potencial.
"O extrato de folhas de ruibarbo funciona como um escudo natural contra fungos e muitas pragas nos tomateiros."
Nas folhas existe, entre outras substâncias, ácido oxálico e outros compostos que afastam muitos insetos e agentes fúngicos. Para as pessoas, as folhas não são comestíveis; para os tomates, porém, quando bem processadas, podem tornar-se parte de um verdadeiro “programa de saúde”.
Mais eficaz do que a conhecida água de urtiga?
O extrato de urtiga é, acima de tudo, um fertilizante fortificante: é rico em azoto e dá um impulso ao crescimento. O preparado de ruibarbo funciona de outra forma: é, principalmente, uma proteção vegetal para a saúde da planta, e menos uma solução nutritiva.
Muitos jardineiros relatam que, com ele, é possível reduzir de forma clara, sobretudo, os seguintes problemas:
- primeiros sinais de requeima (míldio) nas folhas
- manchas iniciais provocadas por fungos
- colónias fortes de pulgões em rebentos jovens
- danos de alimentação causados por várias larvas de besouros
Depois da aplicação, os tomateiros parecem muitas vezes mais resistentes. As folhas mantêm-se verdes por mais tempo, as plantas crescem de forma mais regular e as manchas suspeitas espalham-se mais lentamente - ou deixam mesmo de avançar.
Como preparar corretamente o extrato de ruibarbo
A preparação parece simples, mas exige alguma precisão. Quem se limitar a atirar algumas folhas para um balde de água perde eficácia - ou arrisca que o preparado se estrague.
Receita base, passo a passo
- Picar grosseiramente cerca de um quilograma de folhas de ruibarbo.
- Colocar num recipiente e cobrir com dez litros de água da chuva.
- Tapar de forma solta, para que os gases possam sair.
- Deixar repousar três a cinco dias, a temperaturas moderadas.
- Mexer vigorosamente uma vez por dia.
- Assim que o preparado começar a fermentar ligeiramente, mas ainda sem cheiro intenso a podridão, filtrar com um coador fino ou um pano.
O extrato não deve ficar semanas a borbulhar. Uma fermentação leve é desejável; um cheiro forte a putrefação é sinal de que o preparado “virou”. Nesse caso, o melhor é fazer um novo.
Aplicação nos tomateiros
Depois de filtrado, o extrato deve passar para um regador bem fechado ou para um pulverizador. Para tratar tomateiros, recomenda-se uma diluição para cerca de dez por cento:
- 1 parte de extrato de ruibarbo
- 9 partes de água (de preferência água da chuva)
Com esta mistura, pulveriza-se a planta inteira - folhas por cima e por baixo, caules e, se necessário, também a zona do solo em torno do colo. As melhores alturas são de manhã cedo ou ao fim da tarde, para evitar folhas molhadas sob sol forte.
"Em semanas de verão húmidas, normalmente basta um tratamento por semana para ajudar os tomateiros a passar a época de forma visivelmente melhor."
Como este “escudo vegetal” atua ao detalhe
O extrato de ruibarbo cumpre várias funções em simultâneo:
- Cria uma espécie de película nas folhas, dificultando a entrada de esporos de fungos.
- Certos componentes afastam muitas espécies de insetos sugadores.
- A planta reage com mecanismos de defesa mais fortes, de forma semelhante ao que acontece após um estímulo de stress ligeiro.
- Insetos úteis, como joaninhas e abelhas silvestres, não são prejudicados de forma duradoura, porque o preparado se decompõe rapidamente.
Assim, o extrato não substitui boas práticas de cultivo, mas reforça as defesas naturais do tomateiro. Com aplicações regulares, cria-se uma base de proteção que dificulta a instalação de fungos e pragas.
Apenas um elemento num tomateiral saudável
Mesmo o melhor preparado caseiro não compensa erros básicos de cuidados. Quem encosta os tomateiros diretamente sob um alpendre demasiado fechado, os mantém a levar água por cima ou planta sempre no mesmo sítio, acaba por ter problemas na mesma.
Por isso, um plano de cultivo estável para tomateiros inclui sempre:
- espaçamento amplo entre plantas, para melhorar a circulação de ar
- rega diretamente na raiz, e não sobre as folhas
- proteção contra chuva, ou cobertura, em zonas com muita precipitação
- rotação da área de cultivo a cada poucos anos
- fertilização orgânica com composto, estrume ou extratos vegetais
Neste conjunto, o extrato de ruibarbo encaixa na perfeição. Muitos jardineiros combinam-no com outras “águas de plantas”: por exemplo, urtiga para fornecer nutrientes e cavalinha para reforçar ainda mais a resistência a doenças fúngicas.
Porque é que este truque antigo está a regressar agora
Com a crescente atenção a questões ambientais e de saúde, aumenta a vontade de evitar produtos sintéticos no jardim. Ao mesmo tempo, a maioria das pessoas não quer abdicar de uma colheita generosa de tomates. Por isso, receitas antigas da agricultura tradicional voltam a ganhar interesse.
A isto somam-se as redes sociais e os fóruns de jardinagem. Aí, muitos jardineiros amadores partilham resultados com o extrato de ruibarbo, publicam fotografias de antes e depois e divulgam proporções de mistura precisas. Assim, um conhecimento que antes existia sobretudo em hortas de aldeia ou em livros antigos de jardinagem passa a espalhar-se a grande velocidade.
O que ainda deves ter em conta ao usar ruibarbo no jardim
Quem utiliza ruibarbo para este extrato deve conhecer alguns pontos importantes:
- No preparado entram apenas as folhas; os talos ficam para a cozinha.
- Nunca comer as folhas: não são adequadas para consumo humano.
- Ao picar, é melhor usar luvas, sobretudo se tiveres pele sensível.
- Não despejar restos do preparado em lagos de jardim ou aquários.
Para um jardim doméstico, normalmente uma ou duas plantas de ruibarbo bem vigorosas chegam para fornecer folhas suficientes durante toda a época. Depois de cada corte, a planta rebenta de novo - garantindo material para novas preparações.
Exemplo prático: como pode ser um plano de época
Quem integrar o extrato de forma estratégica pode organizar a época, de forma aproximada, assim:
- Desde a plantação das mudas: primeira pulverização com extrato de ruibarbo bem diluído, para facilitar o arranque.
- Antes de períodos de chuva anunciados: planear uma aplicação, para tornar mais difícil a entrada de esporos de fungos.
- Ao surgirem as primeiras manchas ou pulgões: encurtar temporariamente o intervalo e pulverizar a cada cinco a sete dias.
- No fim da época: aplicações conforme necessário, para que os últimos frutos amadureçam de forma saudável.
Quem junta este plano a uma boa escolha de variedades - isto é, tomateiros robustos e tolerantes a fungos - reduz de forma clara o risco de perdas totais, mesmo em verões difíceis.
Mais do que uma moda passageira
Muitos remédios caseiros têm, de tempos a tempos, um pequeno regresso e depois voltam a cair no esquecimento. No caso do extrato de ruibarbo, tudo indica que veio para ficar. Dá para o fazer com uma planta que já cresce em muitos jardins, custa praticamente nada e combina bem com a atual vontade de jardinagem mais natural.
Para quem não quer voltar a ficar, nesta época, a olhar sem saber o que fazer para tomateiros castanhos e a colapsar, vale a pena experimentar. Um balde, algumas folhas e um pouco de paciência - é o suficiente para dar uma segunda oportunidade a este conhecimento antigo de jardinagem.
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