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Real Madrid tropeça em Pamplona: Osasuna vence 2:1 no El Sadar e Mbappé fica apagado

Jogador do Lille a celebrar golo com desespero, enquanto jogador do Real Madrid está desapontado no estádio cheio.

Entre o stress da Liga dos Campeões e a luta no campeonato, o Real Madrid tropeça em Pamplona, cai no fim e, de repente, volta a ter de defender o 1.º lugar.

No ambiente fervilhante do El Sadar, o Real Madrid viveu uma noite amarga. O Osasuna respondeu com coração, pernas e ousadia - enquanto o conjunto de estrelas com Kylian Mbappé pareceu desgastado, sem ideias e acabou castigado já nos descontos. Com este resultado, a corrida pelo título em Espanha fica novamente em aberto.

Real Madrid cai na armadilha do Osasuna

O contexto não ajudava: enfiado entre os dois duelos com o Benfica na Liga dos Campeões, o Real Madrid teve de enfrentar uma deslocação tradicionalmente ingrata a Pamplona. Antes mesmo do apito inicial, o risco de um jogo “para escorregar” estava à vista.

E confirmou-se. Desde o primeiro minuto, faltou intensidade aos madrilenos. O Osasuna pressionou alto e com agressividade, fechou linhas por dentro e obrigou os “merengues” a perdas de bola pouco habituais. A equipa da casa parecia mais ligada, mais combativa e, acima de tudo, com mais fome do jogo.

"O Osasuna jogou como se fosse uma final, o Real Madrid mais como um particular de verão."

Thibaut Courtois foi, numa fase inicial, o travão do pior. Primeiro, defendeu um cabeceamento de Ante Budimir à queima-roupa; depois, contou com a sorte quando o croata acertou no poste. O Real abanou - e acabou mesmo por cair pouco antes do intervalo.

Penálti, desvantagem e um Mbappé apagado

Aos 38 minutos surgiu o lance-chave da primeira parte: Budimir ganhou posição dentro da área, Courtois chegou tarde e derrubou o avançado. O apito para penálti era inevitável.

O próprio Budimir assumiu a marcação e fez o 1:0 com frieza. O estádio explodiu e o Real Madrid acusou o golpe.

Nesse período, Kylian Mbappé praticamente não apareceu. O craque ficou desligado do jogo, recebeu poucas bolas em condições, perdeu muitos duelos no um-para-um e não conseguiu entrar na dinâmica ofensiva.

  • Pouca ligação ao jogo
  • Quase nenhum remate realmente perigoso
  • Várias perdas de bola em drible
  • Golo anulado por fora de jogo como único breve sinal positivo

Para um jogador do seu calibre, foi claramente insuficiente - sobretudo numa noite em que o Real precisava de um líder em campo.

Real reage, mas não embala de verdade

Após o intervalo, o Real Madrid subiu o volume de posse de bola. Houve momentos em que encostou o Osasuna à sua área, mas as grandes oportunidades tardaram em aparecer e o ataque manteve-se rígido e previsível.

Houve um instante que expôs o quão curto estava o rendimento ofensivo madrileno: Mbappé arrancou bem pela esquerda, resolveu com uma excelente ação individual e colocou a bola no ângulo. A celebração, porém, durou segundos - a bandeirola subiu, fora de jogo, golo invalidado.

Acabou por ser preciso Vinicius para recolocar o Real no encontro. Aos 73 minutos, o brasileiro aproveitou um cruzamento tenso de Federico Valverde, antecipou-se por um instante a Javi Galán e empurrou para o 1:1.

"Com o empate, parecia que o jogo ia virar por completo - mas o Real não impôs o estatuto de favorito."

Em vez de carregar com tudo em busca da vitória, os visitantes voltaram ao ritmo lento e ao toque estéril. O Osasuna respirou, afastou cruzamentos e ficou à espera do erro que pudesse decidir.

Raúl García coloca o El Sadar em êxtase

O erro apareceu já perto do fim - e foi decisivo. Dani Ceballos perdeu a bola de forma displicente no meio-campo e o Osasuna saiu rápido em transição. A jogada terminou na área, onde Raúl García sentou Marco Asensio com uma finta e, de ângulo apertado, bateu Courtois.

Numa primeira decisão, o golo foi anulado por suposto fora de jogo, mas após verificação do VAR o árbitro confirmou o lance. O El Sadar virou um autêntico manicómio, com os jogadores do Osasuna a celebrarem abraçados.

O Real ainda atirou tudo para a frente nos descontos, mas já não conseguiu criar perigo real. Num último lance, um livre de Trent Alexander-Arnold passou por cima da baliza e, logo depois, soou o apito final. 2:1 para o Osasuna - uma derrota merecida para um candidato ao título.

Primeira derrota na liga com Arbeloa - liderança sob ameaça

Para o treinador Álvaro Arbeloa, foi o primeiro desaire no campeonato desde que assumiu o cargo. Até aqui, o Real vinha de cinco vitórias seguidas e tinha conquistado alguma margem no topo. Essa folga está agora praticamente gasta.

Com o desaire em Pamplona, o FC Barcelona pode ultrapassar o Real Madrid, caso os catalães vençam o jogo de domingo frente ao Levante. A pressão na luta pelo título aumenta de forma clara.

Aspeto Osasuna Real Madrid
Entrega física Intenso, sem concessões Demasiado passivo em muitos duelos
Tática Corajoso, plano claro nas transições Muita posse, pouca surpresa
Eficácia Aproveita as poucas chances com frieza Falha o momento do golpe final
Emoção Estádio e equipa como uma unidade Por momentos, parece letárgico

Com este triunfo em casa, o Osasuna salta para a metade superior da tabela e passa a poder sonhar com algo mais do que apenas a manutenção. Partidas como esta mostram bem o impacto de um estádio ruidoso e de uma exibição coletiva coesa.

Mbappé entre a expetativa e a realidade

Depois desta noite, os holofotes vão apontar sobretudo a Kylian Mbappé. A um jogador desta dimensão pede-se que resolva encontros complicados. Em Pamplona, porém, pareceu contido e demasiado isolado.

Os poucos momentos em que se destacou foram: o golaço anulado, um remate bloqueado e uma ocasião enorme em que Galán desviou a bola mesmo em cima da linha. Na maioria das ações, notou-se que a ligação com Vinicius, Güler e os restantes elementos ofensivos ainda não está totalmente afinada.

"Individualmente, Mbappé continua a ser extraordinário - mas o Real precisa dele como líder, não apenas como solista."

Para o que falta da época, uma noite destas até pode ser útil. Expõe sem filtros onde a equipa emperra: na coordenação no último terço, na frescura mental, e na forma de lidar com adversários fisicamente fortes que não se intimidam com nomes grandes.

O que a derrota significa para o Real

Perder em Pamplona chega numa fase delicada. Entre jogos intensos da Liga dos Campeões, muitas vezes falta a última reserva de energia. E é precisamente aí que equipas como o Osasuna apostam: muitos duelos, enorme disponibilidade para correr, zero pausas.

Agora, para o Real Madrid, há vários pontos a atacar em simultâneo:

  • Dar resposta já no próximo jogo da liga para evitar um ciclo negativo
  • Afinar o ataque, sobretudo na integração de Mbappé
  • Gerir melhor a carga entre campeonato e Liga dos Campeões
  • Aumentar a presença nos duelos, especialmente frente a equipas compactas e físicas

Noites fora em estádios como o El Sadar ajudam a explicar porque é que o campeonato espanhol, mesmo com favoritos claros no topo, raramente é uma época de “passeio”. Cada ponto exige luta - até para um clube como o Real Madrid, dono de um dos plantéis mais caros do mundo.

Quem quer ser campeão não se pode dar ao luxo de falhas mentais deste género. Ainda por cima numa época em que o Barcelona está à espreita de qualquer pequena fraqueza. Depois do que aconteceu em Pamplona, a disputa pelo título ganha, sem dúvida, ainda mais tensão.


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